UOL Notícias Internacional
 

07/03/2009

Após 6 anos, militares dos EUA caminham para o fim da guerra no Iraque

The New York Times
Steven Lee Myers
Em Mahmudiya (Iraque)
Ao voltar para a base aqui após um dia patrulhando um lugar antes chamado de Triângulo da Morte, o capitão Landgrove T. Smith do 1º Batalhão, 63º de Blindados, resumiu a guerra no Iraque de uma forma que antes seria impensável.

"Nós estamos na etapa final agora", ele disse.

O plano do presidente Barack Obama de retirada das forças americanas pede pelo fim das operações de combate em agosto de 2010, mas aqui em Mahmudiya, como em muitas partes do Iraque, a guerra na prática acabou, com os contornos da estratégia de saída adquirindo uma forma mais clara do que em qualquer momento anterior.

Não há garantia de que o Iraque permanecerá estável, de que a violência niilista da Al Qaeda na Mesopotâmia não continuará, ou que o derramamento de sangue sectário de 2006 e 2007 não voltará. Perguntas cruciais sobre como compartilhar o poder político e a receita do petróleo ainda não foram respondidas. Apesar das forças de segurança do Iraque terem melhorado enormemente, elas permanecem altamente dependentes dos americanos.

Ainda assim, da mesma forma que uma depressão econômica frequentemente fica clara apenas olhando para trás, o mesmo vale para as mudanças no esforço de guerra americano.

Os ataques se encontram no nível mais baixo desde setembro de 2003, caindo 70% desde março passado. Vários postos avançados fecharam à medida que as forças americanas se reagrupam em bases maiores, como um prelúdio para a retirada de virtualmente todas as cidades em junho. Os comandantes do Campo Bucca, no sul do Iraque, planejam fechar a prisão administrada pelos americanos lá, entregando seus presos para as autoridades iraquianas, e estão considerando usar a base como estação de trânsito para as tropas a caminho de casa.

No Iraque hoje, às vésperas do sexto aniversário da guerra, apenas duas operações de combate significativas estão em andamento: uma em Mosul e uma em Diyala. Nenhuma é da escala das operações que ocorreram nos piores meses da guerra, e em ambas o exército iraquiano está à frente.

A missão principal mudou quase que totalmente de operações de combate para operações de estabilização, do combate aos rebeldes para reconstrução dos serviços e da economia do Iraque, para que possa oferecer uma melhor chance ao país de ser bem-sucedido, tornando a saída americana mais parecida com uma vitória do que uma retirada.

A tarefa agora envolve o tipo de esforço que o ex-presidente George W. Bush inicialmente desprezava: a construção de uma nação. Isso significa ceder controle real ao governo do Iraque, algo que os Estados Unidos fizeram anteriormente mais da boca para fora do que na prática.

"Nós precisamos tirar nossas mãos do guidão, retirar as rodinhas, a certa altura", disse o general David G. Perkins, o principal porta-voz militar americano, na segunda-feira.

A maior mudança, disseram os comandantes, foi o novo acordo de segurança entre os Estados Unidos e o Iraque, que colocou explicitamente os iraquianos no comando das operações militares a partir de 1º de janeiro. Isso reduziu automaticamente o papel americano.

De lá para cá, os iraquianos planejaram e cuidaram da segurança para as eleições provinciais em 31 de janeiro, que transcorreram notavelmente com pouca violência, e para a peregrinação anual de milhões de xiitas a Karbala no mês passado, que foi marcada por uma série de ataques.

Como Obama disse ao anunciar seu plano de retirada, continuarão ocorrendo operações de combate, e com elas, baixas. Desde sua posse, 26 americanos morreram no Iraque, 17 deles por fogo inimigo. O vice-comandante no norte, o general Robert B. Brown, descreveu a Al Qaeda como uma "cobra moribunda", apesar de ainda poder "dar bote". Com os iraquianos à frente das operações, entretanto, menos baixas americanas são prováveis por confrontos diretos com combatentes inimigos.

As forças de segurança do Iraque ainda precisam de muito treinamento, sem contar de inteligência básica, poder aéreo, atendimento médico e logística que, por ora, apenas os americanos podem fornecer. Estas funções ficarão a cargo da força de 35 mil a 50 mil homens que Obama anunciou que permaneceria após o prazo de agosto de 2010, apesar destes americanos, também, se retirarem antes de 2011.

A eleição nacional, na qual o primeiro-ministro Nouri Kamal al-Maliki está buscando o segundo mandato, é vista como um teste crucial para a transição democrática do Iraque, o momento que poderá provar a capacidade do país de se autossustentar. Ou a segurança poderia ruir, com as facções brigando pelo poder e com o acirramento das divisões étnicas e sectárias.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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