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17/03/2009

O pop brasileiro: sambas com identidade

The New York Times
Jon Pareles
Em Nova York
Geração após geração, o samba atravessa o pop brasileiro.

Dois novos cantores de São Paulo, Mariana Aydar e Jair Oliveira, fizeram suas estréias em Nova York no Symphony Space nas duas noites de Brasil Fest do World Music Institute, baseando-se no samba antes de acrescentarem suas próprias interpretações pessoais. "Eles dizem que eu canto samba, mas o samba que me cantou", cantou Oliveira em sua apresentação na noite de sábado(dia 14).

Oliveira, que fará 34 anos na terça-feira (17/3), é filho de Jair Rodrigues, um dos mais celebrados cantores de samba do Brasil. Ele se tornou astro infantil de televisão no programa "Balão Mágico" e em seu grupo pop associado, a Turma do Balão Mágico, antes de ter 12 anos. Daí passou a estudar música e produção na Escola de Música Berklee em Boston, antes de voltar para uma carreira como compositor, produtor e intérprete no Brasil.

As técnicas da escola de música ficaram aparentes nas canções mais distintas de Oliveira. Seu show no sábado começou com composições cheias de convulsões de músico, como métricas estranhas e acordes de jazz retorcidos de "Contigo Sempre", todos empacotados em padrões de guitarra sincopados que ele apresentou com facilidade nos dedos. Em suas harmonias, algumas músicas sugerem uma resposta brasileira a Steely Dan.

Oliveira cantou sobre música, cultura brasileira e afro-americana e, na maior parte, sobre amor, em uma voz que escondia o virtuosismo com um tom amigável, de conversa. Ele instou o público a cantar o coro de "Bye Bye Saudade", uma nova canção bilíngüe. "É fácil", ele estimulou, e parecia de fato, até que os membros do público entraram, muitos deles incapazes de acertar sílabas simples "bye-bye-bye-bye" no contraponto certo.

Oliveira trocou a produção algumas vezes experimental de seus álbuns para uma banda de samba pop simples, quase antiquada: sua guitarra junto com baixo, bateria e piano elétrico (Marcelo Maita, que teve uma chance de solos tingidos de jazz). E nesses arranjos, infelizmente, muitas das músicas de Oliveira revelaram bases convencionais: progressões de acordes e melodias típicas do samba. Apesar de o show ser empolgante do começo ao fim -especialmente quando entrou um segundo baterista, Turquinho Filho -a apresentação de Oliveira deixou de reinventar o samba para simplesmente reafirmá-lo.

Aydar, cuja aparição na noite de sexta-feira foi sua estréia nos EUA, também tem um parente músico, apesar de menos famoso: Mario Manga do grupo de vanguarda Preme. O álbum de estréia de Aydar, "Kavita 1" (Universal), foi lançado em 2006; outro, ela disse no palco, está acabado, mas ainda não foi lançado. Aydar é primariamente uma intérprete, e não compositora, e seu repertório extrai deliberadamente do pop brasileiro, passado e presente. Sua apresentação incluiu "Beleza Pura" de Caetano Veloso, junto com canções mais novas e "Festança", que Aydar escreveu com Duani, baterista da banda e diretor musical. É um samba sobre mergulhar em uma dança, ou a vida, sem medo.

Ela também cantou sobre cultura brasileira e sobre a música como vocação. O show começou com "Minha Missão", que observa, "Quando eu canto, sinto a luz de um santo".

Aydar tem uma voz flexível que pode deslizar por uma frase com uma tranqüilidade sedutora ou fazer sílabas percussivas acompanharem a batida. Em seus arranjos simples, a banda conjurou tradições e possibilidades; o tamborim e o cavaquinho do samba para "Na Gangorra", um pulso de acid-jazz e toques de reggae para "Vento no Canavial", funk com tintas africanas na música de Vinicius de Moraes e Baden Powell "Consolação" e em "1,2,3" da compositora francesa Camille Damais. Para o bis, "Feira de Mangaio", sucesso de Clara Nunes no estilo de forró no nordeste do Brasil, Aydar pegou um triângulo tradicional do forró e divertiu-se tocando-o.

Durante a apresentação, o tecladista Lucas Weir Vargas tocou entre acordeão e teclado elétrico que fazia solos rápidos de jazz ou acordes brilharem como trilhas de Sade. Duani e um segundo percussionista, Wilson Roberto de Paula, aludiram às batidas afro-brasileiras junto com rock e jazz. Foi o tipo de show em que todas as ambições parecerem relaxadas e tranqüilas, como músicos brasileiros seguindo sua curiosidade natural a partir de uma fundação de samba.

Tradução: Deborah Weinberg

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