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15/02/2009

Novas tecnologias zelam pela saúde dos idosos em suas casas

The New York Times
John Leland
Uma quantidade cada vez maior de pessoas idosas que moram sozinhas não está mais de fato sozinha. Esses indivíduos estão sendo monitorados por diversas novas tecnologias criadas para permitir que eles vivam de maneira independente e evitem os deslocamentos a salas de emergência e internamento em asilos.

Bertha Branch, 78, descobriu o poder de um sistema chamado eNeighbor depois de tomar uma queda no seu apartamento em Filadélfia, tarde da noite. Ela não contava com um sistema de alerta de emergência e não foi capaz de telefonar pedindo ajuda.

Um sensor instalado debaixo da sua cama detectou que ela havia se levantado. Detectores de movimento no quarto e no banheiro registraram que ela não havia deixado a área da maneira usual, e transmitiram a informação para um sistema central de monitoramento, o que fez com que telefonassem para a sua casa para checar se ela estava bem. Quando ela não atendeu o telefone, mais telefonemas foram dados - para um vizinho, para o gerente do prédio e, finalmente, para o número de emergência médica e policial. Bombeiros deslocaram-se até o apartamento para arrombar a porta do apartamento. Ela permaneceu no chão por menos de uma hora, desde o momento da queda até a chegada dos bombeiros.

Tecnologias como o eNeighbor trazem a grande promessa de um serviço melhor a preços mais baixos, e são difundidas por grandes companhias como a Intel e a General Electric. Mas os aparelhos, que podem ser caros, em sua maioria ainda não foram definitivamente aprovados por testes e geralmente não são cobertos por planos de saúde governamentais ou particulares. Os médicos não são treinados para tratar pacientes usando dados remotos e não existe um mecanismo que permita que eles sejam remunerados por esse tipo de serviço. E, assim como todas as tecnologias, esses dispositivos - incluindo sensores de movimento, aparelhos que detectam se o paciente tomou as pílulas e comprimidos necessários e equipamentos sem fio que transmitem dados relativos à pressão arterial, peso, oxigênio e níveis de glicose - podem ter consequências imprevistas, ao substituírem o contato pessoal com médicos, enfermeiras e familiares por medidas eletrônicas.

Branch, que padece de diabetes grave e de doença cardíaca, diz que não poderia viver por conta própria sem o sistema, fabricado por uma companha de Minnesota chamada Healthsense.

"Recentemente perdi uma grande amiga", conta Branch. "Ela também era diabética e caiu durante a noite. Ela não tinha sensores, e entrou em coma. Sem os sensores, eu provavelmente também estaria morta".

Histórias como a de Branch revelam o potencial de dispositivos relativamente simples para proporcionar conforto e independência a uma população em processo de envelhecimento que está saturando rapidamente os recursos disponíveis na forma de médicos, enfermeiros, hospitais e verbas para o sistema de saúde.

O sistema básico de Branch, fornecido por uma companhia de tratamento médico chamada New Courtland como parte de um programa financiado pelo governo, custa cerca de US$ 100 por mês, bem menos do que a mensalidade em uma clínica para idosos, onde os custos diários para o contribuinte podem superar os US$ 200. Durante os dois anos em que Branch possui o sistema, ela tomou três quedas e ficou presa uma vez na banheira, e em nenhuma dessas ocasiões foi capaz de pedir ajuda por si própria.

"De forma individual, demonstramos que o sistema pode ser muito eficiente", afirma Brent Ridge, professor de geriatria da Escola de Medicina Monte Sinai, em Nova York. "Mas até que ele seja lançado em grande escala, não dá para saber de fato qual é o grau de sucesso. Os médicos podem alegar, por exemplo, que estão muito sobrecarregados e que não têm tempo para os dados transmitidos pelos aparelhos".

Em uma casa de campo branca em Middletown, no Estado de Nova Jersey, Joseph Hayduk, 86, um coronel da força aérea da reserva, é saudado por uma voz que sai de uma pequena caixa: "Bom dia. Está na hora de registrar os seus sinais vitais". Hayduk usa o dispositivo desde 2006, após o seu segundo ataque cardíaco, através de um programa administrado pela Meridian Health.

Ele sobe em uma balança. "Você está experimentando dificuldade para respirar hoje, em relação a um dia normal?", pergunta a voz. Hayduk pressiona "sim". "Isso é normal para mim", justifica.

