UOL Notícias Internacional
 

14/01/2009

Segundo relatório, ameaças a criança na Internet foram exageradas

The New York Times
Brad Stone
A Internet pode não ser, afinal de contas, um local perigoso para as crianças.

Uma força-tarefa criada por 49 procuradores-gerais estaduais dos Estados Unidos para examinar o problema dos convites sexuais online às crianças concluiu que não existe realmente um problema significante.

A descoberta choca-se com a percepção popular dos perigos da Internet, que foram reforçados por histórias divulgadas pela mídia, como a série "To Catch a Predator" ("Capturar um Predador"), da rede de televisão NBC. Um procurador geral apressou-se a criticar o relatório do grupo.

A Força-Tarefa de Segurança Técnica na Internet foi encarregada de examinar a magnitude das ameaças enfrentadas por crianças em redes de interação como o MySpace e o Facebook, em meio a temores generalizados de que adultos estivessem usando esses websites populares para enganar e tocaiar crianças.

Mas o relatório citou pesquisas que chamam tais medos de um "pânico moral", e concluiu que o problema do assédio agressivo entre crianças, tanto online como na realidade cotidiana, representa um desafio bem mais sério do que os convites sexuais feitos por adultos a menores.

"Isso demonstra que as redes de interação social não são aqueles bairros terríveis da Internet", diz John Cardillo, diretor-executivo da Sentinel Tech Holding, que conta com um banco de dados com informações sobre criminosos sexuais e que fez parte da força-tarefa. "As redes sociais são bem parecidas com as comunidades do mundo real compostas, em sua maioria, por pessoas boas que estão lá pelos motivos corretos".

O relatório será divulgado nesta quarta-feira, mas o "New York Times" obteve uma cópia dele. O documento de 39 páginas é o resultado de um ano de reuniões entre dezenas de acadêmicos, especialistas em segurança de crianças e executivos de 30 companhias, incluindo Yahoo, AOL, MySpace e Facebook.

A força-tarefa, liderada pelo Centro Berkman para a Internet e a Sociedade, da Universidade Harvard, examinou dados científicos sobre predadores sexuais que atuam online e descobriu que é improvável que crianças e adolescentes recebam convites por parte de adultos online. Segundo o relatório, nos casos existentes, os adolescentes tipicamente participam por vontade própria e já correm risco devido ao ambiente doméstico ruim, ao uso de drogas e a outros problemas.

Mas nem todos ficaram satisfeitos com a conclusão. Richard Blumenthal, o procurador-geral de Connecticut, que lida agressivamente com a questão e que ajudou a criar a força-tarefa, afirma discordar do relatório. Segundo ele, o documento "minimiza a ameaça representada pelos predadores", baseia-se em pesquisas ultrapassadas e não apresenta nenhum plano específico para aumentar a segurança nas redes de interação social.

"As crianças recebem convites diários online", afirma Blumenthal. "Algumas caem na armadilha, e os resultados são trágicos. Essa realidade dura desafia a pesquisa acadêmica estatística na qual o relatório se baseia".

Naquilo que as redes de interação social podem ver como uma espécie da absolvição após anos de pressão por parte da polícia, o relatório diz que sites como o MySpace e o Facebook "não parecem ter elevado o risco geral de convites a menores".

Procuradores-gerais como Blumenthal e Roy Cooper da Carolina do Norte acusaram publicamente as redes sociais de facilitarem as atividades de pedófilos e pressionaram-nas para que adotassem medidas no sentido de proteger os seus usuários mais novos. Por exemplo, eles solicitaram às redes para que vasculhassem os seus bancos de dados sobre os seus membros em busca de criminosos sexuais conhecidos. Os procuradores-gerais encarregaram também a força-tarefa de avaliar tecnologias que pudessem contribuir para aumentar a segurança das crianças online. Um painel composto de cientistas de computação e especialistas em criminologia foi criado dentro da força-tarefa para examinar tecnologias e solicitar às companhas da área que apresentassem os seus programas para a proteção de crianças.

Entre os sistemas examinados pelo painel tecnológico estão tecnologias para a verificação da idade que procuram verificar se são autênticas as identidades e as idades das crianças e impedir que adultos mantenham contato com elas. Mas o painel conclui que tais sistemas "não parecem proporcionar ajuda substancial para a proteção de menores contra os convites sexuais".

Um dos problemas é a dificuldade de verificar as idades e as identidades das crianças porque elas não possuem carteiras nem seguros para motoristas.

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