UOL Notícias Internacional
 

06/01/2009

Alertas não são suficientes para as famílias de Gaza

The New York Times
Taghreed El-Khodary e Isabel Kershner
Do The New York Times
Em Gaza
A família Samouni sabia que estava em perigo. Seus membros telefonaram para a Cruz Vermelha por dois dias, eles disseram, implorando para serem levados para fora de Zeitoun, uma área pobre no leste da Cidade de Gaza que é considerada uma fortaleza do Hamas.

Nenhum resgate ocorreu. Em vez disso, os soldados israelenses entraram no prédio deles no final da noite de sábado e lhes ordenaram que evacuassem para outro prédio. Foi o que fizeram. Mas às 6 horas da manhã de segunda-feira, quando um míssil disparado por um avião israelense atingiu a casa dos parentes na qual buscaram refúgio, não havia para onde fugir.

Onze membros da família estendida Samouni foram mortos e 26 ficaram feridos, segundo testemunhas e funcionários do hospital, com cinco crianças com 4 anos ou menos entre os mortos.

Centenas de membros do clã lotaram o Hospital Shifa, todos de Zeitoun, muitos em choque. Masouda al-Samouni, 20 anos, perdeu sua sogra, seu marido e seu filho de 10 meses. Ela disse que estava preparando a comida para o bebê quando o míssil atingiu. "Ele morreu com fome", ela disse.

Dez dias após o início da ofensiva de Israel contra o Hamas, o grupo militante islâmico que governa Gaza, a número de baixas civis está crescendo juntamente com o de militantes mortos.

À medida que os combates se aproximam da cidade, os moradores de Gaza começaram a acusar Israel de visar deliberadamente os civis, com a intenção de voltá-los contra o Hamas. Israel culpa o Hamas de concentrar sua batalha propositalmente nas áreas densamente povoadas desta faixa costeira lotada, assim como de usar os moradores como escudos humanos.

"Nós não temos a intenção de ferir civis", disse a major Avital Leibovich, uma porta-voz militar israelense. O Hamas "usa cinicamente" os civis palestinos ao atuar em seu meio, ela disse, acrescentando: "Às vezes há situações onde civis podem se ferir".

Israel iniciou sua campanha em 27 de dezembro, com a intenção primária de destruir a infra-estrutura militar do Hamas e sua capacidade de lançar foguetes contra o sul de Israel. Cerca de 550 palestinos foram mortos até o momento, disseram autoridades médicas em Gaza, com pelo menos um quarto deles civis, segundo a ONU. Autoridades hospitalares em Gaza disseram que pelos menos 93 pessoas morreram e mais de 370 ficaram feridas desde sábado, quando as forças terrestres israelenses se juntaram à campanha.

No lotado campo de refugiados de Shati, perto da costa, outra família foi destruída na madrugada de segunda-feira, quando um projétil disparado por um navio da marinha atingiu a casa dela enquanto dormia.

E no distrito de Tuffah, outro bairro pobre no leste da Cidade de Gaza, os israelenses dispararam com tanques contra outra casa, disseram testemunhas. Um vizinho levou Mumin Alawi, 13 anos, ao hospital em um carro particular. Quando Muhammad Alawi, o pai de Mumin, chegou à procura dele e soube que seu filho tinha morrido, ele ficou transtornado e queria pular da sacada, até ser contido por parentes.

"Ele morreu um mártir", disse a mãe de Muhammad, tentando confortá-lo. "Pelo menos este corpo está inteiro."

Uma representante da Cruz Vermelha em Gaza disse que há muitos pedidos de ajuda. No caso da família Samouni, ela disse, a organização foi informada pelos israelenses que seria perigoso demais entrar no bairro de Zeitoun.

Um estudo que será publicado em Israel pelo Centro de Informação de Inteligência e Terrorismo, um grupo independente de pesquisa com laços estreitos com o establishment das forças armadas israelenses e apoiado pelo Congresso Judeu Americano, apresenta o Hamas como tendo construído metodicamente sua infra-estrutura militar no coração dos centros populacionais.

O estudo apresenta fotos dos militantes produzindo e armazenando armas dentro de casas e dos soldados israelenses encontrando armas escondidas em uma mesquita no norte de Gaza, durante uma incursão militar em março de 2008.

O Hamas não apenas se esconde entre a população, argumenta o estudo, mas também transformou em um componente principal de sua estratégia de combate a "canalização" do exército nas áreas mais densamente povoadas para combate - um modelo que está agora evidente.

Shireen Shihab, 30 anos, uma moradora da Cidade de Gaza, disse na segunda-feira que viu combatentes do Hamas disparando foguetes contra Israel de um local a dois quarteirões de sua casa. Ela disse que ela e outros não podiam expressar qualquer oposição, por medo de serem rotulados como espiões.

Shihab, uma ex-simpatizante do Fatah, o rival secularista do Hamas, disse que os israelenses e seus aliados palestinos pró-ocidente do Fatah, estão "usando as pessoas", as matando para fazer com que o Hamas pague o preço.

Entre os sobreviventes da família Samouni, as opiniões estavam divididas. Alguns abençoavam a resistência. Mas Hamada Al-Samouni, 28 anos, que foi ligeiramente ferido pelo foguete israelense e claramente ainda estava em choque, disse que tudo isso estava acontecendo "por causa dos foguetes" disparados pelo Hamas.

Ele disse que viu os corpos de oito combatentes do Hamas trajando roupas civis estirados nas ruas ao redor de Zeitoun. Eles estavam lá há dois dias e ninguém veio recolhê-los, ele disse.

Tradução: George El Khouri Andolfato George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host