UOL Notícias Internacional
 

25/01/2009

Para um presidente high-tech, uma vitória árdua

The New York Times
Jeff Zeleny
Em Washington
Há um vício do qual o presidente Barack Obama não precisará se livrar: seu BlackBerry.

Por mais de dois meses, Obama vem travando uma batalha vigorosa com seus assessores para manter seu BlackBerry, do qual depende há anos como milhões de outros americanos para permanecer conectado com amigos e conselheiros. (E, é claro, obter resultados do Chicago White Sox.)

Ele venceu a luta, revelaram assessores na quinta-feira, mas o privilégio de ser o primeiro presidente que envia e-mails do país vem com regras específicas.

"O presidente tem um BlackBerry graças a um acordo que lhe permite manter contato com altos funcionários e um pequeno grupo de amigos pessoais", disse Robert Gibbs, seu porta-voz, "de forma que o uso será limitado e a segurança reforçada para assegurar sua capacidade de se comunicar".

Primeiro, apenas um círculo seleto de pessoas terá seu endereço, criando uma verdadeira hierarquia para quem integrará sua lista e quem não.

Segundo, qualquer um colocado na lista A para receber seu endereço de e-mail deverá primeiro receber um comunicado do escritório de advocacia da Casa Branca.

Terceiro, as mensagens do presidente serão projetadas para que não possam ser encaminhadas.

A saga sobre se o presidente poderia manter seu BlackBerry foi alimentada em grande parte pelo próprio Obama, que a mencionou repetidas vezes. Ele não aceitaria não como resposta. Em uma entrevista no início deste mês, ele se preocupou em voz alta: "Eles vão ter que arrancar da minha mão".

Obama recebeu seu BlackBerry, mas funcionários se recusaram a especificar que tipo. Em uma conversa com repórteres na noite de quinta-feira, ele disse: "Eu não acho que já esteja funcionando plenamente".

Durante a transição, vários de seus assessores falaram abertamente sobre a obsessão de Obama em manter seu BlackBerry. E alguns deles, ao falarem privativamente, disseram que torciam para que o dispositivo fosse negado para que o caso fosse encerrado.

Quando perguntado na quinta-feira se seus conselheiros estavam tentando fazer Obama abrir mão de seu BlackBerry, que ele frequentemente carrega preso ao cinto, Gibbs reconheceu: "Ninguém pode fazer isso".

"Ele acredita que é uma forma de manter contato com as pessoas", Gibbs disse aos repórteres, "uma forma de tentar não ficar preso em uma bolha".

A presidência, apesar de todo poder concedido pelo cargo, é privada das ferramentas modernas de comunicação. George W. Bush famosamente enviou uma despedida por e-mail aos seus amigos quando assumiu o cargo há oito anos.

Apesar dos advogados e do Serviço Secreto terem negado os pedidos iniciais do presidente para que ele mantivesse seu BlackBerry, eles cederam desde que o presidente -e aqueles que se correspondem com ele - concordassem com regras rígidas. Ele teve que concordar em usar um dispositivo feito especificamente, que deve ser aprovado pelas autoridades de segurança nacional.

"É um grupo bem pequeno de pessoas", disse Gibbs, explicando quem seria autorizado a enviar e-mail ao presidente.

Todos os e-mails de Obama permanecem sujeitos à Lei dos Registros Presidenciais, que no final podem colocar suas palavras em domínio público, assim como sob ameaça de intimações. Esta foi uma advertência, disseram os assessores, que não dissuadiu o presidente.

A notícia foi divulgada por Gibbs no primeiro briefing para a imprensa da Casa Branca na tarde de quinta-feira. Várias perguntas sobre o e-mail presidencial, entretanto, não foram respondidas.

"Qual é o endereço?" perguntou Major Garrett, da Fox News, para Gibbs.

"Não-é-da-sua-conta.com", disse Mark Knoller, da CBS Radio.

Mas não será o endereço que ele vem usando há anos.

Tradução: George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,03
    3,146
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,09
    68.714,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host