UOL Notícias Internacional
 

23/02/2009

Casal Obama enfrenta os perigos de educar os filhos na Casa Branca

The New York Times
Rachel L. Swarns
Em Washington
Considere os perigos de criar filhos na Casa Branca.

Lá tem cinema, boliche, piscina, cinco cozinheiros em tempo integral e dezenas de empregados prontos para servir sorvete a qualquer hora. Há viagens para o estrangeiro, jantares com reis e celebridades, multidões de paparazzi e o estardalhaço das comitivas de carros, com todo o potencial para transformar criancinhas em seres autoritários e arrogantes. (Ou solitários e disfuncionais.) Como então os pais devem agir?

De acordo com o mais novo casal presidencial na mansão do Executivo, eles devem ser rígidos. O presidente Barack Obama e sua mulher, Michelle, podem não estar mais em Chicago, mas dizem que as velhas regras ainda se aplicam no que diz respeito a suas filhas, Malia, 10, e Sasha, 7.

Na Casa Branca dos Obama, o horário de dormir continua sendo oito da noite. As meninas ainda programam seus próprios despertadores e levantam sozinhas para ir à escola de manhã. Elas arrumam a própria cama e limpam seus quartos. E quando o tão esperado animalzinho de estimação chegar, elas irão levá-lo para passear e recolher sua sujeira.

"Isso foi a primeira coisa que eu disse para alguns dos empregados quando fiz minha primeira visita", disse Michelle Obama em entrevista à ABC News, sobre suas conversas com os empregados da Casa Branca.
"Não arrumem a cama delas. Arrumem a minha e deixem as das meninas.
Elas têm que aprender essas coisas".

Mesmo enquanto Barack Obama enfrenta a recessão e Michelle Obama abraça o papel de primeira-dama, os Obama estão mantendo a posição de pais na Casa Branca. Eles se esforçam, e às vezes têm dificuldades, para equilibrar o intenso interesse público por sua família com o desejo de preservar um senso de normalidade e privacidade em suas vidas e na de suas filhas, de acordo com parentes, amigos, e entrevistas deles próprios na televisão e revistas.

Barack Obama é um pai moderno que deixa o Salão Oval para jantar com suas filhas, raramente perde uma reunião de pais e mestres ou recital de piano e se orgulha de ter lido todos os sete livros da série Harry Potter em voz alta com Malia.

Michelle Obama intercala tardes de brincadeira e tarefas com discursos para órgãos federais e estudantes. Ambos estão comprometidos em manter suas filhas ancoradas, dizem amigos e auxiliares.

"Essas meninas são especiais, e todos estão torcendo para que elas passem por isso intactas", disse Craig Robinson, irmão de Michelle Obama, numa entrevista.

O presidente corroborou esse sentimento. "Agora, elas não são crianças difíceis. Quer dizer, elas não têm uma atitude arrogante", disse Obama para a CBS News. "E acho que uma das nossas maiores prioridades durante os próximos quatro anos é manter isso".

Os Obama acreditam há tempos que as regras e a rotina ajudam as crianças a crescer, particularmente em tempos conturbados. Durante a campanha presidencial, Michelle Obama manteve firme o horário de dormir das meninas, e Obama às vezes tinha de correr para pegar suas filhas ainda acordadas.

"Michelle não deixa elas acordadas para esperar o pai", disse Valerie Jarret, conselheira do presidente e amiga da família, ao New York Times em 2007. "O horário de dormir faz parte da normalidade deles.
Não será interrompido só porque ele está num evento para levantar fundos".

Mas como todos os pais sabem, existem as regras, e existe a realidade.

Então, apesar de os Obama valorizarem alimentos saudáveis e orgânicos, as meninas comem bolo em festas de aniversário e com frequência tomavam sorvete e comiam lanches durante a campanha.

Eles limitam a televisão, mas não as proíbem de assistir ao Discovery Channel. (As garotas eram grandes fãs de "American Idol", "Hannah Montana" e Cheetah Girls.)

Elas se revezam na oração antes do jantar, mas não têm ido à igreja todos os domingos nos últimos anos. Os pais não batem nelas, mas discutem bastante as ações e suas consequências.

Barack Obama disse que tentou dar dinheiro a Malia regularmente - US$ 1 por semana - mas isso ficou para trás por conta da movimentada campanha presidencial. Ainda assim, ele insiste que a primeira-dama, conhecida entre suas amigas por delegar tarefas, não seja a única disciplinadora. "Não sou um molenga", disse Obama durante a entrevista à ABC, na qual ele disse que sua mulher com certeza pode "gritar um pouco com elas".

Susan Davis, uma das amigas de Michelle Obama, disse que o casal tem tentado com afinco evitar que suas filhas se tornem mimadas ou arrogantes. "Elas não agem como se fossem superiores", disse. "Elas só parecem crianças".

