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24/02/2009

Com aumento do desemprego e queda da receita, Prefeitura de Nova York revê posição a respeito de Wall Street

The New York Times
Patrick McGeehan
Em Nova York
Nas semanas que se seguiram ao colapso do banco de investimento Lehman Brothers no ano passado, Robert C. Lieber, o vice-prefeito para desenvolvimento econômico, estava prevendo que Wall Street desconcertaria os profetas do apocalipse se recuperando mais rapidamente do que o esperado e reafirmando a posição de Nova York como a capital financeira do mundo.

Na semana passada, Lieber e seus colegas na Prefeitura soavam muito diferente: a maioria dos empregos no setor financeiro perdidos nesta crise, eles previram, não será recuperada nos próximos muitos anos - se é que algum dia será.

"Nós não estamos buscando recriar o que havia aqui antes", disse Lieber. "Nós estamos reconhecendo as mudanças e buscando diversificar dentro dos serviços financeiros e fora dos serviços financeiros."

Este reconhecimento, tanto quanto qualquer outro, acentua quão significativamente o pensamento a respeito de Wall Street mudou em questão de meses.

No início do ano passado, as autoridades municipais ainda temiam a ascensão do setor financeiro de Londres e a ameaça competitiva que representava para Nova York. Hoje, elas se preocupam em preencher o imenso buraco na economia da cidade, tentando ao mesmo tempo reter milhares de financistas demitidos antes que se espalhem pelo mundo.

Eles preveem que o setor de serviços financeiros, que alimentou a prosperidade da cidade, perderá 65 mil vagas de trabalho em consequência da crise financeira. Quase metade delas ocorrerá nas áreas melhor remuneradas, como banco de investimento e compra e venda de ações e títulos, segundo analistas que a cidade contratou do Boston Consulting Group.

O estudo concluiu que o que restar do setor será bem menos lucrativo do que era. Em 2007, seu lucro de US$ 70 bilhões representou aproximadamente 22% de sua receita, apontou o estudo. Mas ele concluiu que a margem de lucro poderá cair pela metade ou mesmo três quartos antes de começar a crescer de novo. A velocidade e profundidade da reversão da sorte de Wall Street abalou a confiança das autoridades municipais na força dos grandes empregadores corporativos e estimulou uma rápida revisão de suas políticas de desenvolvimento econômico. Elas não podem mais contar com o fornecimento pelo setor financeiro de um terço ou mais dos salários pagos na cidade, como ocorreu em 2007, ou para que encha os cofres da Prefeitura e do governo estadual com receita de impostos.

A coletiva de imprensa do prefeito Michael R. Bloomberg, na semana passada em um depósito convertido próximo do Túnel Holland, revelou a mudança na postura da Prefeitura.

Há apenas quatro anos Bloomberg reuniu mais de US$ 100 milhões em incentivos para persuadir a Goldman Sachs, uma das empresas mais lucrativas do mundo, a construir uma sede de 43 andares perto do local do destruído World Trade Center. O prédio, ainda em construção, foi projetado para ter espaços do tamanho de hangares, onde centenas de corretores poderiam comprar e vender todo tipo de papéis de alto risco. Salões de pregão como estes supostamente ajudariam a diferenciar Nova York de suas concorrentes.

Mas na semana passada, Bloomberg apresentou uma visão muito diferente para o futuro da cidade. Em um grande espaço vazio a um quilômetro e meio ao norte do distrito financeiro, ele depositou suas esperanças de uma recuperação financeira em empresas de uma escala diferente: novas empresas criadas e administradas pelos magos desempregados de Wall Street.

Como parte de um programa de US$ 45 milhões, a cidade subsidiará escritórios do tamanho de garagens como incubadoras das idéias mais promissoras para novas empresas do setor financeiro ou outros setores.

"Isto representa uma mudança fundamental na política pública", disse Kathryn S. Wylde, a presidente da Partnership for New York City, um grupo que representa os interesses das grandes corporações. Esta mudança, ela disse, acelerou rapidamente no final do ano passado, à medida que ficava claro que as grandes empresas, que foram os pilares do crescimento econômico, encolheriam e se reestruturariam por muitos anos.

Um novo foco de atenção para as autoridades municipais é a manutenção e desenvolvimento das atividades e outras infra-estruturas para o setor. Elas estão interessadas em ser o lar do que possa vir a ser a próxima grande onda no setor de ações e financeiro.

Foi o motivo para Bloomberg ter apresentado Barry E. Silbert na coletiva de imprensa da semana passada. Silbert, um ex-banqueiro de investimento, é fundador e presidente-executivo da SecondMarket, uma empresa com cinco anos que cria mercados para comercialização de ativos e papéis obscuros.

A empresa de Silbert poderá nunca substituir mais que um punhado das dezenas de milhares de empregos perdidos com a desaceleração, mas sua postura em relação às possibilidades é o que as autoridades municipais querem divulgar.

"Por que abrir uma empresa aqui?" disse Silbert. "Além da infra-estrutura robusta, os empreendedores procuram Nova York em busca de seu recurso mais abundante: pessoas inovadoras, inteligentes e ambiciosas."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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