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14/02/2009

Dia dos Namorados mostra-se vulnerável à recessão

The New York Times
Jennifer Lee
Rosas de hastes longas estão sendo substituídas por cartões caseiros. As entradas de cinema dão lugar ao Netflix. E as joias pessoais aos poemas pessoais.

E até mesmo algumas pessoas que se preparam para fazer declarações de amor neste sábado (14/02) estão adotando uma abordagem menos onerosa: no Yahoo, as buscas por "anéis de noivado baratos" dispararam em relação a um ano atrás, segundo Vera Chan, analistas de tendências da companhia. Outras buscas que aumentaram em relação ao ano passado foram aquelas por "lingeries baratas", "cartões românticos gratuitos" e "presentes caseiros para o Dia dos Namorados".

O Dia dos Namorados, um feriado mais discreto se comparado aos aniversários e ao Natal, está mostrando-se especialmente vulnerável ao estouro da bolha econômica. As vendas de joias com diamantes caíram de 20% a 30%. A comercialização de flores também deve diminuir, em parte porque a data cai em um sábado.

Em meio ao atual clima econômico, muitos homens dizem que é um grande alívio não ter que dar de presente uma manifestação material de uma emoção intangível.

"Isso tornou-se parte tão arraigada da nossa cultura que as mulheres esperam ganhar tais coisas, e os homens também esperam dar presentes desse tipo", diz Marc Matsumoto, 31, gerente de marketing de Nova York que foi despedido em dezembro.

Para Matsumoto, os Dias dos Namorados passados significaram gastos de US$ 700 a US$ 1.000 com jantares, bem como de US$ 400 a US$ 500 com vestidos da Theory ou da Eli Tahari e com joias da Tiffany's. Neste ano, ele e a mulher estão planejando um jantar em casa. O menu inclui foie gras com persimmon port e lagosta sous vide com manteiga de yuzu, mas eles dividirão a despesa de US$ 125.

Angeline Close, professora de administração de empresas da Universidade de Nevada, em Las Vegas, que estudou as atitudes dos consumidores em relação ao Dia dos Namorados, diz que a reavaliação do feriado está obrigando a fazer que esta data retorne às origens. O Dia dos Namorados teve início como uma ocasião para a troca de cartões afetuosos em meados do século 19, mas foi aumentando de importância, até transformar-se no feriado mais comercial depois do Natal.

"A data transformou-se em um cartão e chocolates", diz Close. "Depois, em chocolates e rosas, e, a seguir, em um cartão, chocolates, rosas e em um programa noturno caro".

No ano passado, os consumidores gastarem em média US$ 122,98 em presentes e mercadorias do Dia dos Namorados, em relação aos US$ 80 gastos em 2003, segundo a Federação Nacional de Comércio. "No caso dos homens, muita coisa tem a ver com a mentalidade de superar adversários". Neste ano, porém, a despesa média deverá cair 17%, para US$ 102,50, segundo a federação.

De acordo com Close, o feriado pode estar retornando mesmo às origens. "Ele começou como um feriado puramente romântico, até ser sequestrado pelo capitalismo e pelo marketing", diz ela. "Estamos voltando um pouco ao significado original que existe por trás da data".

Tim Rhodes, 23, de Snellville, no Estado da Geórgia, diz que nunca quis que a sua mulher sentisse-se em posição inferior quando outros homens dessem presentes às suas namoradas e mulheres. "Seria como se eu não a amasse tanto quanto os outros amam as suas mulheres", diz ele. Mas neste ano Rhodes e a sua mulher, Beth, estão pretendendo trocar presentes práticos, como botas e um casaco, e poupar dinheiro para a mudança para a Rússia, onde darão aulas de inglês.

As lojas estão se adaptando de formas sutis. As rosas estão sendo vendidas em pacotes de dez, ao invés de uma dúzia, por alguns dólares a menos. As companhias de joias têm feito propagandas de produtos menos caros, como pedras preciosas de cor. Restaurantes econômicos, que tradicionalmente não costumam atrair namorados, estão oferecendo promoções especiais para a data.

A Internet está cheia de ideias para opções frugais, como listas de músicas que podem ser gravadas em CDs. Sheryl P. Kurland, conselheira de relacionamentos, tem uma outra sugestão: faça o que quer que você fez no seu primeiro encontro. "Isso faz lembrar a época em que o casal ficou apaixonado e traz de volta a nostalgia, muitas vezes repleta de humor", diz Kurland.

Criativo, pessoal e experimental tornaram-se palavras-chave. Chadd Bennett, 30, de Seattle, e a mulher dele, estão abrindo mão neste ano do tradicional jantar em um restaurante caro e das joias, e em vez disso acamparão na sala de estar e construirão um forte, para lembrar a infância.

"Nós ainda somos capazes de manter juntos esse ritual", explica Bennett. "Isso possibilitará que economizemos algumas centenas de dólares, e será bem mais divertido".

Alguns homens dizem estar refletindo uma modificação percebida na mentalidade das mulheres, que não querem que eles gastem mais "uma quantidade estúpida de dinheiro", diz Brad Wilson, 28, de Chicago, que é editor-chefe do BradsDeals.com, que oferece produtos online.

Candace Lindemmann, 31, uma consultora educacional de Miller Place, no Estado de Nova York, já disse ao marido: "Nada de flores. Acho que o preço é muito caro para o produto", afirma Lindemmann.

Ainda que sair de casa faça parte dos planos, muitos estão encontrando formas criativas de economizar. Alguns usam cupons de descontos para restaurantes, que são dados de presente. Outros estão evitando jantar nos dias e horários mais caros, e em vez disso saem para almoçar ou jantam durante a semana.

Susan Jennings, 44, uma artista de Manhattan, fez as duas coisas, tendo usado um certificado para o restaurante Craft, na última quinta-feira. "A nossa a renda atual é zero", justifica Jennings. "Estamos vivendo da nossa poupança".

Susan Ji-Young Park, 39, de Los Angeles, viu a sua renda obtida com as aulas de culinária cair drasticamente nos últimos tempos, de forma que preparou trufas para enviar aos amigos e à família, em vez presenteá-los com arranjos de orquídeas, que custam US$ 100 a unidade.

Tradução: UOL

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