UOL Notícias Internacional
 

01/04/2009

Estados Unidos e Rússia cogitarão reduzir arsenais nucleares

The New York Times
Peter Baker e Helene Cooper
Em Washington (EUA)
Nesta quarta-feira (01/04), o presidente Barack Obama pretende dar início a negociações para a elaboração de um novo tratado de controle de armamentos que reduza os arsenais nucleares estratégicos norte-americanos e russos em cerca de um terço, e possivelmente conduza a reduções ainda mais drásticas, segundo informaram autoridades do governo dos Estados Unidos.

Na última terça-feira, quando Obama embarcou na sua primeira viagem europeia como presidente, autoridades norte-americanas e russas indicaram reservadamente que poderiam concordar com a redução de seus arsenais nucleares para um máximo de 1.500 ogivas para cada país. Atualmente, segundo um tratado firmado pelo presidente George W. Bush, em 2002, cada país pode ter um máximo de 2.200 ogivas nucleares.

As duas partes pretendem redigir o tratado de forma acelerada, de forma que ele possa ser assinado no final deste verão e ratificado a tempo para substituir o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START, na sigla em inglês), quando este expirar em dezembro próximo. Tanto Washington quanto Moscou esperam que um sucesso rápido na substituição de um pacto que foi negociado nos últimos dias da Guerra Fria contribua para revitalizar uma relação abalada e criar um cenário propício para mais reduções futuras.

"O simples fato de estabelecer um novo limite enviaria à comunidade internacional como um todo um sinal de que os Estados Unidos estão novamente falando com seriedade a respeito dos seus compromissos de desarmamento", afirma Peter Crail, analista de pesquisas da Associação de Controle de Armamentos, uma organização não governamental com sede em Washington.

Obama deverá reunir-se com o presidente Dmitri A. Medvedev pela primeira vez nesta quarta-feira em Londres, à margem da reunião econômica de cúpula do Grupo dos 20 (G-20), e eles pretendem anunciar o início de conversações para substituir o START. O encontro, na residência do embaixador dos Estados Unidos, já está se revestindo da tensão e da carga dramática que são geralmente características de uma primeira reunião entre um novo presidente norte-americano e o seu congênere russo.

Medvedev, em um artigo de editorial publicado na terça-feira no jornal "The Washington Post", afirmou que já está enxergando melhores relacionamentos desde que o governo Obama assumiu o poder, e ofereceu-se para apertar o botão de "recomeçar" na relação com os Estados Unidos.

"Nem a Rússia nem os Estados Unidos pode tolerar ações aleatórias ou indiferença nas nossas relações", escreveu Medvedev. Ele afirmou que o afastamento entre os dois países, algo que chamou de "crise de confiança", deveu-se às iniciativas de Bush para a construção de um sistema limitado de defesa anti-mísseis na Europa Oriental e à expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), de forma que esta inclua duas ex-repúblicas soviéticas. Medvedev não fez qualquer menção à guerra da Rússia com a Geórgia, que prejudicou as relações com Washington.

"As possíveis áreas de cooperação são abundantes", disse Medvedev. "Por exemplo, eu concordo com o presidente Obama quando ele diz que a retomada do processo de desarmamento deve tornar-se a nossa prioridade imediata. O desejo de garantir segurança absoluta de forma unilateral é uma ilusão perigosa. Estou encorajado pelo fato de os nossos novos parceiros em Washington compreenderem isso".

As autoridades do governo Obama reagiram cautelosamente, afirmando que não desejavam antecipar as questões que serão discutidas na reunião desta quarta-feira.

Os membros dos governos norte-americano e russo decidiram abordar a questão do controle de armamentos porque esta parece ser a menos problemática da lista de divergências que azedaram as relações entre os dois países. A questão é sem dúvida menos complicada do que aquela referente à defesa anti-mísseis, embora Obama não esteja tão vinculado quanto Bush àquele programa. Autoridades do governo norte-americano dizem que, além de discutirem o controle de armamentos, Obama e Medvedev falarão sobre o Irã e o Afeganistão.

É claro que tais primeiros encontros entre líderes norte-americanos e russos começam frequentemente com declarações a respeito de esperança e melhores relações, mas depois disso a boa vontade deteriora-se. Em junho de 2001, quando Bush reuniu-se pela primeira vez com Vladimir V. Putin, à época presidente e atualmente primeiro-ministro da Rússia, o presidente norte-americano deu a declaração famosa: "Eu olhei nos olhos do homem, e pude enxergar a sua alma".

Mas embora o relacionamento pessoal que desenvolveu-se entre os dois líderes fosse cordial, as relações dos Estados Unidos com a Rússia aproximaram-se de uma crise, ao final do governo Bush, no ano passado, depois que tropas russas invadiram a Geórgia devido a uma disputa em torno da república separatista da Ossétia do Sul.

O tratado que expirará em 5 de dezembro foi assinado pelo presidente George Bush em 1991, antes do colapso da União Soviética, e passou a vigorar em 1994, exigindo que cada lado reduzisse os seus arsenais para 6.000 ogivas nucleares. O Tratado de Moscou, assinado pelo filho de Bush, determinou que os arsenais ficassem entre 1.700 a 2.200 ogivas até 2012, mas ele baseava-se no programa de verificação criado pelo START.

Embora os dois lados parecessem concordar relativamente com o teto estabelecido, eles enfrentaram desentendimentos difíceis em relação a outras questões que poderiam complicar a conclusão das negociações em um período tão curto. A discórdia mais significativa envolve as regras relativas a contagem. As autoridades norte-americanas sinalizaram que agiriam com flexibilidade em relação a certas demandas russas, mas insistiram que a adoção das regras desejadas por Moscou exigiria maior transparência e inspeções intrusivas, segundo o depoimento de indivíduos bem informados sobre as discussões preliminares.

Uma outra potencial complicação é o plano norte-americano de construção de um sistema limitado de defesa anti-mísseis na Europa Oriental para a defesa contra uma possível ameaça iraniana. Os russos criticaram o projeto, que era uma alta prioridade para o presidente George W. Bush, e eles poderão desejar inseri-lo nas negociações sobre o controle de armamentos. Mas representantes russos disseram aos norte-americanos que, com um teto de 1.500 ogivas nucleares, poderá não haver necessidade de resolver a questão do sistema de defesa anti-mísseis para que se chegue a um acordo quanto a um tratado de armamentos. E, se eles desejassem reduzir ainda mais esse teto, talvez para 1.200 ogivas nucleares, conforme defendido por alguns, os russos dizem que desejariam insistir na criação de restrições legais aos sistemas de defesa anti-mísseis.

Tradução: UOL

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,03
    3,146
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,09
    68.714,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host