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10/03/2009

Aumento da gasolina faz transporte público atingir o ponto mais alto em cinco décadas nos EUA

The New York Times
Michael Cooper
Mais pessoas usaram os metrôs, trens e ônibus do país no ano passado do que em qualquer ano desde 1956, quando o governo federal norte-americano criou o sistema de rodovias interestaduais, segundo um relatório de uma associação de transporte público.

Os norte-americanos realizaram quase 10,7 bilhões de viagens em meios de transporte público em 2008, um aumento de 4% em relação ao ano anterior, segundo o relatório da Associação Americana de Transporte Público, uma organização sem fins lucrativos que representa os sistemas de transporte público. O relatório foi divulgado na segunda-feira (10) em Washington, na conferência anual da associação.

O uso de transporte público nos Estados Unidos aumentou 38% desde 1995, disse o relatório.

O aumento do uso ocorreu após os preços da gasolina atingirem US$ 4 o galão em meados do ano passado e se manteve estável no segundo semestre, mesmo após a queda dos preços, apontou o relatório. Mas poucos especialistas esperam que o crescimento continue neste ano, em parte porque os sistemas de transporte público estão aumentando suas tarifas e reduzindo o serviço à medida que a receita tributária da qual dependem está caindo durante a recessão.

Mas para as operadoras de transporte público, a marca do ano passado foi algo para comemorar. Foi o maior número de usuários de transporte público desde 1956, quando Elvis Presley lançou "Heartbreak Hotel", tanques soviéticos esmagaram um levante na Hungria e o Congresso aprovou a Lei de Ajuda Federal às Estradas, que criou o sistema de rodovias interestaduais e estimulou os usuários de transporte público a trocarem as fichas e passagens de ônibus por chaves de carro.

As autoridades de transporte ficaram especialmente animadas com o fato dos americanos terem continuado usando o transporte público no último trimestre do ano, mesmo após a queda dos preços da gasolina.

"A expectativa era de que com a queda dos preços da gasolina, um declínio da economia e rápido crescimento do desemprego, cairia o uso do transporte público", disse William W. Millar, o presidente da associação de transporte. "Parece que muitas dessas pessoas, após terem experimentado o transporte público, o consideraram adequado às suas necessidades."

O aumento do número de passageiros foi registrado em todos os tipos de transporte público em 2008; ele cresceu nos metrôs em 3,5%, nos ônibus em 3,9% e nos trens suburbanos em 4,7%. O uso de veículos leves sob trilhos aumentou em 8,3%, estimulado em parte por um novo sistema em Charlotte, Carolina do Norte, e o crescimento em Nova Orleans, que ainda está se recuperando do furacão Katrina.

Mas alguns sistemas que aumentaram as tarifas no ano passado, como os de Houston e Cincinnati, perderam usuários, o que pode ser um mau sinal para muitos sistemas que estão aumentando tarifas e reduzindo o serviço neste ano.

Apesar da lei de estímulo federal que inclui US$ 8,4 bilhões para ajudar os sistemas de transporte público a pagarem por construção, reparos e novas composições e ônibus, o dinheiro não pode, na maioria dos casos, ser usado para pagar despesas operacionais como salários. Logo, alguns sistemas estão cortando rotas, demitindo funcionários e aumentando as tarifas.

Agora, muitos defensores do transporte público, que há muito dizem que o sistema foi negligenciado por um governo federal que dedica muito mais dinheiro às estradas, estão voltando sua atenção para o Congresso, que poderia aprovar um novo pacote para o transporte ainda neste ano.

David Goldberg, um porta-voz da Transporte para a América, uma coalizão de grupos que pressionam por uma reforma da política de transporte, disse que os legisladores devem prestar atenção no maior número de usuários.

Para Goldberg, "este é o início de um aumento contínuo na demanda por transporte público e mais bairros bons para caminhar, à medida que a população envelhece, que a conveniência e o acesso se tornam mais críticos e os preços da gasolina permanecem voláteis".

Tradução: George El Khouri Andolfato

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