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20/02/2009

Rastreando o declínio da Pontiac

The New York Times
Micheline Maynard
Em Detroit
Com sua história de fabricação de "muscle cars" (carros musculosos) como o GTO e o Firebird com suspensão baixa, a Pontiac tinha bons motivos para se gabar de seu slogan de marketing mais conhecido dos anos 80, "Nós Fabricamos Emoção".

Ultimamente ela vinha usando "Pontiac é CARRO", uma frase que dificilmente conquistaria a atenção dos fãs de carros.

E na terça-feira, quando a General Motors pediu ao governo federal dinheiro adicional de resgate, ela também anunciou um plano de reestruturação que incluía o rebaixamento da Pontiac a uma "marca de nicho de mercado", sinalizando que sua linha de veículos encolherá e ela não mais será uma divisão separada.

Para analistas da indústria e antigos fãs da Pontiac, o rebaixamento fornece um caso de estudo dos erros de produto que ajudaram a colocar a GM no atual estado precário, e um lembrete dos riscos de se desviar de uma fórmula bem-sucedida.

"Quando você se desvia demais dela, é quando você enfrenta problemas como marca e como empresa", disse Jack R. Nerad, diretor executivo editorial do "Kelley Blue Book" (e cujo Firebird 1968 o fez se sentir "o cara mais bacana que podia ser").

Mais do que qualquer outra marca da GM, a Pontiac representava desempenho, velocidade e sex appeal. Suas rivais na cidade a imitavam com muscle cars semelhantes, dando a Detroit o direito de se gabar em relação aos carros que as fábricas japonesas vendiam, baseados em qualidade e confiabilidade.

Apesar de ainda ser a terceira divisão da GM que mais vende, atrás da Chevrolet e GMC, as vendas da Pontiac atingiram seu pico em 1984, quando vendeu quase 850 mil veículos, aproximadamente quatro vezes mais do que ano passado.

O presidente-executivo da GM, Rick Wagoner, disse que a decisão da empresa de se concentrar principalmente na Cadillac, Chevrolet, Buick e GMC deixou a empresa com um "portfólio abrangente".

Segundo muitos relatos, a Pontiac começou a falhar quando a GM adotou uma estratégia de economia de custos, fornecendo os mesmos carros por meio de divisões diferentes.

Ela deu à Pontiac veículos como a minivan TransSport, e os carros Sunbird, Sunfire e Phoenix, que mal se distinguiam dos modelos vendidos pela Chevrolet e Oldsmobile.

A Pontiac também obteve publicidade indesejada em 2001 com o Aztek, cuja propaganda declarava: "Possivelmente o veículo mais versátil do planeta". Seu desenho corpulento o fez ingressar nas listas dos carros mais feios do mundo (o "Daily Telegraph" de Londres deu ao Aztek o primeiro lugar nesta categoria no ano passado).

O atual apuro da Pontiac é refletido no seu Vibe, um respeitado veículo crossover que compartilha elementos com o Toyota Matrix, como parte de um joint venture entre a Toyota e a GM.

Apesar do Matrix reter 67% de seu valor de revenda após três anos, segundo o "Kelley Blue Book", o Vibe mantém apenas 54%.

O Vibe, cujo futuro é incerto, visa ter apelo junto à mesma faixa etária antes atendida por seus muscle cars.

Mas muitos americanos mais jovens, que ainda não tinham nascido no auge da Pontiac, não sentirão a falta da marca à medida que ela encolher, disse Ron Pinelli, presidente da Motorintelligence.com, uma empresa que monitora as estatística da indústria.

Para eles, ele disse, "ela não tem qualquer relevância a menos que estejam assistindo a um filme na madrugada com Burt Reynolds", cujo filme "Agarra-me Se Puderes" exibia um Pontiac Trans-Am.

Mas em seus melhores anos, os Pontiacs eram "cheios de estilo, altamente valorizados e realmente algo", disse Pinelli.

Conhecida antes da Segunda Guerra Mundial por seus sedãs sonsos, a Pontiac recebeu um empurrão nos anos 50, quando a GM passou a usar seus carros no circuito de corridas. Graças à sua postura nas pistas, os Pontiacs rapidamente ganharam reputação juntos aos corredores de rua.

Tim Sampson, cuja família era dona de um Pontiac Grand Prix amarelo nos anos 60, lembrou que os Pontiacs eram usados nos rachas em President's Island, em uma parte industrial de Memphis, Tennessee. "As pessoas costumavam ser presas", disse Sampson, um fundador do Museu Stax da Alma Americana.

Os carros esportivos italianos inspiraram outro Pontiac clássico nos anos 60, quando o novo gerente geral da divisão, John Z. DeLorean, decidiu que ela precisava de um carro pequeno e veloz inspirado na Ferrari. Ele o batizou de GTO - inspirado em um cupê da Ferrari chamado Gran Turismo Omologato.

O GTO voltou no início desta década, como parte de um esforço de reviver a Pontiac. Mas a divisão Holden da GM, na Austrália, é que fabricava o carro.

Sua aparência mal lembrava o GTO original, decepcionando seu mercado de fãs de carros. Ele durou apenas de 2004 a 2006, quando a GM parou de vendê-lo.

Os esforços mais recentes de injetar nova vida na Pontiac foram iniciados pelo vice-presidente da GM, Robert A. Lutz, que se aposentará no final de 2009. Conhecido na indústria por seu amor por veículos de alto desempenho, Lutz pressionou a divisão a retomar sua herança.

Em seu site, a Pontiac explica seu novo slogan: "Pontiac é estilo. Pontiac é desempenho. Pontiac é cultura. Pontiac é música. Pontiac é CARRO".

Agora, a GM terá que determinar quais Pontiacs permanecerão Pontiacs. Até o momento, Wagoner e outros executivos não deram qualquer indício dos planos específicos da empresa para a Pontiac. Mas diferente do Saturn, que sairá de linha em 2012, a GM não precisa manter uma linha de concessionária para a Pontiac. A maioria dos seus modelos já se juntou aos da Buick e GMC. Quaisquer futuros modelos, disse a GM nesta semana, serão vendidos por esta organização Buick-Pontiac-GMC.

"Nós somos a terceira e última geração", disse Rick Zimmerman, cuja família vende Pontiacs em Pittsfield, Illinois, desde que a marca ganhou vida como parte de sua divisão de Oakland nos anos 20. (A Pontiac se tornou uma divisão independente em 1932.)

Zimmerman, cujo primeiro carro foi um GTO, disse que centenas de clientes costumavam lotar seu showroom todo outono, quando os novos Pontiacs - como o popular Bonneville, atualmente um nome aposentado- eram apresentados.

Agora, apesar das críticas positivas a respeito do desempenho de alguns novos modelos como o G8, ele tem dificuldade em fazer com que os clientes se interessem por eles.

"É uma boa marca e produziu muitos carros bons", disse Zimmerman. "É duro vê-la partir."

Nick Bunkley contribuiu com reportagem.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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