UOL Notícias Internacional
 

13/01/2009

Todos os caminhos levam a Roma, mas não trazem grandes gastadores

The New York Times
Rachel Donadio
Em Roma
Em uma recente tarde fria, Andrea Eluca estava do lado de fora do Fórum Romano, vestido como gladiador. Pequenos grupos de turistas passavam por ele e sorriam diante de seu peitoral de couro, espada e capacete de moto com uma escova de vassoura vermelha fixada. Mas nenhum parou para posar para uma foto.

O inverno é sempre um tempo difícil para os gladiadores, mas esta estação tem sido particularmente dura.

"A quantidade não diminuiu, mas a qualidade sim", disse Eluca com uma fungada. "As pessoas vêm; elas apenas não estão gastando."

O euro forte e o agravamento da crise econômica atingiram o turismo - mesmo em Roma, onde os turistas são tão certos quanto a morte e os impostos, e provavelmente mais confiáveis do que as pessoas que pagam impostos.

O número de turistas estrangeiros em Roma e na região ao redor de Lazio caiu 12% em novembro, em comparação a novembro do ano anterior. Nos primeiros 11 meses do ano, o número total de turistas, da Itália e outros lugares, caiu 5%.

Ainda não há dados para dezembro, mas a expectativa é de que não serão estelares, graças à economia ruim, os cancelamentos e greves freqüentes da Alitalia, sem contar as chuvas fortes antes do Natal, que quase fizeram o Rio Tibre transbordar e causar uma enchente no centro histórico da cidade. A expectativa é que as visitas por americanos tenham caído 15% em dezembro.

As coisas não foram melhores no Vaticano, onde o número de visitantes às audiências papais caiu em meio milhão em 2008, para 2,2 milhões.

Perto do Coliseu, os condutores de carruagens estavam desanimados. "Os negócios caíram entre 35% e 40% em comparação a três ou quatro anos atrás", disse Fabrizio Manzone, que cobra entre US$ 65 e US$ 135, dependendo da rota.

Os turistas "saem todos para comer pizza", ele disse. Mas quando você está tentando economizar, "um passeio de carruagem é a primeira coisa que você tira da lista".

Steve Born, vice-presidente de marketing da operadora de turismo Globus, que oferece 33 pacotes de férias para a Itália, disse que o movimento com destino ao país caiu 10% em 2008.

As coisas estão ainda piores no turismo de luxo. Na Via Veneto, la vita está claramente menos dolce ultimamente.

No sofisticado hotel bar Excelsior, famoso pelos melhores martinis de Roma, as coisas estas fracas em uma recente noite chuvosa de meio de semana. Quando o barman foi perguntado sobre como as coisas estavam indo, sua face quase caiu no chão em uma expressão neorrealista de desânimo.

Os funcionários tinham acabado de ser informados sobre as demissões, disse o barman, que se recusou a dizer seu nome porque não estava autorizado a conversar com a imprensa.

Um homem mais velho chegou acompanhado de duas mulheres mais jovens bem vestidas, uma usando um colar Chanel com dois Cs entrelaçados. Eles pediram drinques e conversaram em russo.

"Os russos são os únicos europeus ricos no momento", disse o barman. "Os árabes vêm, alguns espanhóis, mas os americanos não vêm mais."

No Hotel Danieli em Veneza, que como o Excelsior é de propriedade da Starwood Hotels and Resorts, os funcionários entraram em greve na Véspera de Ano Novo em protesto contra as demissões propostas. Os hóspedes que reservaram um jantar com champanhe e caviar foram enviados para comemorar o ano novo em outro lugar.

Uma porta-voz da Starwood, Sara Migliore, reconheceu que a empresa está passando por uma "reestruturação interna". Mas ela se recusou a comentar sobre os relatos de que pretende demitir 650 dos 2.200 funcionários da Starwood na Itália, citando o prosseguimento das negociações trabalhistas.

Mas em meio à crise surgem oportunidades. O Excelsior e o Danieli estão oferecendo quartos por diárias tão baixas quanto US$ 335.

De fato, para aqueles que têm dinheiro, este é o momento de vir a Roma. As multidões estão menores, as passagens aéreas estão mais baratas e as lojas estão fazendo grandes liquidações.

Admirando o Panteão, Ron Weintraub, um consultor de telecomunicações americano que mora em Ancara, Turquia, tinha uma resposta em uma palavra para o motivo para ter vindo a Roma: "Saldi".

Como os varejistas de toda parte, as lojas italianas reduzem os preços todo mês de janeiro, mas neste ano estão fazendo isso de forma mais agressiva do que nunca. Na luxuosa Via Condotti perto da Escadaria Espanhola, lojas como Gucci e Prada estão oferecendo descontos de até 50%.

Na Gucci em uma recente manhã chuvosa de meio de semana, os clientes que estavam de olho em itens como uma jaqueta de couro com gola de pele, com 50% de desconto sobre o preço inicial de US$ 4.500, eram quase que totalmente russos e japoneses.

De volta a perto do Fórum Romano, o movimento ainda era fraco para Eluca. Ele esfregou suas mãos frias e esquadrinhou a área em busca de tiradores de fotos. Então seu celular tocou. "Eh", ele respondeu após retirá-lo de uma bolsa vermelha ao seu lado.

"Não, mãe. Eu estou um pouco resfriado, mas vou ficar bem", disse. "Não se preocupe, eu logo chegarei em casa para o almoço."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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