UOL Notícias Internacional
 

20/01/2009

As vantagens de viajar com vários passaportes

The New York Times
Michael T. Luongo
Alessandro Pappalardo, um artista de Nova York, já tinha passaportes da Itália e da Argentina, e, no ano passado, ele obteve um outro dos Estados Unidos. Ele já foi executivo das Aerolineas Argentinas, e diz: "Eu costumava viajar muito para o Brasil, e sempre decidia que passaporte mostraria de acordo com o tamanho de cada fila".

Stefan Stefanov, cidadão dos Estados Unidos e da Bulgária que trabalha para o grupo FirstApex, em Varsóvia, diz que decide que passaporte usar dependendo de seu destino. "É claro que não escondo o fato de que sou cidadão dos Estados Unidos", diz Stefanov. "Mas eu não saio dizendo isso para todo mundo".

Ter mais de um passaporte não é mais algo que só está ao alcance de quem foi criado em mais de um país. Milhões de cidadãos norte-americanos estão potencialmente qualificados para obter um outro passaporte por diversas razões - herança étnica, religião, país de nascimento e o local de nascimento do cônjuge.

"O fato é que as pessoas não pensam nisso até que alguém diga a elas", afirma Jan Dvorak, presidente da Travisa, uma companhia de serviços de passaportes situada em Washington. "Alguns norte-americanos não percebem que, na verdade, têm duas nacionalidades".

Embora não haja números exatos disponíveis, parece que um número maior de norte-americanos está tentando qualificar-se para obter passaportes adicionais. "Viajantes bem informados e aqueles que viajam a negócios desejam ter dois passaportes baseados na nacionalidade porque há certas vantagens nisso", diz Dvorak.

Entre essas vantagens está a capacidade de trabalhar sem restrições para diversos países, especialmente com passaportes de países da União Europeia. "Além disso, esta é uma maneira de ocultar o local em que se esteve, quando viaja-se entre países que não mantêm boas relações", explica o presidente da Travisa.

Christopher Davis, diretor-executivo da G3 Visas & Passports, em Washington, diz que a sua companhia processa regularmente passaportes britânicos. "Há benefícios claros para os clientes que obtêm dupla cidadania, especialmente agora que a União Europeia cresceu em tamanho e influência. Isso é particularmente importante quando você precisa cumprir uma tarefa profissional por lá".

Davis diz que as inscrições para a obtenção de passaportes estrangeiros podem ser complicadas, especialmente para a Itália e a França, já que às vezes é necessária uma longa lista de documentos para "demonstrar a progressão da genealogia".

"E, não importa quantos passaportes um norte-americano possua. Ele terá que entrar e sair com um passaporte dos Estados Unidos".

Além disso, ele recomenda que as pessoas que cogitam obter um outro passaporte pensem primeiro nas consequências tributárias e na possibilidade de ter que prestar serviço militar, embora seja possível obter uma isenção disso tudo como cidadão dos Estados Unidos.

Israel permite que qualquer indivíduo com ascendência judaica utilize a chamada aliyah, ou Lei do Retorno, para tornar-se cidadão, mas o serviço militar pode ser um problema. Noam Greenberg, secretário de imprensa do Consulado Israelense em Nova York, diz que a idade máxima para o serviço militar é de 28 anos para os homens e 22 para as mulheres, embora mulheres casadas estejam isentas do recrutamento em qualquer idade. Os norte-americanos podem inscrever-se para isenção.

O serviço militar foi um problema para Abdullah Daglioglu, um ator cujo nome artístico é Neil Malik Abdullah. Nascido na Áustria e filho de pais turcos, ele possui as duas nacionalidades, mas evita a Turquia porque, lá, teria que servir as forças armadas. Ele mora na Alemanha e trabalha em filmes por toda a União Europeia. "Posso atuar em filmes produzidos em toda a Europa", diz ele. ''Não existe exigência de visto".

Daglioglu, que fez o papel de Ahmed al-Haznawi, um dos terroristas dos atentados de 11 de setembro de 2001, no filme britânico para a televisão "Hamburg Cell", diz que usou o seu passaporte britânico para obter um visto para os Estados Unidos, que foi necessário para uma viagem à Flórida, onde participou de uma parte das filmagens.

"No documento, não há indicação nenhuma de que sou de fato turco", diz Daglioglu. "É fácil viajar com o passaporte austríaco porque ele é europeu, e não turco. Todo mundo cria caso quando o seu nome é Abdullah".

Ruth Yoffe, também tem dois passaportes. Ela fundou a Reloop Designs, uma companhia que contrata pessoas deficientes no Camboja para que façam cestos coloridos a partir de sacolas de plástico recicladas.

Cidadã dos Estados Unidos e da Nova Zelândia, ela viaja frequentemente pelo sudeste da Ásia. "Por motivos de segurança óbvios, sempre procuro inserir os meus vistos de viagem no meu passaporte neozelandês", disse ela por e-mail. "Quando estou no avião não quero ser identificada como norte-americana, se tiver escolha, dependendo de para onde estou indo".

E os vistos são também mais baratos para os neozelandeses. "Eles assumem que nenhuma pessoa de qualquer outro país possa ser tão rica quanto os norte-americanos", diz Yoffe.

Alex Thomas, gerente corporativo da Travel Document Systems, uma companhia de serviços de passaportes e vistos em Washington, diz: "Alguns dos meus clientes não se sentem confortáveis em viajar com um passaporte dos Estados Unidos, e, caso tenham um passaporte adicional, preferem usá-lo".

De fato, nos ataques terroristas ocorridos em novembro em Bombaim, os terroristas procuraram especificamente por pessoas que tinham passaportes dos Estados Unidos e do Reino Unidos, e libertaram alguns turistas que exibiram passaportes de outros países.

Thomas citou a globalização e o casamento com imigrantes como os motivos pelos quais os norte-americanos estão obtendo cidadania dupla, mas as guerras no Afeganistão e no Iraque e o recente colapso econômico também são questões importantes para as pessoas que possuem dois passaportes.

"Atendo mensalmente quatro ou cinco pessoas que perguntam especificamente o que é necessário para que obtenham um passaporte de outro país, devido aos fatos que estão ocorrendo no mundo", diz Thomas. "Acredito que esse número aumentará".

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