UOL Notícias Internacional
 

22/01/2009

O presidente, as pessoas, as festas

The New York Times
Julie Bosman
Em Washington
Na Véspera da posse, enquanto o público bebedor de champanhe circulava pelo Newseum, no centro, ninguém parecia notar a bela atriz Jessica Alba, sentada em silêncio em um banco.

Mas à distância de um braço, pelo menos seis pares de olhos estavam fixados em David Axelrod, o alto conselheiro de Barack Obama.

"Uau, que emoção conhecer você", disse um homem, apertando ansiosamente a mão de Axelrod.

"Oh, meu Deus", disse uma mulher nas proximidades, enquanto se aproximava abrindo espaço. "Muitíssimo obrigado pelo que você fez."

Por cinco dias e noites, enquanto Washington fazia festa até a posse de um novo presidente, a cidade era uma mistura de celebridades, políticos e pessoas comuns, às vezes sendo difícil distingui-los. As autoridades de Obama eram tratadas como celebridades. As celebridades bajulavam os políticos. E todo mundo que invadiu a cidade em massa festejava ao lado deles, tudo parte do espetáculo.

Obama prometeu uma posse para o povo e assim foram as festas. Da primeira não-oficial na noite de sexta-feira até a madrugada de quarta-feira, centenas de festas de gala, jantares e concertos por toda a cidade forneceram um refresco ininterrupto para o ar frígido de janeiro.

Havia os habituais eventos caros, almoços privados e cerimônias em embaixadas que eram abertos a apenas alguns poucos seletos. Mas as festas mais animadas foram grandes, casuais, abertas para todos, onde o véu foi levantado na Washington oficial e reinou a informalidade.

Quão exclusivo algo pode ser quando passou a ser comum uma festa de posse ser transmitida ao vivo pela Internet, com laptops armados para que os convidados pudessem atualizar suas páginas no Facebook, e quem quisesse podia enviar um Twitter, tirar fotos com celulares ou gravar um vídeo para ser transmitido instantaneamente para o resto do mundo?

Afinal, foi a campanha de Obama que canalizou o espírito jovem, inclusivo, de alta tecnologia e informal - onde ser inteligente é bacana e os nerds são badalados - que estava em exibição em Washington nesta semana.

Homens jovens chegaram em festas black-tie vestindo blazers escuros e jeans apertados. Bonés com "Obama" inscrito eram o item de vestuário preferido (até para o editor da revista "Vogue", Andre Leon Talley, usava um em uma festa no domingo).

Carrie Fisher circulava em sua Festa do Pijama de Obama trajando pijama de seda preto e um roupão com padrão brilhante.

Black-tie estava proibido na festa do Google na noite de terça-feira, e seguindo o código de vestuário, Craig Newmark, o fundador da Craiglist, disse que não se deu ao trabalho de trazer seu fraque de San Francisco. Newmark disse que foi arrebatado pelas emoções da posse.

"Eu fui abraçado espontaneamente por dois indivíduos grandes", ele disse, acrescentando que a diversidade nas listas de convidados das festas pode antecipar uma mudança no cenário social da cidade.

"Os CDFs estão voltando para Washington", ele disse. "E desta vez eles estão trazendo alguns nerds consigo."

Na noite de domingo, 200 convidados lotaram a casa de Joan Nathan, uma autora de livros de culinária, para uma festa em homenagem à novamente badalada Alice Waters e outros chefs célebres visitantes.

O cabrito assado no espeto estava divino, mas Rhoda Glickman, a esposa de Dan Glickman, presidente-executivo da Motion Picture Association of América (entidade que representa a indústria cinematográfica), ficou mais impressionada com sociabilidade e jovialidade da festa, que a distinguia das festas tipicamente mais formais de Washington.

"Foi diferente de qualquer outra festa em que já estive", ela disse. "As pessoas estavam trocando comida de seus pratos. Ninguém se importava com sua aparência e apenas se importava com o que estava comendo. Estavam todos tão à vontade e era como estar jantando na cozinha da vizinha, mas juntamente com outras 1.000 pessoas."

Na noite de segunda-feira, um público jovem de 2 mil pessoas lotou uma galeria de arte em Georgetown para uma festa da moveon.org. Cerveja e vodca Grey Goose rolavam no bar aberto; Tim Robbins, Michael Stipe do R.E.M. e a atriz Heather Graham perambulavam pelo salão; e na cabine do D.J., Moby tocava "The Humpty Dance" do Digital Underground. O palco estava repleto de convidados dançando e um segurança que estava dançando do lado de fora entrou e se juntou aos convidados no palco.

Na noite de sábado, no Love Night Club no nordeste de Washington, o público estava vestido para uma festa da posse que contava com a presença de Diddy, Stevie Wonder e Will.i.am. No lounge no segundo andar, homens carregavam seus paletós na mão enquanto aguardavam para comprar bebidas no bar, e algumas poucas mulheres vestiam roupas de grife caras.

O lounge era tecnicamente VIP, mas qualquer um podia entrar. Priscilla Covington, 42 anos, foi convidada a entrar após apenas dizer "Feliz Posse!"

As inconveniências das ruas lotadas de táxis da capital, do metrô congestionado e presença policial pesada não pouparam quase ninguém. Parado por uma barreira policial, Ron Howard e sua esposa, Cheryl Alley, deram meia-volta e caminharam pela rua fria e tumultuada - ela de salto alto- na madrugada de terça-feira, na direção do carro deles, estacionado a quase seis quadras de distância.

Ocorreram dezenas de bailes não oficiais na noite de terça-feira, e 10 oficiais no qual o presidente e a primeira-dama apareceram. Obama escolheu o Baile do Bairro como o primeiro que visitou, um gesto simbólico em uma festa com ingresso a US$ 25, que visava ser acessível a quase todos que viessem.

Os planejadores de algumas grandes festas apresentaram seus eventos como também sendo acessíveis, como o Baile Púrpura da Posse, que celebrava o "bipartidarismo, a unidade e a diversidade" nas palavras dos organizadores.

Logo, um tapete vermelho tradicional representando a exclusividade foi considerado tedioso e ultrapassado. Em vez dele, o baile usou um tapete púrpura. Outros, os chamados bailes "verdes", tinham seus próprios tapetes verdes.

O senador Charles E. Schumer, democrata de Nova York, abraçou a idéia do faça sua própria mídia. Schumer bancou o fotógrafo para sua filha Jessica na festa do Google, na noite de terça-feira, empunhando a câmera reluzente dela enquanto pousava com Ben Affleck e, posteriormente, Sarah Silverman.

"O senhor é um bom fotógrafo", disse Affleck.

"Não sou tão bom nisto quanto sou no Senado", respondeu Schumer.

Arianna Huffington, a editora-chefe do "The Huffington Post", presidiu uma festa na noite de segunda-feira onde os convidados foram encorajados a fazerem um blog ao vivo de suas experiências durante a festa no huffingtonpost.com.

"Parte da experiência da festa é dizer a outras pessoas sobre a festa", disse Huffington, com seus dentes brilhando. "É bem meta."

Enquanto aguardava para se apresentar para um público de 2.100 pessoas na festa do Newseum, Sting dividia a área comum com elas, recostado em uma parede. "Eu ainda não enjoei de nada disto", ele disse. "Eu adoro festas. Eu adoro festas."

Marian Burros, Andrei Scheinkman, R.M. Schneiderman e Brian Stelter contribuíram com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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