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31/01/2009

Jogadores de curling provam que nem todos os brasileiros jogam futebol

The New York Times
Pat Borzi
Em nenhuma parte dos mais de 8 milhões de quilômetros quadrados tropicais do Brasil existe um campo dedicado ao curling, esporte de vassoura e pedra jogado no gelo que entrou para os Jogos Olímpicos de Inverno em 1998 .

Então, quando o corpo governante do esporte americano, o USA Curling, recebeu um desafio oficial do Brasil no verão passado pela segunda vaga do hemisfério ocidental para o campeonato mundial masculino de 2009, Rick Patzke, diretor de operações, não soube o que pensar.

"Sabíamos que estavam jogando por aí", disse Patzke, "mas de fato não tínhamos nos dado conta deles até nos desafiarem".

A melhor de cinco partidas contra a equipe americana, que começará na sexta-feira em Bismarck, Dakota do Norte, será a iniciação internacional do curling do Brasil, algo quase tão improvável quanto a equipe de bobsled jamaicana na Olimpíada de Inverno de 1988.

"Quando eu menciono para os meus amigos e familiares, a primeira pergunta que fazem é: 'Você vai pro Brasil?'", disse Todd Birr, capitão da equipe americana. "Não, vamos para Bismarck. Mas deve ser divertido."

A Federação Mundial de Curling dedica duas vagas do campeonato mundial de doze equipes para países das Américas e, nos 50 anos do evento, os únicos representantes foram os EUA e o Canadá. Apenas dois outros países nas Américas pertencem à federação: o Brasil, que entrou em 1998, e as Ilhas Virgens Americanas.

O Canadá, campeão mundial e nação anfitriã dos jogos, não pode ser excluído. E isso deixa os EUA, lar de 13 mil jogadores do esporte, defendendo sua vaga, de acordo com a USA Curling.

O fato de Patzke saber que o Brasil tinha uma seleção mostra como os boatos correm nos círculos de curling. Os quatro jogadores brasileiros -Marcelo Mello, Celso Kossaka, Luis Silva e Cesar Santos- não eram nem conhecidos pela Confederação Brasileira de Desportos no Gelo até o início de 2008, poucos meses depois de começarem a jogar como brincadeira entre seus estudos de pós-graduação e trabalho na universidade de Sherbrooke, no Quebec.

De acordo com a sua primeira treinadora, Judy Cassidy do Clube de Curling de Lennoxville em Sherbrooke, nenhum dos quatro tinha a menor ideia do peso da pedra de granito de curling (20 kg) até o dia em que apareceram em busca de aulas, no verão de 2007. E nenhum deles, nem mesmo os próprios jogadores, acredita que terão grandes chances contra a equipe de Birr, que terminou em terceiro lugar no campeonato mundial de 2007 e liderou os jogos classificatórios para a Olimpíada Americana de fevereiro em Broomfield, Colorado.

"É difícil avaliar", disse Cassidy sobre as chances dos brasileiros, em entrevista telefônica de Sherbrooke. "Diante do tempo que eles vêm praticando, são muito bons. Mas vamos ter alguém que praticou o esporte por um ano contra uma equipe muito experiente, e isso vai ficar evidente".

Mello, o capitão do time, disse em entrevista por e-mail que os quatro jogadores -todos brasileiros de 30 e 40 anos- só se conheceram Sherbrooke em 2006, apesar de terem tido contato pela Internet. Mello, Silva e Santos estão fazendo curso de mestrado; Kossaka é designer gráfico e coordenador de multimídia da universidade.

Kossaka, vice-capitão do time, sugeriu que praticassem o esporte depois de assistir uma competição no Quebec.

"Na época, estávamos procurando um esporte de inverno porque tínhamos acabado de chegar ao Canadá", disse Mello. "Não sabíamos nada das regras". Rapidamente, "nos apaixonamos, diria que nos viciamos no curling", disse ele.

Poucos meses depois, Kossaka contatou Eric Maleson, presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo. Maleson, inspirado pela equipe de bobsled jamaicana, pilotou a primeira inscrição de bobsled brasileira nas Olimpíadas de Salt Lake City, em 2002, terminando em 27º lugar de um total de 29 times, em um trenó amarelo chamado banana congelada. Ele se aposentou para ajudar nos programas de esporte de inverno brasileiros.

Maleson vinha procurando jogadores de curling. A confederação planeja ter um clube de curling como parte do primeiro centro de esporte de gelo do país, a ser construído em Campos do Jordão, perto de São Paulo. Maleson reuniu-se com grupo em Sherbrooke no último inverno e sugeriu o desafio como treinamento.

"Para ser franco, fiquei muito ressabiado", disse Maleson em entrevista por telefone de Norwell, Massachusetts, onde mora parte do ano. "Será que esses sujeitos são realmente sérios? Mas depois que eu conheci o Celso, Marcelo, Luiz e César, vi que eles eram sérios, muito profissionais. Eles estão realmente comprometidos."

Então, Maleson dedicou parte dos limitados recursos da sua confederação para financiar o desafio.

Birr, maquinista de Mankato, Minnesotta, disse que sua equipe está levando o desafio a sério. "Dá um pouco de ansiedade, porque nossa vaga no mundial está na linha", disse ele. "Estamos animados de jogar. Estamos honrados. Do ponto de vista do curling, é bom, porque queremos ver o curling expandir. Mas não queremos perder nossa vaga, contudo."

Para Mello, vencer ou perder não é o ponto. "Não estamos pensando muito sobre isso", disse ele. "O que realmente queremos é ajudar a introduzir o Brasil no mundo do curling."

Tradução: Deborah Weinberg Deborah Weinberg

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