UOL Notícias Internacional
 

10/02/2009

Acidente de avião sem perdas humanas, mas e a bagagem?

The New York Times
Matthew L. Wald e Michael Wilson
Quando o voo US Airways 1549 pousou no rio Hudson no mês passado, deu a William Wiley, engenheiro da Software Associates, um novo significado para a expressão "pane de computador".

Wiley estava indo da sede da sua empresa em Long Island para casa, em Johnson, Tennessee. Ele tinha anos de trabalho em seu laptop, cuidadosamente copiados em outro laptop -mas ambos estavam no avião com ele.

Agora, os dois laptops estão entre os 50 mil itens dos passageiros que uma empresa funerária congelou em caminhões refrigerados para preservá-los até que possam ser secos, limpos e devolvidos aos proprietários. O trabalho inclui a recuperação dos dados dos computadores de Wiley.

"É provável que recuperem tudo", disse ele com um toque de otimismo na voz, apesar de a US Airways dizer que era cedo demais para garantir. Wiley estimou o valor dos dados em US$ 30 mil (em torno de R$ 60 mil). A empresa deu US$ 5.000 (cerca de R$ 10 mil) para cada passageiro do voo.

Os outros passageiros -"sobreviventes" não seria exatamente a palavra correta, já que nenhuma das 155 pessoas a bordo morreu- estão otimistas com a recuperação de uma variedade de artigos pessoais, alguns do compartimento de bagagens e alguns da cabine de passageiros. Nick Gamache, de Raleigh, Carolina do Norte, espera rever a camisa pólo azul que sua avó lhe deu para Natal em 2002, pouco antes de morrer. "Se recebê-la de volta, pode ter certeza que vou usá-la", disse Gamache, 32, que trabalha com venda de softwares.

Brad Wentzell, de Charlotte, Carolina do Norte, desistiu de suas roupas. "Nenhuma camisa fina vai sobreviver a isso tudo", disse ele.

As roupas, entretanto, talvez sejam uma parte pequena da bagagem dos passageiros. Gamache também perdeu um laptop e as chaves de seus dois carros, uma delas eletrônica, que custa US$ 400 (aproximadamente R$ 800) para ser substituída. Ele disse que recebeu respostas conflitantes da companhia aérea e da companhia de seguros, AIG, se poderia ou não sair e substituir tudo.

"Carma, certo?", disse ele. "Eu acabo de sobreviver a um acidente aéreo. Não vou fazer nada que possa enlouquecer uma pessoa."

Wentzell perdeu uma caixa de cereais Special K, com a qual viajava para ter um café da manhã de baixo colesterol como oferecido nos hotéis.

James McDonald, de Charlotte, disse que gostaria de receber de volta alguns itens, mas não planeja usá-los, apenas enquadrá-los.

"Algo para colocar na parede com os artigos de jornal; retratos, coisas assim", disse ele. "Talvez uma foto dos meus filhos que ainda esteja intacta. O recibo de hotel da noite anterior seria bom. Coisas assim".

E as roupas que ele estava usando?

"Não vou usar mais as roupas", disse ele. "Melhor dá-las aos deuses."

Vincent Spera, 39, de Waxhaw, Carolina do Norte, também não tinha esperanças de usar as roupas em sua mala. "Estávamos no Hudson, com combustível aéreo e outras coisas", disse ele. "Não sei se tenho muita vontade de usar aquelas coisas de novo."

Entretanto, ele gostaria de receber a mala de volta, que ele e a esposa chamam de "chapéu de palhaço" porque cabe tanta coisa dentro. O modelo da Samsonite não existe mais, disse ele.

Os passageiros saíram do avião com as roupas do corpo e nada mais, em geral. Ninguém tentou levar nada pelas asas até os botes, disse Wiley, o homem que perdeu os dois laptops. "Acho que teriam apanhado, se tivessem tentado", disse ele.

Wiley disse que depois que a US Airways levou os outros passageiros de ônibus para o Crowne Plaza de La Guardia e lhes deu um jantar, ele foi para seu quarto e se deu conta que não tinha escova de dentes. O hotel lhe deu uma. Depois, queria ouvir música antes de dormir e lembrou-se que seu iPod também estava no avião.

Os investigadores estão interessados em tudo o que foi recuperado pelo seu peso, disse Peter Knudson, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional de Transporte. Tudo foi pesado, disse ele, mas ainda está molhado. Será pesado novamente quando seco, disse ele, então os investigadores poderão determinar o peso do avião e seu equilíbrio no ar.

A companhia aérea contratou uma "administradora de bens pessoais", Douglass Co. A firma é mais conhecida entre as companhias aéreas como Douglass Air Disaster Funeral Coordinators. Com base em Los Angeles, a empresa já lidou com mais de duas dúzias de acidentes, muitos deles sem sobreviventes. Frequentemente era devolve os bens aos parentes das vítimas.

Um porta-voz da US Airways, James T. Olson, disse que a companhia não revelaria aonde o trabalho de restauração estava sendo feito "por razões segurança". Ele acredita que serão necessárias oito semanas para a limpeza e devolução dos itens resgatados.

Os laptops estão sendo tratados da mesma forma que o Conselho de Segurança de Transportes trata das caixas-pretas recuperadas da água. Inicialmente, são mantidos imersos porque, quando são retirados da água, começam a corroer. "A empresa com a qual estamos trabalhando teve sucesso no passado na recuperação de dados de itens submersos na água", disse Olson em mensagem eletrônica.

Olson chamou os US$ 5.000 pagos a cada passageiro de "compensação inicial" e alegou que as outras queixas seriam resolvidas mais tarde.

No evento improvável que algo desse tipo aconteça a Spera novamente, ele estará carregando menos coisas, disse.

"Agora minha mala está mais leve. Estou usando uma agenda menor. Eu tinha muito material impresso para vendas e coisas assim, das quais não preciso", disse Spera, 39, administrador de uma financeira. "Acho que poderei cortar pela metade o peso do que eu carrego comigo".

Tradução: Deborah Weinberg

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