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02/02/2009

Procrastinação: leia isso hoje, ou, se preferir, amanhã

The New York Times
Alina Tugend
Estamos em fevereiro e a maioria de nós, se é que nos demos ao trabalho de fazer resoluções de Ano Novo, já as quebramos.

Ou talvez tenhamos apenas adiado o começo delas. Talvez estejamos, sim, procrastinando.

Até que eu começasse a pesquisar sobre isso, não tinha percebido que a procrastinação era um campo de estudo tão fértil para tantas pessoas e que havia tantos tipos diferentes de procrastinadores, procrastinando de muitas maneiras distintas.

Nem eu sabia quando dinheiro isso pode nos custar.

Como? Não guardando dinheiro para a aposentadoria, demorando para atender a necessidades médicas até que elas se tornem muito mais sérias, saindo para fazer as compras de Natal no último minuto com cartão de crédito porque não temos tempo para caçar descontos e, como muitos já descobriram, esperando muito tempo para vender uma ação.

O americano médio que procrastina o pagamento de impostos, paga US$ 400 dólares a mais por causa de erros cometidos na pressa, resultando em US$ 473 milhões em pagamentos adicionais em 2002, disse Piers Steel, um professor associado de recursos humanos e dinâmicas organizacionais na Universidade de Calgary. Ele está escrevendo um livro sobre o assunto, "A Equação da Procrastinação" (Editora Collins), que deve ser lançando no ano que vem.

Espere aí. Não há um pouco de procrastinação em todos nós? Por exemplo, mesmo que eu saiba muito bem a importância de atualizar um testamento, meu marido e eu deixamos a tarefa de lado há anos.

Mas quando fiz o teste "Measure My Procrastination" ["Meça minha Procrastinação"] no site de Stell (procrastinus.com), fiquei abaixo da média - 30 de 100 pontos, com a observação de que eu "só procrastino ocasionalmente". A pesquisa também descobriu que, apesar de eu ter 'alguns impulsos irracionais ou distrações", eu sei como controlá-los.

Sim, disse Timothy A. Pychyl, professor associado de psicologia na Universidade Carleton de Ottawa, todos nós perdemos tempo ou arrastamos os pés às vezes. E às vezes fazer uma pausa e olhar pela janela ou fazer uma caminhada é exatamente o que precisamos.

É por isso, diz ele, que "toda procrastinação é um atraso, mas nem todo atraso é uma procrastinação".

"É a diferença entre a tristeza e a depressão", disse. "A procrastinação é um problema complexo de auto-regulação", com ênfase não apenas no fato de adiar algo, mas num atraso irracional autoderrotista - e acontece em algumas, se não tem todas, áreas da vida de uma pessoa.

E a procrastinação não apenas perde tempo e dinheiro; ela pode afetar seriamente os relacionamentos com colegas e parentes.

"A emoção que está mais associada à procrastinação é a culpa, e está claramente relacionada à redução do bem-estar", disse Pychyl.

A procrastinação não é nada novo. Os acadêmicos citam referências de documentos militares antigos de gregos e romanos além de textos religiosos do século 15 que a denunciam como um pecado. Mas com a chegada de toda a nossa tecnologia para a distração, incluindo e-mail, telefone celular e sites de redes sociais, ficou cada vez mais fácil passar horas incontáveis evitando fazer aquilo que deveríamos estar fazendo.

Quantas vezes nós já dissemos: "Vou checar o e-mail, vai levar só um minuto", e três horas depois ainda estamos na frente do computador?", pergunta Pychyl. "A tecnologia nos dá recompensas imediatas sem que saiamos de nossas cadeiras. Sabemos que 50% do tempo que as pessoas estão online, elas estão procrastinando".

O aumento da procrastinação, escreveu Steel numa análise de centenas de estudos sobre o assunto intitulada "A Natureza da Procrastinação", espelha o aumento de outras falhas de autocontrole, como obesidade, jogo e débito excessivo, durante os últimos 25 anos.

Então é um grande problema, e não há uma resposta simples para explicar porque alguém é um procrastinador crônico. Stell, usando estudos sobre irmãos gêmeos idênticos e fraternos, aponta para um componente genético ou biológico. Além disso, procrastinadores crônicos tendem a ser pessoas distraídas, mais impulsivas e menos motivadas.

