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02/03/2009

Roubo sacode estúdio, mas não para a música

The New York Times
Mathew R. Warren
Em Nova York
A sessão de gravação parecia incomum para os padrões atuais -músicos tocando instrumentos em tempo real, com um engenheiro sentado diante de uma mesa de mixagem, e o som sendo registrado em um gravador de rolo de oito pistas. E nenhum computador estava à vista.

O sobrado geminado em Bushwick, Brooklyn, onde foi realizada a sessão da sexta-feira (20), é lar da Daptone Records, um selo e estúdio conhecido por suas recriações autênticas do soul e funk dos anos 60.
O Daptone transformou Sharon Jones, uma ex-agente correcional da cidade, em uma estrela improvável e muitos de seus lançamentos são no antigo formato de LP de vinil.

A indústria da música percebeu. Gabriel Roth, co-proprietário do selo, recebeu um Grammy pelo trabalho do estúdio no álbum "Back to Black" de Amy Winehouse e a sessão de sexta-feira era para um projeto com Rod Stewart.

Enquanto a banda trabalhava em um cover de Barry White, os ponteiros acima do gravador de rolo balançavam de um lado para outro. Harvey Mason Jr., um produtor que supervisionava a sessão, aprovava com a cabeça.

"Seria impossível obter esse som em qualquer outro lugar", disse Mason. "O som deles está neste prédio." Mas poucos dias antes, ladrões roubaram grande parte do equipamento responsável por esse som.

O cadeado no portão do lado de fora do estúdio no andar térreo foi arrombado e uma janela da porta da frente foi quebrada. No estúdio, cabos foram arrancados da mesa de som e outros equipamentos, discos foram atirados no chão e vários instrumentos, amplificadores e outros equipamentos raros foram levados. No escritório no andar de cima, computadores, modems e impressoras desapareceram.

Até o momento, os prejuízos somam cerca de US$ 20 mil, mas a extensão plena dos danos ainda é desconhecida.

Nenhuma prisão foi efetuada segundo a polícia.

"Muitos músicos entram e saem e deixam equipamento", disse Neal Sugarman, um saxofonista e co-proprietário do selo. "Nós ainda estamos tentando levantar o que foi levado."

Roth disse que após ser informado do roubo, ele tomou correndo um táxi até o estúdio e lembrou no caminho dos contratos de seguro não assinados e do sistema de alarme nunca instalado.

Quando ele chegou, Roth, 34 anos, foi direto para a sala de controle. Por mais de 10 anos ele vinha colecionando equipamento de gravação peculiar.

"Eu tinha muitos microfones estranhos de marcas pouco conhecidas", disse Roth. "Não é o tipo de coisa que você encontra fácil."

Grande parte de sua coleção de microfones foi levada, mas sua mesa de som Trident series 65 e gravador de rolo Ampex de oito trilhas não foram levados, assim como as gravações-master do selo, sua coleção pessoal de discos e o estoque de CDs e discos de vinil do selo.

"É difícil dizer se vieram aqui porque sabiam que a Daptone estava aqui", disse Nydia Davila, a gerente do selo, acrescentando que a empresa está no prédio desde que foi fundada há sete anos. "Os policiais ficaram surpresos por não ter acontecido antes."

Na tarde da segunda-feira passada, enquanto a polícia procurava por impressões digitais, Roth compilava uma lista do que estava faltando e preparava um e-mail pedindo às pessoas que procurassem pelo equipamento roubado. Ele enviou a mensagem para oito membros da banda e quatro outros amigos. "Em uma hora, eu obtive umas 50 respostas de pessoas para as quais nem mesmo enviei o e-mail", ele disse.

No dia seguinte, o roubo foi noticiado no BrooklynVegan.com, The Village Voice, Rolling Stone, Billboard, MTV e The New York Times. O selo já recebeu centenas de ofertas de ajuda de todas as partes do mundo.

"Eu fiquei surpreso", disse Roth. "Eu sabia que tínhamos muitos bons amigos e fãs leais, mas não sabia quão rapidamente e até que ponto as pessoas responderiam." Ele acrescentou: "Para que fique claro, nós não estamos recebendo qualquer dinheiro ou doação, nem realizando qualquer ação beneficente ou arrecadação de fundos".

O selo concordou em aceitar alguns equipamentos por empréstimo, e na última quinta-feira, na noite anterior à sessão de gravação, Roth estava abrindo caixas cheias de microfones antigos que um amigo enviou de Seattle. As caixas eram originalmente de uísque single malt.

"Isto é muito mais valioso do que uma garrafa de uísque", disse Roth ao abrir o topo da caixa e tirar um microfone prateado. "Este aqui é um microfone dinâmico Altec 645."

Ele abriu outra caixa. "Este é um Altec Coke Bottle", ele disse. "Este é um microfone incrível." Charles Bork, que enviou para Roth os velhos Altecs de Seattle, disse em uma entrevista por telefone que eles se conheceram há um mês por meio de um amigo comum, quando Jones e a banda do selo, a Dap Kings, fizeram um show lá.

"Eu fiquei incrivelmente impressionado", disse Bork, um entusiasta de equipamento de gravação que coleciona equipamento dos anos 50 e 60. "Neste ramo, iniciar um selo independente especializado em vinil e ser bem-sucedido desafia as leis da física."

Na tarde de sexta-feira, os cabos no estúdio estavam reconectados e o equipamento que foi emprestado, juntamente com algumas poucas novas aquisições, estavam no lugar daqueles que foram roubados.
Havia cinco músicos, incluindo Roth, que estava tocando baixo. "Vamos encarar aquela canção do Sam Cooke", disse Roth aos outros após o cover de Barry White. "Isso faz bem ao cérebro."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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