UOL Notícias Internacional
 

04/01/2009

Disputa por gás afeta outros países além de Rússia e Ucrânia

The New York Times
Por Andrew E. Kramer
Os efeitos colaterais de uma disputa entre a Rússia e a Ucrânia pelo preço do gás natural se espalharam pelas nações da Europa Oriental no sábado à medida que Polônia, Hungria, Romênia e Bulgária anunciaram que a pressão está diminuindo em seus sistemas de gasodutos.

Autoridades da Bulgária disseram que talvez tenham de restringir o uso do gás.

Os cortes de fornecimento pareciam estar contidos, entretanto, até a noite deste sábado. Mais a oeste, a Alemanha, maior consumidora do gás natural russo na União Européia, não relatou nenhum problema.

Além disso, a Itália, um país que perdeu pressão em suas redes de gás depois de uma disputa similar em 2006, não foi afetada dois dias depois que a Rússia interrompeu o envio de gás para a Ucrânia.

Autoridades de energia da União Européia disseram que convocariam uma reunião de emergência na segunda-feira.

Um dos pontos da disputa, que ameaça causar falta de abastecimento do combustível na Europa na época em que ele é mais necessário para o aquecimento, é o sistema de gasodutos que é um legado da União Soviética.

Os gasodutos passam pela Ucrânia, servindo o país e enviando gás natural para os consumidores da Europa Ocidental. Conforme a Rússia tenta novamente impor taxas mais altas para a Ucrânia suspendendo o fornecimento, as exportações para o resto do continente são invariavelmente colocadas em risco.

O problema tem ameaçado o fornecimento russo de energia aos europeus desde o colapso do Bloco Oriental.

No sábado, a operadora nacional polonesa disse que o fornecimento de gás russo havia caído em 10%, mas os consumidores ainda não haviam sido afetados porque a Polônia estava importando mais gás via Belarus e usando suas reservas, informou a agência de notícias Interfax.

A Romênia também informou que suas importações de gás russo estavam reduzidas em 30%. O diretor executivo da operadora do gasoduto da Bulgária, Dimitar Gogov, disse que a pressão estava caindo e que se essa falha persistisse a distribuidora iria impor restrições ao consumo, informou a Reuters. A Bulgária recebe gás através de um gasoduto que percorre tanto a Ucrânia quanto a Romênia.

Assim como no passado, autoridades da Ucrânia e da Rússia culparam umas às outras pelas falhas no fornecimento aos países mais ocidentais. Bohdan I. Sokilovsky, o enviado do presidente da Ucrânia para segurança energética, disse que seu país não estava retirando gás do fluxo destinado à exportação. Em vez disso, disse, a empresa responsável pelo monopólio russo, a Gazprom, estava enviando menos gás para a fronteira da Ucrânia para ser transferido aos consumidores no Ocidente.

"Foi assim que o lado russo administrou a situação", disse Sokolovsky em entrevista por telefone.

Aleksandr I. Medvedev, diretor-executivo da Gazprom, reiterou no sábado a acusação de que a Ucrânia estava desviando gás dos gasodutos.

Enquanto isso, as negociações pararam com idéias de preço bem diferentes entre os dois lados. As autoridades ucranianas disseram que não pagariam mais do que US$ 235 por mil metros cúbicos de gás, enquanto a Gazprom quer US$ 418 pelo mesmo volume.

(Tradução: Eloise De Vylder)

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