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17/02/2009

Enquanto Clinton pousa na Ásia, a Coreia do Norte ameaça testar mísseis

The New York Times
Mark Landler de Tóquio e Choe Sang-Hun
Em Seul
Enquanto Hillary Rodham Clinton dirigia-se ao Japão na segunda-feira (16/2), em sua primeira viagem ao exterior como secretária de Estado, a Coreia do Norte ameaçava testar o que seus vizinhos acreditam ser um míssil balístico capaz de alcançar os EUA.

Falando brevemente em uma cerimônia de chegada no aeroporto, Clinton não abordou diretamente as notícias da Coreia do Norte, mas no voo a caminho do Japão ela manteve um tom notavelmente mais suave do que em seus pronunciamentos americanos anteriores, repetindo as observações que havia feito em Nova York na semana passada.

"Nossa posição é que, quando avançarem e apresentarem um desmantelamento atômico completo e verificável, teremos grande abertura para trabalhar com eles", disse ela.

A secretária de Estado também repetiu sua oferta de normalizar os laços com a Coreia do Norte e ajudar a reconstruir sua economia, se o país abandonar suas armas nucleares.

Entretanto, no que pareceu um desafio claro a sua missão nesta viagem à Ásia e um teste para o novo governo Obama, a Coreia do Norte emitiu uma declaração obliqua, respondendo a reportagens recentes de que estaria preparando-se para testar um míssil Taepodong-2 de uma base em sua costa leste.

"Saberão mais tarde o que será lançado", disse a agência estatal de notícias do Norte, Kcna, na segunda-feira, no 67º aniversário do líder norte-coreano Kim Jong Il.

Em Seul, o ministro de defesa sul-coreano Lee Sang-hee disse que a Coreia do Norte vinha preparando-se para testar um míssil Taepodong-2 desde janeiro. Nas últimas semanas, a mídia da Coreia do Sul informou que engenheiros norte-coreanos estavam montando um míssil Taepodong-2 de 32 metros.

Analistas e autoridades do governo na região temiam que a Coreia do Norte lançasse um míssil de longo alcance para ajudar a tornar seu programa nuclear uma questão alta prioridade na política externa do presidente Barack Obama. A Coreia do Norte também ameaçou um confronto naval com a Coreia do Sul em sua fronteira marítima ocidental em disputa.

Com a economia em ruínas e isolada da maior parte do mundo, a Coreia do Norte frequentemente usa ameaças militares para extrair ajuda econômica e benefícios diplomáticos de outros países.

Ao pousar em Tóquio, Clinton parecia estar se atendo a sua programação de visita nesta semana a quatro países asiáticos, com a intenção de reforçar a solidariedade entre os EUA e a Ásia em questões como crise econômica global e mudança climática.

Saindo do avião em uma noite fria e tempestuosa, ela reafirmou a aliança "base" entre Washington e Tóquio e declarou: "Temos que trabalhar juntos para lidar com a crise financeira global, que está nos afetando a todos."

Com o governo japonês divulgando, na segunda-feira, que sua economia encolheu no maior índice trimestral desde 1974, a crise financeira com certeza estará alto na agenda de Clinton, não apenas no Japão, mas na Indonésia, Coreia do Sul e China, que ela visitará mais tarde nesta semana.

A escolha da Ásia como sua primeira visita oficial, em vez da Europa ou do Oriente Médio onde os secretários de Estado costumam iniciar suas viagens diplomáticas, também tinha a intenção de enviar uma mensagem à região que era alta prioridade.

"Essa região é indispensável para nossos esforços para aproveitar as oportunidades e superar os desafios do século 21", disse aos repórteres a bordo do avião.

Clinton disse que ia buscar uma parceria sobre mudança climática na China no final desta semana. Ela sugeriu, contudo, que não pretendia pressionar Pequim a aceitar limites obrigatórios sobre as emissões de carbono, algo que Obama defende, mas que ainda não é uma política dos EUA.

"Há uma série de vias diferentes que podemos explorar com os parceiros chineses", disse ela.

Ela também elogiou os chineses por adotarem um programa de estímulo econômico "robusto", e disse que ia informar os líderes do governo Obama sobre o pacote de estímulo. Apesar de dizer que ia levantar preocupações de direitos humanos em Pequim, o assunto provavelmente não será proeminente.

Em outro relacionamento tenso, Clinton disse que se reunirá em duas semanas com o ministro de relações exteriores russo, Sergei Lavrov, no que ela espera que seja um "começo positivo". Entretanto, ela disse que o governo Obama não tinha decidido se reduziria o sistema de defesa de mísseis na Europa Oriental que causou a tensão entre Moscou e Washington.

A escolha do Japão por Clinton como sua primeira parada é para garantir aos japoneses que continuam sendo importantes aliados dos EUA na Ásia. Há dez anos, o ex-presidente Bill Clinton pulou o Japão durante uma viagem pela Ásia e passou mais de uma semana em Pequim.

Desta vez, contudo, o Japão é importante nos esforços de recuperação da crise econômica global. Com suas enormes reservas em moeda estrangeira, o país prometeu US$ 100 dólares bilhões (cerca de R$ 200 bilhões) ao FMI para ajudar países que enfrentam falta de crédito por causa da crise.

EUA e Japão também devem assinar um acordo para começar a transferência de 8.000 marines de Okinawa para Guam, algo que o Pentágono quer há muito tempo como parte de seu realinhamento de forças no Pacífico.

Clinton acrescentou à lista tradicional de reuniões oficiais um encontro em uma universidade, o tipo de evento em que brilhou como primeira-dama e como candidata política. Na terça-feira, ela vai visitar o templo shinto Meiji, dedicado ao imperador Meiji nos anos 20.

Clinton ainda planeja reunir-se com o líder da oposição do Partido Democrático do Japão, Ichiro Ozawa. Isso pode irritar o governo do primeiro-ministro Taro Aso, que também é profundamente impopular e está fragilizado.

Na viagem, Clinton também temperou seu tom conciliatório em relação à Coreia do Norte com a advertência que o governo daquele país deve tratar do destino dos cidadãos japoneses sequestrados nos anos 70 e 80.

"A questão dos sequestrados é grave, tamanha a tragédia humana", disse Clinton a bordo de seu avião, antes da parada para abastecimento no Alasca. Na terça-feira, no que pode ser um evento dramático da viagem, ela planeja reunir-se com as famílias e dos japoneses sequestrados.

Clinton minimizou as suspeitas de alguns no governo Bush que a Coreia do Norte teria um programa clandestino para produzir urânio altamente enriquecido. O que não está em discussão, disse ela, é que a Coreia do Norte possui plutônio, o qual está usando para produzir armas nucleares.

Tradução: Deborah Weinberg

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