O que os Obama mais querem, dizem os amigos e parentes, é que suas filhas continuem se sentindo como meninas comuns. Então a mãe de Michelle Obama, Marian Robinson, mudou-se para lá, e as meninas continuam fazendo suas atividades normais, disse Susan Sher, uma conselheira presidencial e amiga próxima de Michelle Obama.

Michelle Obama, diz Sher, é "alguém que vê humor nas coisas e gosta de brincar. A diversão é muito importante".

Os Obama são guiados por suas próprias experiências. Barack Obama, que cresceu sem seu pai, diz-se determinado a ser uma força ativa na vida de suas filhas. Michelle Obama cresceu numa família estável com pai e mãe que valorizavam a estrutura e a rotina.

Como ambos vieram de famílias com dificuldades financeiras esporádicas, enfatizam que as coisas boas nem sempre vêm com facilidade. E ao longo dos anos, Michelle Obama tem enfatizado a importância da boa educação e da compaixão.

Ainda assim, a história sugere que criar crianças felizes, bem ajustadas e bem comportadas na Casa Branca não é fácil.

O presidente Jimmy Carter, forte defensor da educação pública, matriculou sua filha, Amy, 9, numa escola pública, mas ela ficou muito solitária no começo, de acordo com jornalistas que cobriam a menina. O presidente Theodore Roosevelt teve de lidar com as estranhezas de sua filha adolescente Alice, que era considerada rebelde por fumar em público e voltar tarde de festas. A mulher do presidente Grover Cleveland, Frances, foi exposta ao ridículo por fechar os portões sul da Casa Branca para que sua criança pudesse desfrutar dos dias de sol sem ser beijada por turistas.

Proteger as crianças do público é mais difícil hoje em dia com sites de notícias 24 horas por dia, blogs sobre celebridades, revistas de fofoca e jornais competindo por novidades. Agora as câmeras são gentis, mas poderão ser mais agressivas à medida que as meninas entram na adolescência.

"Não será algo normal - não dá para ser normal", disse Doug Wead, ex-conselheiro da família Bush, sobre a infância das filhas de Obama.

"Todos os melhores esforços deles não mudarão o fato de que ser uma criança com pais na presidência apresenta desafios únicos", disse Wead, autor de "All the Presidents' Children: Triumph and Tragedy in the Lives of America's First Families" [algo como "Todos os Filhos dos
Presidentes: Triunfo e Tragédia nas Vidas das Famílias na Casa Branca"].

Wead disse que os filhos de presidentes normalmente tem dificuldades em determinar quais amigos são verdadeiros e para estabelecer uma identidade separada da de seus pais, um tema que normalmente continua depois que a família deixa o número 1600 da Avenida Pennsylvania.

Os Obama, que querem criar uma Casa Branca mais aberta e acessível, tem se debatido em relação à quanta informação devem abrir sobre sua família. Eles permitiram que as meninas fossem entrevistadas para o "Acess Hollywood" em julho e depois disseram ter se arrependido.

Eles discutiram a criação de filhos na TV, e Michelle Obama e suas filhas posaram para uma foto que acabou na capa da US Weekly este mês.
Mas a primeira-dama também pressionou a companhia Ty Inc. para tirar as bonecas de Sasha e Malia do mercado, e seus assessores desencorajaram os repórteres a escrever em detalhes sobre suas filhas.
Barack e Michelle Obama se recusaram a fazer comentários para este artigo.

Essa busca de equilíbrio não é incomum para as famílias presidenciais, que notoriamente relutam em falar sobre a criação de filhos na Casa Branca. (Os Clinton e os Carter - as famílias mais recentes com filhos pequenos - também se recusaram a dar entrevistas.) Mas alguns filhos de pais presidentes enfatizam que a vida na Casa Branca pode ser extraordinária.

As filhas do presidente George W. Bush, Barbara e Jenna, contaram que escorregavam nos corrimões quando seu avô era presidente e jantaram com a realeza quando seu pai liderava o país. "É um lugar mágico em qualquer idade", escreveram numa carta aberta para as filhas de Obama.
De fato, Michelle Obama está ansiosa para viajar com suas filhas e mostrá-las o mundo, dizem os assessores.

E depois de uma exaustiva campanha presidencial, Barack Obama diz que a paternidade nunca foi tão tranquila.

"No fim das contas eu tenho um ótimo escritório em casa", disse Obama numa entrevista à NBC este mês. "E no final do dia vou para casa, mesmo que eu tenha mais trabalho para fazer, e posso jantar com elas", disse o presidente. "Posso ajudá-las com a lição de casa. Posso colocá-las para dormir. E posso voltar para o escritório, se precisar".

Tradução: Eloise De Vylder

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