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01/03/2009

Presidente afegão decreta antecipação das eleições de agosto

The New York Times
Carlotta Gall
Em Cabul (Afeganistão)
O presidente Hamid Karzai decretou neste sábado (28) que as eleições presidenciais, que há poucas semanas haviam sido marcadas para agosto, sejam antecipadas para abril ou maio, no que parece ser uma tentativa de evitar as críticas quanto à falta de legitimidade de sua permanência no poder.

Karzai, que já declarou sua intenção de concorrer à reeleição, deveria sair do governo em 21 de maio, quando terminam seus cinco anos de mandato, de acordo com a constituição do país. Mas a comissão eleitoral afegã anunciou em janeiro que as condições climáticas e a falta de segurança obrigavam a adiar as eleições presidenciais e provinciais para 20 de agosto, o que imediatamente levantou dúvidas a respeito da legitimidade de Karzai durante o intervalo de três meses.

A ordem súbita para realizar eleições dentro de dois ou três meses resolveria o problema constitucional, mas também apresenta um imenso desafio em termos de logística e segurança para o governo afegão e as forças de coalizão. O chefe da comissão eleitoral, Atiqullah Ludin, recusou-se a comentar sobre o decreto e disse que a comissão deve se reunir uma vez que receber o documento oficial.

Autoridades ocidentais e das Nações Unidas apoiaram a postergação das eleições. Eles achavam que o a extensão do prazo permitiria uma melhor organização e daria às forças americanas de reforço que chegam ao final de abril tempo para melhorar a segurança no sul do Afeganistão, onde os rebeldes do Talibã deixaram muitos distritos inacessíveis ao governo e às autoridades eleitorais.

Mas grupos da oposição protestaram contra a postergação das eleições e pediram repetidas vezes que elas acontecessem pelo menos 30 dias antes de 21 de março, seguindo a constituição, ou então que Karzai renunciasse ao final de seu mandato e entregasse o poder para um líder interino até a votação.

A pressa nas eleições pode favorecer Karzai, uma vez que seus oponentes estarão provavelmente despreparados para uma campanha tão curta. A antecipação das eleições também o pouparia de ter que fazer campanha sob uma série de acusações de ultrapassar o tempo de seu mandato e não ser mais um presidente legítimo.

Autoridades ocidentais dizem que estão sendo consideradas datas em abril ou maio. Um militar dos EUA, que falou sob condição de anonimato por causa da natureza política do assunto, disse que estava confiante de que a Otan e as forças dos EUA seriam capazes de fornecer a segurança necessária até maio.

Líderes da oposição repetiram suas demandas na quarta-feira (25) numa reunião no palácio presidencial e se recusaram a aceitar a continuidade de Karzai como presidente depois de 21 de maio, disse um porta-voz do principal grupo de oposição, a Frente Nacional.

Neste sábado, Karzai assinou um decreto ordenando que as eleições acontecessem de acordo com a constituição. O decreto diz que o presidente levou em conta as visões dos principais articuladores de seu governo desde 2001, assim como de intelectuais, advogados e do povo, e tomou a decisão visando à unidade nacional.

Numa mensagem claramente destinada ao Talibã e outros grupos rebeldes que se opõem as eleições, o decreto pedia aos partidos de oposição e oponentes do governo para contribuírem com o processo nacional e permitirem aos eleitores e candidatos participarem.

A decisão final sobre mudar a data permanece com a comissão eleitoral, que é independentemente nomeada, mas sempre agiu consultando o presidente, os Estados Unidos e outros países estrangeiros que financiam as eleições.

Sayed Aqa Sangcharaki, porta-voz da Frente Nacional, recebeu bem o decreto no sábado. Ele disse que o movimento fará uma reunião nos próximos dias para anunciar seu candidato presidencial.

Karzai tem dito com frequência que não quer ficar no poder nenhum dia a mais do que seu mandato, mesmo assim, aceitou a postergação proposta pela comissão eleitoral até que a pressão aumentou para ele renunciar. Os grupos da oposição argumentaram que um líder interino proporcionaria uma eleição mais justa.

Um oficial ocidental em Cabul disse que o anúncio de Karzai foi muito mais uma jogada política para evitar as acusações de ilegitimidade que estavam ficando cada dia mais fortes.

"Ele está estabelecendo limites por suas próprias razões", disse o oficial. "Karzai não quer ter motivo para reprovação", disse, pedindo para não ser identificado por causa da natureza política de seus comentários.

Sangcharaki disse que Karzai adiantou as eleições para evitar ter de renunciar enquanto presidente, uma vez que queria usar os recursos do governo e sua autoridade sobre os funcionários governamentais para beneficiar sua campanha. Ele acrescentou que, enquanto presidente, Karzai voou por todo o país escoltado pela coalizão liderada pelos EUA e usou as viagens para fazer campanha.

Espera-se que um grande número de candidaturas seja registrado para as eleições. Karzai ganhou de um total de 18 em 2004, com mais de 50% dos votos no primeiro turno. Sua popularidade caiu para menos de 20% de acordo com pesquisas recentes, mesmo assim ele provavelmente continua à frente de qualquer um de seus oponentes.

Dois ex-ministros das finanças, Ashraf Ghani e Anwar ul-Haq Ahady, devem concorrer, assim como o ex-ministro de interior, Ahmed Ali Jalali. O ex-ministro de exterior, Abdullah, que é conhecido por um só nome, e o primeiro vice-presidente, Ahmed Zia Masood, também são possíveis candidatos para liderar a Frente Nacional. Eloise De Vylder

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