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18/02/2009

China investiga transplante ilegal de órgãos para turistas

The New York Times
Mark McDonald
Em Hong Kong
Na terça-feira (17) a China anunciou que está investigando se 17 turistas japoneses receberam transplantes ilegais de rim e fígado na China.

"A China se opõe energicamente ao turismo praticado para transplante de órgãos", declarou na terça-feira o Ministério da Saúde em uma declaração publicada no seu website. "Os hospitais e profissionais da área de saúde que realizaram transplantes de órgãos ilegais serão severamente punidos de acordo com a lei".

A China proibiu todos os transplantes para estrangeiros - os chamados "turistas de órgãos" - porque cerca de 1,5 milhão de chineses estão em listas de espera para transplantes. A proibição foi decretada em 1º de maio de 2007.

Não se sabe se a divulgação do escândalo inflamará os sentimentos anti-nipônicos na China. As relações entre os dois países podem tornar-se frágeis, já que velhas feridas ainda são sensíveis.

A investigação conduzida pelo ministério, que foi anunciada pelo jornal estatal "China Daily", ocorre após a agência de notícias japonesa Kyodo News ter relatado que os 17 turistas desembolsaram, cada um , o equivalente a US$ 87 mil pelas operações. Este valor teria incluído viagem, acomodação e 20 dias de tratamento em um hospital em Guangzhou, no sul da China.

Segundo a Kyodo News, a pedido do hospital, alguns dos pacientes japoneses registraram-se com nomes chineses. A maioria dos pacientes teria de 50 a 65 anos de idade.

A agência disse ainda que a maioria dos órgãos foi provavelmente extraída de prisioneiros chineses executados.

As autoridades chinesas afirmaram que o Estado só usa órgãos de prisioneiros que fazem doação voluntária. Tribunais, médicos, autoridades do setor de saúde e hospitais precisam aprovar tais transplantes e os prisioneiros têm que concordar por escrito com a doação, diz o governo.

O "China Daily" anunciou que a China só fica atrás dos Estados Unidos em número de cirurgias de transplante de órgãos realizadas anualmente.

"Devido à falta de doadores, a carência de órgãos é um problema em todos os países, e não apenas na China", afirmou Mao Qunan, o porta-voz do Ministério da Saúde, em uma recente entrevista à mídia local. "É preciso dar prioridade aos pacientes domésticos que necessitam urgentemente de uma cirurgia".

No ano passado, o vice-ministro da Saúde, Huang Jiefu, afirmou que o ministério havia punido três hospitais chineses por venderem órgãos a estrangeiros. Huang fez a revelação, anunciada pela mídia local, durante uma conferência médica em Xangai.

Uma investigação realizada na China, em 2004, pelo jornal britânico "The Independent", revelou a existência de um intenso comércio clandestino de órgãos e transplantes, especialmente envolvendo pacientes japoneses. E, em 2006, um jornalista da BBC dirigiu-se a um hospital público na cidade chinesa de Tianjin, e declarou que desejava conseguir um transplante de fígado para o seu pai doente. Segundo o jornalista, funcionários do hospital lhe disseram que um fígado compatível estaria disponível dentro de três semanas.

No início deste mês, após anos de polêmica em torno do tráfico de órgãos na China, o governo informou que criaria um novo sistema de registro de doadores e pacientes quá aguardam por órgãos.

A Kyodo News anunciou também em novembro do ano passado que a polícia de Yokohama estaria interrogando um japonês de 52 anos, que era suspeito de intermediar transplantes ilegais de órgãos para turistas japoneses na China.

Um tribunal em Shenyang, na China, havia anteriormente punido o homem por fazer na Internet falsa propaganda de um suposto serviço de intermediação de transplantes de órgãos. Segundo a mídia estatal chinesa, Hiroyuki Nagase, que foi condenado a 14 meses de prisão e a pagar uma multa na China, foi deportado para o Japão após ter cumprido a sentença.

Intermediar transplantes de órgãos é uma atividade ilegal no Japão, e, segundo a Kyodo News, Nagase também é suspeito de ter arranjado transplantes para japoneses nas Filipinas.

Tradução: UOL

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