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16/02/2009

Diante da crise, norte-americanos vão em busca de um par romântico

The New York Times
Abby Ellin
Os últimos cinco meses foram repletos de números sombrios, em sua maioria precedidos de um sinal negativo. Quase 600 mil empregos desapareceram nos Estados Unidos em janeiro. A dívida nacional é de US$ 10,7 trilhões. O Down Jones caiu mais de 2.200 pontos desde setembro do ano passado.

Este não é exatamente o tipo de material que compõe os romances literários.

Porém, os números negativos parecem estar provocando um efeito positivo no romance - ou pelo menos na busca por romances. As agências de namoro especializadas em encontrar o parceiro ideal, tanto as online quanto as tradicionais (offline), estão anunciando que o interesse pela paquera cresceu bastante. A Match.com, por exemplo, teve o seu melhor quarto trimestre dos últimos sete anos, e firmas offline como a Amy Laurent International, um serviço de busca de parceiros românticos com escritórios em Nova York, Los Angeles e Miami, diz que os negócios aumentaram 40% entre os clientes do sexo feminino nos últimos quatro meses.

Os membros da indústria de namoro online dizem que o aumento do tráfego pode ser explicado por pelo menos alguns fatores: pessoas desempregadas e subempregadas contam com mais tempo para surfar na Web, e os serviços de namoro online são uma forma relativamente barata de conhecer pessoas. As firmas offline acrescentam que os programas de encontro organizados são mais baratos do que o financiamento de uma série de jantares potencialmente inúteis com pessoas desconhecidas. E alguns especialistas afirmam que pessoas solteiras buscam o conforto de um relacionamento durante períodos difíceis.

"Em um momento em que o dinheiro é escasso ou incerto, quando as pessoas avaliam as suas prioridades, elas não querem passar por isso sozinhas", diz Pepper Schwartz, professor de sociologia da Universidade de Washington em Seattle, e especialista em relacionamentos do Perfectmatch.com, que acusou um aumento da clientela de 51% no quarto trimestre de 2008 em relação ao mesmo período de 2007. "Quando você não sabe ao certo o que vem pela frente, o amor dá a impressão de ser ainda mais importante", afirma Schwartz.

Marissa Berry, 25, que recentemente ingressou no Speeddate.com, um site gratuito de namoro online, é uma das pessoas que sentiu uma nova motivação para buscar um relacionamento.

"Esta é uma época frustrante, deprimente e assustadora, e é bom ter alguém com quem se relacionar ou desabafar", diz Berry, que trabalha para uma companhia de roupas infantis em Nova York, e que observa que encontrar pessoas da maneira antiga - ou seja, saindo muito de casa - representa um custo com o qual ela não pode mais arcar. "Todo o dinheiro que tenho desejo poupar como garantia para a eventualidade de eu perder o emprego", explica Berry.

O Speeddate.com registrava cerca de 80 mil encontros virtuais diários em outubro. O tráfego diário atual aumentou 60%, para uma média de 130 mil encontros, segundo o fundador da empresa, Dan Abelon.

A mensalidade de US$ 34,99 cobrada pelo Match.com aparentemente não está desencorajando a entrada de novos clientes: o ingresso no site norte-americano aumentou 17% em dezembro do ano passado. E a mensalidade de US$ 50 também não assustou os potenciais clientes do Perfectmatch.com, que acusou um aumento de 30% no número de inscritos em janeiro.

É claro que o namoro online conta com adeptos desde que os sites de encontros surgiram por volta de 1994, diz Mark Brooks, editor do Online Personals Watch, um blogue especializado nessa indústria. Alguns anos depois surgiram sites como o Friendfinder.com, o Match.com e o Matchmaker.com. Sites especializados em nichos - ou seja, aqueles cuja clientela tem interesses específicos (digamos, músicas natalinas) também proliferaram. Alguns prometeram resultados mais "científicos", ao contratarem especialistas em relacionamentos como a antropóloga Helen Fisher, do Chemistry.com.

Durante a última crise econômica, em 2001, Duane Dahl, diretor-executivo do Perfectmatch.com, observou que houve um crescimento do interesse semelhante ao que a indústria está presenciando agora. Por exemplo, diz ele, os resultados robustos da sua companhia no terceiro e no quarto trimestres de 2008 foram consistentes com os números de 2001. Brooks diz que o crescimento da indústria começou a estabilizar-se em fevereiro de 2005. David Evans, consultor de encontros online, observa que cerca de 30 milhões de pessoas acessarão neste ano um dos cerca de 1.500 serviços de namoro online dos Estados Unidos.

