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15/02/2009

Prisão de homens homossexuais preocupa Nova York

The New York Times
Por Christine Hauser
Contribuiu Jennifer Mascia
Nova York - Numa noite de outubro do ano passado, Robert Pinter entrou na seção exclusiva para adultos de uma locadora do East Village. Depois de alguns minutos, ele foi abordado por um jovem desconhecido e bonito.

"Ele era muito charmoso e bonito, e concordamos em sair da loja para fazer sexo consentido", disse Pinter, massoterapeuta de 53 anos. Mas na saída, disse, o homem ofereceu US$ 50 a Pinter. Pinter, que é gay, disse que achou estranho um homem mais novo querer pagá-lo por sexo."Então fiquei com uma sensação estranha e pensei que se ele continuasse a me oferecer dinheiro eu diria 'Não quero mais, obrigado'", disse.

Do lado de fora, disse Pinter, ele foi colocado contra uma cerca por policiais que trabalhavam sob disfarce e foi algemado. Enquanto era levado para uma van, foi informado de que estava sendo preso por "vagar com fins de prostituição".

A prisão de Pinter, cuja narrativa difere do relato da polícia, e mais de duas dúzias de prisões semelhantes em mais de um ano irritaram muitos moradores gays de Nova York e despertou a preocupação de algumas autoridades eleitas.

Um editorial do jornal Gay City News disse que as ações do município são reminiscentes da era do Stonewall Inn, bar que era freqüentado por homens gays. Uma batida da polícia no local em 1969 levou a protestos que hoje são considerados como o começo dos movimentos organizados pelos direitos de gays e lésbicas na cidade de Nova York.

"Quarenta anos depois, a polícia de Nova York continua perseguindo os gays e os lugares onde nos reunimos", disse William K. Dobbs, ativista pelos direitos dos homossexuais.

Algumas das prisões foram usadas pelo município como provas de "perturbação da ordem" em processos judiciais, tática usada durante muitos anos para tentar fechar os estabelecimentos onde acontecem atividades ilegais. O assessor-chefe da polícia, Paul J. Browne, disse que a polícia não está segregando os homossexuais, mas simplesmente respondendo a queixas de atividades irregulares.

Em 2008, disse Browne, a cidade obteve 900 fechamentos por perturbação da ordem ou "readequações", acordos pelos quais um estabelecimento concorda em mudar suas práticas.Muitos desses casos envolviam oferta de bebida para menores, comércio de drogas e jogo em bares. Apesar de a polícia ter sido acusada de perseguir as locadoras direcionadas ao público gay, apenas três dos 100 casos de perturbação da ordem registrados ano passado envolviam prostituição nesses estabelecimentos, disse Browne.

"A impressão que se passa é de que tudo está concentrado na Manhattan gay", disse Browne. "Isso simplesmente não é verdade". Pelo menos 34 homens foram presos em 2008 e começo de 2009 nesse tipo de operação policial nos estabelecimentos com temática sexual, de acordo com Pinter, que criou um grupo chamado Coalition to Stop the Arrests (algo como Coalizão Contra as Detenções). Browne disse que não poderia confirmar imediatamente esse número, mas disse que 1.650 mulheres e 233 homens foram detidos por prostituição na cidade inteira em 2008.

Membros da equipe da porta-voz do Conselho Municipal Christine C.Quinn, o senador Thomans K. Duane, outras autoridades eleitas, ativistas e o comandante da divisão de prostituição do Departamento de Polícia, Brian Conroy, encontraram-se na quarta-feira no Conselho Municipal para discutir as atividades da polícia.

"Faz tempo que sou uma autoridade eleita, e essa é a primeira vez que fico sabendo de um número tão grande de casos assim", disse o senador Duane, que representa partes de Manhattan e que, assim como Quinn, é homossexual assumido. "E é a primeira vez que homens de meia-idade são presos por prostituição", o que é mais estranho, disse, porque nenhum deles nunca foi preso antes por nenhum motivo.

Uma declaração divulgada pelo escritório de Quinn na sexta-feira disse que ela estava "seriamente preocupada em relação ao aumento das prisões de homens gays no Village" e que "encaminhou o problema para a prefeitura". O trabalho continuará para "ter certeza de que ninguém está sendo injustamente perseguido pelo Departamento de Polícia", disse a declaração.

Browne disse que havia um "consenso geral" na reunião de que a polícia deveria cuidar de temas relacionados a qualidade de vida e atividades ilegais, "mas de uma forma que assegure a comunidade gay de que seus integrantes não estão sendo perseguidos por serem gays".

Pinter, que compareceu à reunião, disse: "Foi um grande começo, mas ainda há muitas perguntas sem resposta".

(Tradução: Eloise De Vylder)

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