UOL Notícias Internacional
 

17/01/2009

Executivo indiano teria desviado dinheiro

The New York Times
Heather Timmons
Em Nova Délhi (Índia)
O fundador da Satyam Computer Services, B. Ramalinga
Raju, teria na verdade desviado grandes quantidades de dinheiro da
companhia, e não apenas fraudado os livros como ele havia alegado,
disse no sábado uma pessoa envolvida na investigação.

Os investigadores responsáveis por analisar a fraude, que vem sendo
chamada de Enron da Índia, descobriram um "labirinto" de cerca de 300
companhias ligadas a Raju que foram usadas para desviar cerca de US$ 1
bilhão em dinheiro da Satyam, disse um oficial envolvido no inquérito,
que permaneceu sob anonimato para discutir os desenvolvimentos do
caso.

A história que emerge da investigação da Satyam, uma das maiores
companhias indianas fornecedoras de tecnologia, é bem diferente
daquela contada por Raju na confissão que deixou o mundo corporativo
indiano atônito no começo desse mês.

Raju, que era presidente da Satyam, disse numa carta endereçada à
diretoria em 7 de janeiro que cerca de US$ 1 bilhão do dinheiro da
companhia "não existia", e que ele havia falsificado os lucros durante
anos para evitar perder o controle da empresa. Mas o investigador
afirmou que, apesar de Raju alegar ter mentido sobre os lucros, ele
usava centenas de companhias para desviar o dinheiro da Satyam.

Essas companhias estão registradas no nome de Raju e de membros de sua
família. Saber o que exatamente aconteceu na Satyam "está se tornando
cada vez mais complicado", disse o informante, acrescentando que os
investigadores ainda não descobriram onde todo o dinheiro desaparecido
foi parar.

Em sua carta à diretoria da Satyam, Raju disse que a diferença no
balancete foi crescendo ao longo dos anos até tomar "proporções
impossíveis de administrar" e afirmou ter forjado os lucros da
companhia para evitar que ela fosse tomada. Ele disse que manteve a
ilusão com a ajuda de suas próprias ações e com empréstimos que tinham
seus bens como garantia, e que nem ele nem seu irmão, B. Rama Raju,
"pegaram uma rúpia/dólar da companhia".

Entretanto, segundo o investigador, todo o US$ 1 bilhão que Raju
alegou não existir pode na verdade ter sido lucrado pela companhia e
depois desviado.

S. Bharat Kumar, advogado dos irmãos Raju e diretor financeiro da
companhia, não retornou os inúmeros telefonemas e mensagens de texto
pedindo que comentasse o caso.

Os três executivos da Satyam representados por Kumar estão presos em
Hyderabad sob acusações de falsificação, abuso de confiança e golpe.
No sábado, um juiz de Hyderabad ordenou que os executivos fossem
colocados sob custódia da polícia por quatro dias para serem
interrogados.

No sábado, o primeiro ministro da Índia, Manmohan Singh, disse que os
acontecimentos na Satyam são "uma mancha na imagem corporativa" do
país. O declínio da Satyam "indica como a fraude e a má-fé numa
companhia podem causar sofrimento para muitos e além de prejudicar a
imagem da Índia de modo mais amplo", disse Singh.

A fraude chocou a Índia em parte porque a Satyam, assim como a maioria
das companhias de tecnologia do país, era vista como uma líder da
administração corporativa. A empresa de auditoria da Satyam, Price
Waterhouse, uma unidade da PricewaterhouseCoopers, assinou as finanças
da companhia durante anos e agora está sendo investigada pelo comitê
de contas da Índia.

A nova diretoria da Satyam, apontada pelo governo, reuniu-se no sábado
para discutir como aliviar a contenção severa de recursos da companhia
e o preenchimento das vagas de gerenciamento. Membros da diretoria
disseram anteriormente que a Satyam pode pedir para que seus quase 600
clientes, que incluem a General Electric, General Motors e Nestlé,
paguem as contas antecipadamente.

A Satyam tem cerca de 17 bilhões de rúpias (US$ 350 milhões) em
pagamentos pendentes de clientes, disse a nova diretoria na semana
passada.

A companhia está fazendo "todos os esforços" para pagar os salários,
disse a Satyam. A diretoria ainda não nomeou um diretor executivo ou
diretor financeiro e disse que vai se reunir semanalmente até
preencher os cargos.

(Tradução: Eloise De Vylder)

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