"Os seus tornozelos estão mais inchados do que o normal?', questiona a máquina. Em pacientes com insuficiência cardíaca crônica, inchações ou aumento de peso podem indicar retenção de fluido. Hayduk pressiona "não". Após uma medição da pressão arterial, o dispositivo indica que transmitiu as informações para a Meridian Health.

Lá, uma enfermeira telefona diariamente para os 18 pacientes que estão no programa, começando por aqueles cujos dados indicam a necessidade de atenção urgente.

Certa manhã, Hayduk saiu de casa antes do telefonema da enfermeira. Quando estava sentado na varanda do vizinho, ele viu um carro de polícia estacionar em frente a sua casa para verificar se ele estava bem.

Hayduk dá de ombros ao lembrar-se disso, mas diz que o sistema permitiu que ele permanecesse na casa em que mora há 37 anos.

"O sistema tem um valor inestimável para mim, tanto física quanto psicologicamente", diz ele. "Não quero levar uma vida dependente. Isso é para pessoas que estão em cadeiras de rodas ou que usam andadores".

Philip Marshall, 85, um outro paciente da Meridian Health, usa um sistema conectado ao seu telefone celular para ajudá-lo a lembrar dos medicamentos. Marshal tem pressão alta e sofre de degeneração macular. Ele toma dez comprimidos por dia. Marshal não consegue enxergar os ponteiros ou os números de relógios e nem pressionar os botões da maioria dos telefones, de forma que usa o Jitterbug, um telefone de botões enormes e poucas funções.

A ingestão dos remédios é um dos maiores problemas para os idosos, especialmente para aqueles com perda de memória. A filha dele, Melanie, 55, conta que antes do sistema Jitterbug da Meridian, ela tinha que sair do trabalho várias vezes por dia para ajudá-lo com os medicamentos.

O sistema, que custa US$ 20 por mês, liga para Marshal logo após o seu horário de tomar um comprimido e pergunta se ele tomou o remédio. Caso não tenha tomado, o sistema pergunta o motivo e envia um alerta automático às filhas dele.

"Eu me preocupo bastante", diz Marshal. "Me preocupei durante toda a minha vida. Esse sistema me dá paz de espírito".

Ele acrescenta que o fato de saber que receberá um telefonema o ajuda a lembrar de tomar o medicamento antes que o telefone toque.

Este é o principal objetivo do monitoramento da saúde pessoal - as pessoas que sabem que estão sendo monitoradas podem modificar o comportamento para melhorar a saúde. Jeffrey Kaye, diretor da clínica de avaliação de envelhecimento, Alzheimer e memória da Universidade de Saúde e Ciência do Oregon, diz que uma das tecnologias de saúde mais úteis é um pedômetro barato, porque o fato de portá-lo motiva as pessoas a caminhar mais.

Raymond Carroll, 59, um administrador de escola aposentado, diz que conecta-se à Internet todos os dias para verificar como está a mãe, Viola Carroll, 85, que mora em um prédio no bairro de Queens administrado pela Selfhelp, uma organização sem fins lucrativos que presta assistência a sobreviventes do Holocausto. Ele checa a temperatura do apartamento e liga se estiver muito alta.
Desde que um sistema de detectores de movimento chamado Quiet Care foi instalado há três anos, graças a uma verba fornecida pela Selfhelp, ele diz que provavelmente passou a ligar mais para a mãe, mas a visitá-la menos.

Mas Marvin Joss, cuja mãe, Ray, 89, também mora no prédio da Selfhelp, afirma que o sistema ajudou-o a melhorar a qualidade das conversas. "Antigamente, eu procurava passa mais tempo perguntando, 'Como você está se sentindo?'", conta ele. "Eu ainda pergunto isso, mas agora a ideia é mais manter uma conversa de verdade, e não ficar simplesmente tentando descobrir sinais sobre a saúde dela".

O futuro dessas tecnologias e os terabytes que elas coletam, poderão envolver uma quantidade sem precedentes de informações a respeito do paradeiro e do bem estar dos idosos. Em um programa com a Intel, Kaye está buscando dados relativos a padrões que indiquem o início de demência, anos antes de o declínio ser detetado nos testes cognitivos. Mas até que haja mais pesquisas - e verbas para pagar os custos - o impacto dessas tecnologias continuará sendo desconhecido.

"Não é que precisemos de novas tecnologias", explica Kaye. "Precisamos usar aquilo que temos de forma mais criativa. Todos esses novos equipamentos são muito bacanas - mas eles serão de fato úteis?".

Tradução: UOL

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