"As pessoas procrastinam quando não sentem confiança de que são capazes de completar um projeto, quando acham o trabalho chato ou de mau-gosto e quando são impulsivas", disse Steel, que chama a si mesmo de um "procrastinador reabilitado".

O procrastinador não escolhe fazer uma tarefa antes da outra, explica.
Em vez disso, ele posterga fazer algo em favor de uma gratificação mais imediata mesmo que a falta de ação tenha provavelmente consequências negativas.

Joseph R. Ferrari, professor de psicologia da Universidade DePaul, dividiu os procrastinadores em três categorias gerais e entrelaçadas - excitação, evitação e decisional. Os tipos excitados são viciados em emoções que dizem que precisam da descarga de adrenalina que vem com o fato de esperar até o último minuto. Os procrastinadores da evitação deixam de lado tarefas difíceis e chatas para evitar serem vistos como fracassados. Então eles podem dizer que não tiveram tempo suficiente em vez de dizer que não tinham capacidade.

E os procrastinadores decisionais são cronicamente indecisos em todas as áreas de suas vidas, disse.

Mas a percepção comum de que os perfeccionistas tendem a procrastinar porque eles querem que as coisas saiam, bem, perfeitas, não é verdadeira, disse Steel. Quase que não existe correlação entre o perfeccionismo e a procrastinação.

E em relação àquelas pessoas que deixam tudo para o último minuto - aquelas que na faculdade esperavam até a noite anterior ao exame final para estudar e ficavam acordados a noite inteira? Será que eles de fato se saem melhor porque estão cheios de adrenalina?

"Minha pesquisa mostrou que eles não tem um desempenho melhor", disse Ferrari. "Eles só acham que tem".

A questão sobre como superar a procrastinação habitual também não tem uma resposta única ou fácil.

Lidar com fatos concretos em vez de abstrações pode ajudar. Sean McCrea, professor assistente de psicologia motivacional e social na Universidade e Konstanz na Alemanha, e um grupo de psicólogos internacionais, examinaram como nós pensamos a respeito de nossas tarefas e nossas tendências de postergá-las.

Os psicólogos pediram a estudantes para responderem e-mails que eram parecidos mas diferiam apenas no fato de exigir um pensamento concreto ou abstrato.

Numa mensagem, por exemplo, os estudantes tinham de descrever numa sentença ou duas o tipo de pessoas que abre uma conta bancária. Outro grupo tinha que definir o que é necessário para abrir uma conta bancária.

Cada estudante teve o prazo de três semanas para responder e recebeu um pagamento equivalente a US$ 5 depois de completar a tarefa. Em todos os casos, os que receberam o e-mail mais abstrato em geral levaram muito mais tempo para responder do que os que responderam à tarefa mais tangível.

McCrea reconhece que há muito a ser considerado. Será que as diferenças seriam tão grandes entre procrastinadores crônicos, em vez de com procrastinadores medianos? (É certo que os estudantes universitários são campeões de procrastinação.) E será que a teoria se aplica à medida que as tarefas ficam mais difíceis?

De qualquer forma, as descobertas, divulgadas no ano passado no jornal Psychological Science, mostram que quando uma pessoa pensa numa tarefa em termos menos abstratos, é capaz de compreendê-la e terminá-la mais cedo.

A procrastinação também pode ser diminuída quando as tentações são diminuídas ou eliminadas, como mudar o ícone de e-mail de lugar para torná-lo menos visível, mudar o som de alerta de e-mail ou adiar o acesso à conta. Além disso, assumir objetivos distantes e dividi-los em tarefas mais imediatas tem se mostrado de grande ajuda, diz ele.

Mas a procrastinação crônica pode ser um sintoma de um problema bem mais profundo, que não responde a "apenas ajustar uma variável", disse Pychyl.

"Ela pode ser um sintoma de que a pessoa está vivendo uma vida sem autenticidade", disse. "A pessoa deveria olhar para os objetivos de sua vida e se perguntar: 'É isso o que eu quero fazer?'"

O interessante a respeito da procrastinação é o quanto já foi escrito e a quantidade de citações expressivas que existem, ao longo dos séculos. Na verdade, eu vou deixar para você um pequeno segredo, a estratégia perfeita para postergar o trabalho naquele projeto. Dê uma olhada em todos os ditados sobre procrastinação e escolha o seu favorito. Mande um e-mail para um amigo ou dois. Espere uma resposta.

O quê? Já é hora do almoço?

Tradução: Eloise De Vylder

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