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19/02/2009

Latinos representam o maior grupo étnico nas prisões federais, mostra estudo

The New York Times
Solomon Moore
Os presos latinos atualmente representam a maior população étnica no sistema penitenciário federal, representando 40% dos condenados por crimes federais, segundo um estudo divulgado na quarta-feira pelo Centro Pew de Pesquisa, uma organização de pesquisa não partidária.

Os latinos correspondiam a apenas 13% da população adulta americana em 2007, mas representavam um terço dos presos nas penitenciárias federais naquele ano, um resultado que o estudo atribui ao forte aumento da imigração ilegal e a uma execução mais dura das leis de imigração.

Quase metade dos criminosos latinos, ou aproximadamente 48%, foi condenada por crimes de imigração, enquanto os crimes ligados à drogas ficaram em segundo lugar, segundo o estudo.

Enquanto o número anual de criminosos federais mais que dobrou de 1991 a 2007, o número de criminosos latinos sentenciados em um determinado ano quase quadruplicou, de 7.924 para 29.281.

Entre os criminosos federais latinos, 72% não são cidadãos americanos e a maioria foi sentenciada em tribunais de um dos quatro Estados que fazem fronteira com o México. Os prisioneiros federais que são imigrantes ilegais geralmente são deportados para seus países de origem após cumprirem suas sentenças.

"O sistema de imigração foi basicamente criminalizado a um custo imenso para o sistema de justiça criminal, para os tribunais, juízes, presídios e promotores", disse Lucas Guttentag, um advogado da União das Liberdades Civis Americanas. "E o governo desviou recursos da justiça criminal, antes destinados a crimes violentos, crimes financeiros e outras áreas, que eram da alçada tradicional do Departamento de Justiça."

No mês passado, o "New York Times" noticiou que os processos federais de imigração aumentaram nos últimos cinco anos, dobrando no último ano fiscal para mais de 70 mil casos. Enquanto isso, outras categorias de processos federais, incluindo tráfico de armas, corrupção pública, crime organizado e crime de colarinho branco, caíram no mesmo período.

A Justiça Federal é responsável por 200 mil, ou 8,6%, dos 2,3 milhões de presos nos presídios federais, estaduais, municipais ou dos condados. Os latinos representavam 19% da população carcerária estadual e 16% dos presos nas cadeias, apontou o estudo do Pew. Os afro-americanos, que correspondem a aproximadamente 12% da população nacional, correspondem a 39% da população carcerária estadual e dos presos nas cadeias.

Deborah Williams, uma defensora federal assistente em Phoenix, disse que o grande número de latinos no sistema federal, particularmente aqueles que não são cidadãos e falam pouco inglês, mudou fortemente a cultura nos presídios federais.

"Eu tenho clientes anglos e nativo-americanos que me dizem que eram a única pessoa que não falava espanhol do grupo", disse Williams. "Há dez anos, não era assim. Tudo está mudando lá, incluindo a língua, os programas de televisão que assistem, além de muitas vezes os guardas não falarem a língua. Como os guardas podem atuar seguramente com pessoas que podem não entender suas ordens?"

Uma porta-voz do Birô de Presídios federais, Tracy Billingsley, se recusou a comentar o estudo do Pew.

Mark Hugo Lopez, um co-autor do estudo, que fez uso das estatísticas da Comissão de Sentenciamento federal, disse: "É difícil saber se estamos vendo uma mudança nas políticas ou apenas um crescimento no número total de imigrantes que vêm para este país."

O número de imigrantes ilegais no país aumentou de 3,9 milhões, em 1992, para 11,9 milhões no ano passado.

Sob programas federais como a Operação Porteiro, que contratou milhares de agentes para fiscalização da imigração ao longo da fronteira mexicana, e a Operação Aperfeiçoamento, que instituiu uma "política de tolerância zero" às travessias ilegais da fronteira na mesma região, os crimes de imigração dispararam.

O grande número de crimes de imigração e baixo número de crimes ligados às drogas são responsáveis pelas sentenças relativamente leves que os latinos costumam receber - cerca de 46 meses, em comparação aos 62 meses para os presos brancos e 91 meses para os presos afro-americanos, segundo o estudo.

A audiência para Jose Sanchez na quarta-feira, em Los Angeles, foi típica. Após ser acusado de reentrar ilegalmente no país, Sanchez, 37 anos, que conta com condenações anteriores por agressão e posse de drogas, se declarou culpado em troca de uma sentença de 46 meses.

A audiência levou menos de 10 minutos. Sanchez, que tem esposa e três filhos na área de Los Angeles, pediu para cumprir a pena em um presídio próximo. Ele provavelmente será deportado para o México após cumprir sua pena.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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