UOL Notícias Internacional
 

15/03/2009

Presidente iraquiano desencadeia discussão sobre papel dos curdos no país

The New York Times
Por Alissa J. Rubin
Bagdá - O gabinete do presidente Jalal Talabani confirmou no sábado que ele não concorrerá a um segundo mandato, dando início às especulações sobre a disputa por seu sucessor e se os curdos manterão o posto de presidente, uma das três principais funções no governo do Iraque.

Talabani, 76, disse que deixaria o governo no final do seu mandato atual, em entrevista exibida na sexta-feira e concedida à rede de televisão iraniana Press TV enquanto ele visitava Teerã.

O gabinete da presidência divulgou uma declaração na noite de sábado dizendo que ele "renunciaria a um segundo mandato" mas continuaria atuando no partido político curdo que ele lidera.

Seu mandato terminará quando um novo presidente for escolhido pelo parlamento iraquiano, provavelmente na primavera de 2010, depois da próxima rodada de eleições nacionais.

A presidência é considerada a segunda posição mais importante do governo, depois do cargo de primeiro-ministro, e Talabani, que é curdo, usou-a para atuar como um intermediário entre os blocos étnicos e religiosos dentro do governo.

Quando ele deixar o poder, é quase certo que haverá uma competição acirrada entre os árabes sunitas e os curdos pelo cargo. O posto de primeiro-ministro está nas mãos de um xiita, e é provável que continue assim. Os xiitas são maioria no Iraque. Tanto os sunitas quanto os curdos defendem seu direito à presidência.

"Ou ela irá para um árabe sunita, ou continuará nas mãos dos curdos, os dois partidos curdos terão de decidir entre si quem ficará com ela", diz Mahmoud Othman, parlamentar curdo que não é aliado com nenhum dos dois principais partidos curdos.

Apesar de a notícia não ser inesperada -Talabani tem um problema no coração e já havia falado diversas vezes, de forma casual, em aposentar-se- seu partido, A União Patriótica do Curdistão, está desolado, além de profundamente dividido em relação a quem deverá ser seu sucessor.

A declaração indicava que Talabani continuaria atuando para tentar ajudar seu partido nesse período turbulento. "Ele está disposto a renunciar a um segundo mandato e a dedicar-se a seus deveres políticos e partidários", disse a declaração.

Na entrevista à televisão, ele disse: "espero me aposentar, para voltar para casa e ter tempo de escrever minhas memórias".

A presidência tem poderes limitados, o que foi uma decisão intencional tomada na elaboração da nova constituição do Iraque, para assegurar que ninguém adquirisse novamente o tipo de poder exercido por Saddam Hussein. O principal poder do Conselho Presidencial, que também inclui dois vice-presidentes, um xiita e um sunita, é aprovar ou vetar a legislação aprovada pelo Parlamento.

Talabani usou a posição para tentar resolver disputas entre várias facções dentro do governo e para contatar líderes estrangeiros, incluindo alguns que não estavam em bons termos com o Iraque.

Ele faz visitas regulares a Teerã, apesar de ainda haver um antagonismo generalizado no Iraque em relação ao Irã por causa do legado da guerra Irã-Iraque. Ele procurou a Turquia, que tinha uma relação tensa com o Curdistão iraquiano porque a região havia permitido que rebeldes curdos que lutam contra a Turquia vivessem nas montanhas do norte do Iraque.

"O presidente Talabani é de fato uma pessoa única que tem uma atitude nacional e não uma atitude curda", disse Qassim Daoud, um parlamentar xiita independente que trabalhou com o presidente quando ambos eram membros exilados da oposição a Saddam Hussein antes da invasão dos EUA. "Todos os lados cooperam com ele porque todos sentem que ele trabalha pelo Iraque".

Tradução: Eloise De Vylder

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