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27/03/2009

Quando os famosos twittam, geralmente não são eles

The New York Times
Noam Cohen
O rapper 50 Cent está entre a legião de astros que adotaram recentemente o Twitter como forma de contatar os fãs que anseiam por um acesso quase contínuo à sua vida e pensamentos. Em 1º de março, ele compartilhou um pensamento com mais de 200 mil pessoas que o seguem: "Minha ambição me leva por um túnel sem fim".

Estas foram palavras de 50 Cent, mas não era exatamente ele twittando. Em vez dele, foi Chris Romero, conhecido como Broadway e diretor do império do rapper na internet, que digitou estas palavras após lê-las em uma entrevista.

"Ele na verdade não usa o Twitter", disse Romero a respeito de 50 Cent, cujo nome real é Curtis Jackson III, "mas a energia delas é toda dele".

Em sua breve história, o Twitter - uma ferramenta de microblogging que usa textos de até 140 caracteres - se tornou uma importante ferramenta de marketing para celebridades, políticos e empresas, prometendo um grau de intimidade nunca antes conseguido online, assim como dando ao público a capacidade de falar diretamente com as pessoas e instituições que antes ficavam confortavelmente em um pedestal.

Mas alguém precisa se preocupar em escrever, mesmo que cada entrada mal chegue a uma sentença. Em muitos casos, as celebridades e aqueles que cuidam de suas carreiras recorrem a escritores contratados - twitteiros fantasmas, se quiser - que mantêm os fãs atualizados a respeito dos fatos mais recentes, frequentemente nas palavras do próprio astro.

Como o Twitter é visto como um elo mais íntimo entre as celebridades e seus fãs, muitos artistas não estão dispostos a divulgar a ajuda que recebem para colocar seus pensamentos no ciberespaço. Britney Spears recentemente colocou um anúncio à procura de alguém para, entre outras coisas, ajudar a criar conteúdo para o Twitter e Facebook.

Kanye West explicou recentemente à revista "New York" que contratou duas pessoas para atualizar seu blog. "É como um designer trabalharia", ele disse. Não são apenas celebridades que são forçadas a procurar uma equipe para produzir comentários em tempo real sobre suas atividades diárias; políticos como o deputado Ron Paul contam com funcionários cuja função é criar postagens para o Twitter e Facebook. O candidato Barack Obama, assim como o presidente Obama, conta com uma equipe de rede social para manter o fluxo de conteúdo para o Twitter.

Os famosos, é claro, há muito usam escritores fantasmas para autobiografias e outros atos de autoexaltação. Mas a ideia de contar com outra pessoa para escrever atualizações constantes do dia a dia de alguém parece ligeiramente absurda.

O astro do basquete Shaquille O'Neal, por exemplo, é um twitteiro prolífico por conta própria - o Real Shaq - compartilhando notícias pessoais, piadas e provocações a adversários com quase 430 mil seguidores.

"Se vou falar, é melhor que venha de mim mesmo", ele disse, notando que a tecnologia permite que ele contorne a imprensa e fale diretamente com os fãs.

Apesar da tentação de contar com uma equipe para fornecer suas palavras, ele disse: "São apenas 140 caracteres. É muito pouco. Se você precisar de um escritor fantasma para isso, eu sinto pena de você".

Os atletas parecem ser os puristas. Lance Armstrong, apenas horas após quebrar sua clavícula direita, twittou a respeito, usando sua mão esquerda. Charlie Villanueva, o atacante do Milwaukee Bucks, twittou do vestiário no intervalo do jogo em 15 de março, sobre como "eu preciso melhorar". (Seu treinador, Scott Skiles, não ficou contente com sua distração, mas os Bucks venceram.)

Mas para políticos como Paul, que disputou a indicação presidencial republicana em 2008, o Twitter é uma ferramenta de organização em vez de um vislumbre por trás da cortina. "Durante a campanha presidencial", disse Jesse Benton, o diretor de campanha de Paul, "nós designamos um funcionário para cada site de rede social. Cada um foi usado para gerar a mesma mensagem como forma de amplificar a mensagem e atrair as pessoas de volta ao nosso site."

Ele disse que em poucos casos raros, entretanto, os seguidores vêem mais importância online no relacionamento online do que realmente existe. "Em alguns sites de rede social, nós recebemos algumas mensagens que dizem 'obrigado por me deixar ser seu amigo'", ele disse.

Muitos comentaristas online ficam atônitos com a prática de alistar twitteiros fantasmas, mas Joseph Nejman, um ex-consultor de Britney Spears que a ajudou a conceber sua estratégia para internet, disse que há mais do que uma leve hipocrisia entre os críticos.

"Não há problema em twittar para uma marca", ele disse, notando quão comum é para as empresas terem contas no Twitter, "mas não é OK para uma celebridade. Mas a verdade é que elas são uma marca. O que são para o público nem sempre é o que são na vida privada. Se o empresário sabe disso melhor do que o astro, então ele deve cuidar disso".

Nos últimos meses, o fluxo de mensagens para Twitter de Britney Spears se tornou um modelo de transparência. Enquanto as mensagens antes pareciam todas escritas pessoalmente por Spears - mesmo os itens descaradamente promocionais a respeito do novo álbum - ultimamente ele parece um blog de grupo, com algumas postagens assinadas "~Britney", algumas assinadas por "Adam Leber, empresário" e outras por "~Lauren". Esta seria Lauren Kozak, a diretora de mídia social do site britneyspears.com. (A equipe de Spears se recusou a ser entrevistada para este artigo.)

Um usuário descarado de twitteiros fantasmas é Guy Kawasaki, o consultor de nova mídia com mais de 80 mil seguidores, que é cheio de elogios aos dois funcionários que animam suas mensagens para Twitter, postando atualizações frequentes enquanto ele está participando de conferências.

"Basicamente, para 99,9% das pessoas no Twitter, se trata de atualizar amigos e colegas a respeito do que fez o gato", ele disse. "Para 0,1% é uma ferramenta de marketing."

Annie Colbert, uma escritora free-lance de 26 anos de Chicago que é um dos twitteiros fantasmas de Kawasaki, disse que avalia seu trabalho com base em quão frequentemente suas postagens em nome de Kawasaki são reenviadas por outros usuários do Twitter. Recentemente, ela disse, ela achou o máximo quando o ator Ashton Kutcher repetiu sua postagem a respeito de um vídeo no YouTube mostrando alguém ficando louco com um "alucinógeno natural".

"O Facebook é como 'Cheers', onde todo mundo sabe seu nome", ela disse. " Twitter é um bar da moda, onde você bebe e conversa com as pessoas."

Ela disse que está considerando arrumar outros trabalhos de twitteira fantasma para outros clientes, para explorar sua perícia na área. "Eu não acho que seria capaz de trabalhar como twitteira fantasma para 100 pessoas", ela disse. "Algo mais próximo de 10 clientes. Eu acho que precisaria conhecê-los bem."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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