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10/02/2009

Obama destaca mudança, mas sem muita precisão

The New York Times
Peter Baker
Em Washington
O presidente Barack Obama tentou na segunda-feira recuperar o manto da mudança que o conduziu à Casa Branca. Mas ele ainda não definiu precisamente que mudança os americanos devem esperar.

Ela significa uma mudança de tom em uma era de partidarismo? Ou uma mudança nas políticas em um momento de crise? E quanto a esse conflito, pode haver conciliação?

Obama deu um show de tentativa de dar abertura ao outro lado no início de sua presidência, convidando três republicanos para seu Gabinete e dialogando com outros membros da oposição. Mas na segunda-feira, ele soou mais como um candidato reagindo ao status quo, de volta aos palanques de campanha e rotulando os oponentes como apóstolos de uma filosofia fracassada.

Apesar de ainda abraçar a meta do bipartidarismo, ele deixou claro que agora vê isto como meta de longo prazo, não como algo realizável a curto prazo.

"O que não farei", ele disse em sua coletiva de imprensa na noite de segunda-feira, "é retornar às teorias fracassadas dos últimos oito anos e que nos botaram nesta situação, porque essas teoria foram testadas e falharam, e isso faz parte do que esta eleição se tratou".

Autoritário e sisudo, sombrio em vez de inspirador, Obama soou austero ao buscar fazer uso da urgência da crise econômica para criar apoio ao seu plano de recuperação econômica de US$ 800 bilhões.

Do entusiástico comício estilo eleitoral em Indiana no meio-dia à séria coletiva de imprensa, Obama minimizou o discurso de unidade, buscando rebater os críticos que dizem que seu plano apenas criaria mais empregos públicos e autorizaria uma série de gastos perdulários.

Obama disse que continuará atento às idéias republicanas para o pacote que está tramitando no Congresso, mas não identificou qualquer uma que apoiaria antes da aprovação final mais adiante nesta semana. Ele argumentou, em vez disso, que será seu plano que "colocará este país de volta ao trabalho".

"Eu não posso dizer com 100% de certeza que todo item deste plano funcionará exatamente como esperamos", disse Obama, como repetiria à noite. "Mas o que posso dizer a vocês - e posso dizer com total confiança - é que o adiamento interminável ou a paralisia em Washington diante desta crise apenas conseguirá aprofundar o desastre. Eu posso lhes dizer que não fazer nada não é uma opção."

É uma formulação - uma preferência pela ação, mesmo que imperfeita, em vez de negociações prolongadas- que anima a nova Casa Branca, nascida talvez da impaciência de um governo jovem assim como do senso da pressão esmagadora para se fazer algo, qualquer coisa, para resgatar uma economia que continua a afundar.

À medida que as esperanças de Obama por um forte consenso bipartidário ao seu pacote econômico evaporavam, ele passou a cada vez mais recorrer ao argumento de que ele mesmo representa a mudança. Em Elkhart, Indiana, ele desfrutou do canto de "Obama, Obama" da multidão, apesar da música não ser a de Stevie Wonder como na campanha, mas "Hail to the Chief" (saudação ao chefe).

No voo no Força Aérea Um para Indiana, novos funcionários da Casa Branca faziam o papel de forasteiros concorrendo contra Washington. "Uma coisa que aprendemos ao longo de dois anos é que há uma conversa bem diferente em Washington do que a que ocorre aqui", disse David Axelrod, o alto conselheiro do presidente. "Se eu tivesse dado ouvidos às conversas em Washington durante a campanha presidencial, eu teria pulado de um prédio um ano e meio atrás."

Robert Gibbs, o secretário de imprensa da Casa Branca, condenou "o ponto de vista míope em Washington", que ele caracterizou como dissociado dos problemas do país. "É esclarecedor porque pode não ser necessariamente a posição da televisão a cabo a respeito disso tudo", ele disse. "Mas sabem de uma coisa, nós estamos meio que acostumados a isto. Nós fomos derrotados virtualmente todo dia na televisão a cabo no ano passado. Há o que costuma ser aceito por Washington a respeito do que está ocorrendo na América e há a realidade do que está acontecendo na América."

Quando Obama voltou a Washington e entrou na Sala Leste para a coletiva de imprensa, o Senado tinha aprovado o plano econômico, mas a votação basicamente seguiu a divisão partidária, com apenas três republicanos apoiando o plano. Obama reconheceu que sua conversa de bipartidarismo até o momento rendeu poucos resultados.

"Há muitos hábitos ruins arraigados aqui em Washington e levará algum tempo para superar esses hábitos ruins", disse Obama.

Em vez disso, ele se concentrou na esperança de que suas aberturas "renderão alguns dividendos a longo prazo".

"Eu sou um eterno otimista", ele disse. "Eu acho que com o tempo as pessoas responderão à civilidade e ao argumento racional."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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