UOL Notícias Internacional
 

21/03/2009

Na batalha por empregos, velhos podem estar ganhando dos jovens

The New York Times
Steven Greenhouse
Em Fort Lauderdale, Flórida (EUA)
Esta cidade [Fort Lauderdale] se tornou uma linha de frente na batalha de gerações por empregos, enquanto os trabalhadores mais velhos competem cada vez mais com novatos na casa dos 20 anos por cargos em supermercados, redes de fast-food e dezenas de outros lugares. E os trabalhadores mais velhos parecem estar ganhando.

Com o desemprego em seu auge dos últimos 26 anos [nos Estados Unidos] e muitos trabalhadores mais velhos buscando trabalhos em nível de iniciante, como os que eles procuravam meio século atrás, "[a idade de] 70 tornou-se o novo 20", como diz um economista.

Milhões de americanos mais velhos adiaram a aposentadoria por causa da queda no sistema de pensões, do aumento dos custos da saúde, da sensação de que somente os benefícios da previdência social são pouco para viver ou todas as opções anteriores. Esse adiamento, segundo os economistas, tornou mais difícil para milhões de jovens trabalhadores subir os primeiros degraus da escada profissional, especialmente porque muitos empregadores preferem candidatos com experiência de trabalho.

"O pessoal da geração 'baby boom' está ficando mais tempo no sistema, e isso está atravancando o conjunto", disse Mason Jackson, presidente da Workforce One, uma agência financiada pelo governo federal que ajuda os desempregados do condado de Broward. "Muitos querem se aposentar mas não podem." Ele caracterizou a atitude predominante entre os empregadores hoje como "que entrem os velhos e saiam os novos".

Ao longo das praias oceânicas e da Intracoastal Waterway aqui, os aposentados em condomínios coexistem há muito tempo com uma geração muito mais jovem, mas no mercado de trabalho deprimido as tensões crescem enquanto cada grupo se queixa de que os empregadores favorecem injustamente o outro.

Desde que perdeu o emprego de carpinteiro, 13 meses atrás, Arnold Stone se candidatou sem sucesso a empregos tão diferentes quanto empacotador de mercearia e operário da construção. Em sua casa-trailer numa dessas manhãs, Stone, 69, bronzeado e vigoroso, mostrou centenas de currículos. "Tenho certeza de que a idade influi", ele disse. "O problema dos mais velhos é que ninguém quer contratá-los."

Naquela mesma semana, Farah Titus, 25, cruzou todo o condado de Broward em um Toyota de 11 anos, em sua busca cotidiana por emprego. Ela apontou para uma loja J.C. Penney's, uma Macy's e um Wal-Mart onde já se inscreveu sem sucesso.

"É difícil furar", disse Titus, uma estudante de enfermagem em tempo parcial que disse detestar pedir dinheiro ao pai. "Se você tem experiência, eles o colocam no alto da pilha."

Os últimos relatórios do Departamento de Estatísticas do Trabalho confirmam sua opinião. O número de trabalhadores empregados de 16 a 24 anos caiu 2 milhões nos últimos dois anos, para 18,3 milhões, enquanto o número de americanos de 65 anos ou mais que estão trabalhando aumentou 700 mil, chegando a 6 milhões.

"Em um mercado de trabalho ruim, grupos diferentes percebem que estão sendo discriminados quando o verdadeiro problema é que estão sendo maltratados pela economia em geral", disse Teresa Ghilarducci, professora de economia na Nova Escola de Pesquisa Social e autora de "When I'm Sixty-Four" [Quando eu fizer 64 anos].

A proporção de americanos mais velhos que está empregada também aumentou muito - 16% dos americanos de 65 anos ou mais estavam empregados no mês passado, um aumento de 11% em relação a dez anos atrás. Mas para os trabalhadores de 16 a 24 anos a porcentagem de empregados caiu 49%, contra 59% dez anos atrás. Quanto à faixa de 25 a 29 anos, 74% estão empregados, contra 81% há uma década.

"Os mais jovens estão levando uma grande surra", disse Andrew Sum, diretor do Centro para Estudos do Mercado de Trabalho da Universidade Northeastern. "É preocupante porque eles não estão desenvolvendo a experiência e as habilidades de que vão precisar e de que a economia do país vai precisar."

Todos os dias, jovens e velhos candidatos a empregos lotam os escritórios da Workforce One de Jackson, procurando nas bases de dados dos computadores. Os empregadores veem forças e fraquezas em cada grupo, ele disse. "Muitas empresas preferem trabalhadores mais velhos", disse Jackson. "Elas sabem que eles são confiáveis. Eles aparecem e em algum ponto do caminho desenvolveram técnicas de serviço ao consumidor. Os trabalhadores mais velhos têm menos faltas por doença. A maioria das licenças tiradas não tem nada a ver com doença. Em muitos dias bonitos as pessoas telefonam dizendo que estão doentes para ir à praia."

Uma categoria em que os jovens levam vantagem são os empregos de tecnologia, ele disse. "Se é um emprego tecnológico, os jovens correm como peixes para a água."

Uma de suas assistentes, Kelly Allen, acrescenta que os jovens estão habituados a se comunicar eletronicamente - ela levanta um Blackberry imaginário e escreve loucamente com os polegares. Por outro lado, "os empregadores gostam dos trabalhadores mais velhos porque estão acostumados a tratar as pessoas cara a cara", ela disse.

Maria Brous, diretora de comunicações da Publix, uma das maiores redes de supermercados da Flórida, disse que os funcionários mais velhos têm uma experiência importante, mas os mais jovens têm capacidades técnicas e são criativos para solucionar problemas. A Publix contrata funcionários jovens e velhos, ela disse, porque eles se complementam.

Wendy Smith, 23, diz que notou outro tipo de discriminação ao se candidatar a empregos administrativos. Os potenciais empregadores dizem que ela precisa ter três ou quatro anos de experiência. "Eles não querem que você seja jovem demais e não querem que seja velha demais", ela disse. "Querem que seja simplesmente perfeito."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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