Nos dias de hoje os sites parecem estar atraindo uma clientela mais frugal.

"Durante as recessões as pessoas ficam mais em casa, elas não desejam pagar contas e ir para bares. Elas conectam-se à Internet e conhecem-se no ciberespaço", diz Markus Frind, diretor-executivo do Plentyoffish, um site gratuito, no qual as visitas aumentaram 77% entre dezembro de 2007 e dezembro de 2008, e 32% nos últimos três meses.

"Tipicamente, sempre observamos um aumento de tráfego no início de um novo ano - isso faz parte das resoluções de ano novo", diz Matt Tatham, analista de mídia da Hitwise, uma companhia especializada em avaliar números da Web. "Os indivíduos estão procurando por alguma mudança em suas vidas. Este ano é diferente de anos passados. Devido à economia tem muita gente desempregada e com tempo livre para passar online visitando os sites de paquera".

No universo do namoro online, a seleção de critérios para parceiros potenciais está dando sinais iniciais de mudança como resultado da recessão. Por exemplo, segundo Frind, "casamento" e "filhos" sempre foram palavras-chave populares. Durante este mesmo período no ano passado, os usuários do Plentyoffish.com mencionaram a palavra "emprego" nos seus perfis em 5,5% de todos os registros. Neste ano, esse número aumentou para 7,7%.

No Blackpeoplemeet.com, um site para negros solteiros, a percentagem de pessoas que mencionaram "emprego" como um critério ao serem questionados, "O que você está procurando em um parceiro?", aumentou 18% de janeiro de 2008 a janeiro de 2009 (outros perfis são mais diretos: "Procurando um parceiro para jantar, Dutch treat", diz uma mensagem no Match.com. A expressão "Dutch treat" refere-se a encontros nos quais cada um paga a própria conta).

Enquanto isso, especialistas em namoro e busca de parceiros offline dizem que também estão presenciando um aumento nos negócios. Mary Jo Fay, que opera um seminário para solteiros de 30 a 50 anos de idade em Denver, no Estado do Colorado, diz que o seu negócio quadruplicou nos últimos meses. Em novembro do ano passado, 12 pessoas pagaram US$ 10 para um evento de duas horas de duração; neste mês, 60 pessoas se inscreveram, e a lista de espera tem 25 indivíduos.

No sábado passado, cerca de 500 pessoas participaram do Encontro de Solteiros Rocky Mountain, um evento para solteiros em Denver. Há um ano o mesmo encontro atraiu 400 pessoas. De outubro a dezembro de 2008, o número de inscritos no The Right One/Together Dating, um serviço de busca de parceiros para namoro que existe em 60 cidades dos Estados Unidos, aumentou 18% em relação ao mesmo período no ano passado. O preço mínimo da inscrição é US$ 1.000, segundo o diretor-executivo da companhia, Paul A. Falzone.

"As pessoas estão depositando entradas, em vez de pagar o preço total", diz Falzone.

De fato, muitos solteiros estão mantendo as carteiras fechadas, mas isso não significa que eles estão ficando em casa.

"O jantar no restaurante e o cinema deram lugar ao lanche no Dennis e ao DVD emprestado da biblioteca", diz Tony Dudek, 55, empresário do ramo em Denver. "Todo mundo está tão abalado financeira e emocionalmente que ficou bem mais difícil namorar da forma convencional".

Um solteiro, Kevin A. Pemberton, vice-presidente de uma companhia de gerenciamento financeiro de Nova York, acha que o atual clima econômico está obrigando os homens a reavaliarem aquilo que desejam em uma parceira. Ele diz que tem percebido nos namoros "humildade" e um "retorno à substância".

Se a recessão resultar em um desejo por relacionamento que não se baseie nas finanças pessoais do indivíduo, isso poderá representar de fato um boom para o amor, afirma Paulette Kouffman Sherman, psicóloga de Nova York e autora do livro "Dating From the Inside Out" (algo como "Paquerando de Dentro para Fora"). "Um indivíduos possui muitos aspectos. Focalizar-se apenas em emprego ou dinheiro é algo meio doentio".

Annie Edgerton, uma atriz que mora em Manhattan, também vê a questão dessa forma. Ela está atualmente conhecendo possíveis parceiros por meio de mensagens de e-mail no Facebook.

"Tudo isso fez com que a pressão no sentido de impressionar os outros com dinheiro diminuísse muito", afirma Edgerton. "Agora dá para conhecer uma pessoa por aquilo que ela de fato é, e não pelo seu emprego, já que ela pode não estar mais empregada".

Tradução: UOL

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