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16/01/2009

As lembranças especiais da posse de Obama

The New York Times
Stuart Elliott
O ardor entre os negociantes por Barack Obama está se intensificando com a aproximação do dia da posse, quando, ao que parece, eles pretendem nomeá-lo o novo consumidor-em-chefe da nação.

A eleição de Obama provocou um boom de merchandise, oficial ou não, que passou a ser chamado de Obamabilia. Entre a infinidade de produtos estão moedas, placas, pratos, roupas, revistas, jornais, livros, pôsteres, DVDs, bijuterias, bonecos, cartões e quebra-cabeças.

Segundo algumas estimativas, centenas de milhões de dólares em tesouros, bugigangas e badulaques foram vendidos desde o dia da eleição.

À medida que se aproxima a posse de Obama na terça-feira como 44º presidente, a agitação está chegando ao nível mais alto, com uma enxurrada de produtos e propagandas atrelados à posse.

Os novos itens incluem garrafas de conhaque Hennessy, com rótulos com "44"; edições comemorativas de publicações como "The New Yorker", "Newsweek", "USA Today" e "The Washington Post"; e camisetas do Comitê da Posse Presidencial que pedem "Seja a mudança".

Também está chegando uma onda de promoções relacionadas à posse, algumas em Washington e algumas em outros lugares do país. Por exemplo, os visitantes a Washington verão outdoors parabenizando Obama de autoria do xeque Khalid bin Saqr al Qasimi, o vice-soberano exilado e príncipe regente de Ras al Khaimah, Emirados Árabes Unidos.

A Aveia Quaker promoverá festas domésticas na manhã de terça-feira em 11 cidades - inclusive em Washington - onde mulheres que escrevem os chamados blogs da mamãe servirão café da manhã para amigos e outros convidados antes de assistirem a cobertura das cerimônias.

A intenção é "capturar a empolgação e o otimismo do momento", disse Shelley Haus, diretora do portfólio de café da manhã na Quaker Oat Company, em Chicago, parte da PepsiCo, "e usar essa inspiração para estimular as pessoas".

Para compensar qualquer sentimento de que a Quaker está tentando comercializar um evento não comercial, a empresa usará as festas caseiras para conscientizar as pessoas de uma campanha de arrecadação de fundos iniciada nesta semana (startwithsubstance.com). A campanha é em prol da organização Share Our Strength (compartilhe nossa força), que ajuda a alimentar crianças com fome.

Além disso, disse Haus, "todo mundo ama a Aveia Quaker, sejam republicanos ou democratas".

Outra divisão da PepsiCo, a Pepsi-Cola North America Beverages, está incorporando a posse na campanha de sua principal marca, a Pepsi-Cola, que teve início no Ano Novo e tem o tema "Refresh everything" (refresque ou renove tudo). Os visitantes do site (refresheverything.com) são convidados a deixar mensagens ou videoclipes para Obama, também conhecido como "o homem que está prestes a renovar a América".

Em Washington, a Pepsi-Cola patrocinará o baile da posse da Creative Coalition, uma organização de defesa das artes e do entretenimento, assim como um simpósio na Universidade Howard, intitulado "Refresh the World" (renove o mundo), que contará com participantes como Spike Lee, Queen Latifah e o reverendo Al Sharpton.

"Sem comentar especificamente sobre o presidente eleito, é um momento cultural para todos", disse Ralph Santana, vice-presidente para as colas da Pepsi-Cola North America Beverages em Purchase, Nova York, "e acho que transcende a política".

O evento será marcado com comerciais da Pepsi-Cola durante a cobertura da possa em redes como "CNN" e "MSNBC", disse Santana, onde a marca é raramente anunciada. Também haverá propagandas em jornais, ele disse, assim como outdoors e cartazes em locais em Washington como a Union Station.

A Pepsi-Cola dividirá a estação com a Ikea, que promoverá suas duas lojas na área de Washington recriando o Escritório Oval, dentro da Union Station, com amostras de seus móveis. A Ikea também está patrocinando um site especial na Internet (embracechange09.com) e enviando uma limusine ao estilo presidencial para circular pela cidade com móveis Ikea e caixas presos no teto, em uma mistura de "Hail to the Chief" (saudação ao chefe) e "A Família Buscapé".

"Eu cresci em Washington e isto é como a final do futebol para o Distrito de Colúmbia", disse Peter Nicholson, sócio e diretor chefe de criação da Deutsch in New York, a agência do Interpublic Group que cria campanhas para a Ikea América do Norte.

A promoção é apresentada "na língua da política que os moradores de Washington entendem", disse Nicholson, concentrada em "recomeçar, abraçar as mudanças em casa e manter a responsabilidade fiscal".

A fabricante do conhaque Hennessy, a LVMH Moet Hennessy Louis Vuitton, está usando numerologia em vez de linguagem na sua promoção, vendendo 180 mil garrafas, ao preço de US$ 30 cada, contendo selos e rótulos na frente e atrás exibindo o número "44" e frases como "Em homenagem ao 44º presidente" e "Em homenagem à posse presidencial".

A empresa planeja fazer doações ao Fundo Universitário Thurgood Marshall por cada garrafa vendida, disse Andy Glaser, vice-presidente sênior para a Hennessy na Moet Hennessy USA em Nova York, com a meta de conceder duas bolsas de estudo de quatro anos por meio de uma doação mínima de US$ 50 mil.

Será pedido que celebridades autografem as garrafas, ele acrescentou, que serão vendidas em um leilão mais à frente no ano para beneficiar o fundo.

Para as empresas de mídia que estão embarcando na febre Obama, o foco é em edições comemorativas e mais.

Por exemplo, a edição desta semana da "Newsweek" apresenta um anúncio convidando os leitores a encomendarem a "edição especial da posse", que é descrita como uma "edição limitada!" O preço: US$ 9,95 mais frete, ou mais que o dobro do preço normal de capa.

Usuários de computador registrados no endereço washingtonpost.com receberam mensagens de e-mail na quarta-feira promovendo a "Central da Posse", incluindo informação sobre a futura cobertura, "itens colecionáveis da posse" e fotos da eleição e da cerimônia de posse de Obama para vender.

A revista setorial "Editor and Publisher" noticiou que o "Washington Post" planeja rodar 2,7 milhões de cópias de suas edições de terça e quarta-feira; a edição de 5 de novembro, noticiando a eleição de Obama, bateu o recorde de vendas de quase 1,6 milhão de cópias. "The Post", washingtonpost.com e "Newsweek" são unidades da Washington Post Co.

A edição desta semana da revista "The New Yorker" possui um anúncio convidando os eleitores a "terem um pedaço da história", encomendando uma cópia gratuita da capa comemorativa da edição da posse de 26 de janeiro. As cópias serão mandadas pelo correio para aqueles que fizerem o pedido no site (newyorker.com/user/registration).

Uma porta-voz da "The New Yorker", Alexa Cassanos, disse que o número de pedidos nas primeiras 24 horas ultrapassou o número que a revista esperava no total.

A edição de 17 de novembro da "The New Yorker", com uma capa comentando a eleição de Obama, esgotou nas bancas, ela acrescentou, vendendo 87 mil cópias. Normalmente a revista vende entre 40 mil e 60 mil cópias por semana nas bancas.

Outras capas exibindo Obama juntamente com charges e caricaturas dele, que estão sendo vendidas pela loja online da "The New Yorker", "vendem fenomenalmente bem", disse Cassanos. A revista faz parte da unidade Condé Nast Publications da Advance Publications.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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