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05/04/2009

Taleban açoita mulher de 17 anos e choca o Paquistão

The New York Times
Salman Masood
Em Islamabad, Paquistão
O vídeo mostra uma mulher jovem mantida de bruços enquanto um comandante do Taleban bate nela repetidamente com uma tira de couro.

"Pare um pouco - você pode me bater mais depois", ela grita, implorando por alívio enquanto se contorce de dor.

Sem prestar atenção, o comandante ordena que os homens a segurem com mais força e continuem com o açoitamento público. Um grupo grande de homens assiste silenciosamente, em pé num círculo em volta dela.

A mulher no vídeo é uma moradora de 17 anos de Kabal, na região tensa de Swat no noroeste do Paquistão. As imagens, que foram transmitidas repetidamente pelas redes de televisão privadas do Paquistão, causaram indignação e desencadearam a condenação hostil por parte dos ativistas pelos direitos humanos e políticos.

Eles também questionaram mais uma vez a decisão do governo de aceitar o acordo de paz em fevereiro que efetivamente cedeu Swat para o Taleban e permitiu que eles impusessem a lei islâmica.

O vídeo de dois minutos é o primeiro caso conhecido de açoitamento público de uma mulher em Swat. Aparentemente gravado com um celular e amplamente divulgado no pitoresco vale, ele demonstra vividamente como o Taleban usa demonstrações públicas de punição para aterrorizar e controlar a população local.

Não ficou claro qual era a acusação contra a jovem.

Um relato diz que ela saiu de casa sem ser acompanhada por um parente do sexo masculino, de acordo com Samar Minallah, ativista pelos direitos humanos.

Minallah disse que distribuiu o vídeo para a imprensa local depois de tê-lo recebido de alguém de Swat há três dias.

Outro relato diz que um comandante do Taleban local havia acusado falsamente a jovem de violar a lei islâmica depois que ela se recusou a aceitar sua proposta de casamento.

Um porta-voz do Taleban defendeu a punição na Geo Television Network, mas disse que isso não deveria ter sido feito em público.

Mian Iftikhar Hussain, ministro da informação da província da Fronteira Norte-Oeste, onde está localizada Swat, também tentou minimizar a punição alegando que o vídeo foi gravado em janeiro, antes do acordo de paz. Ele disse que o vídeo é uma tentativa de sabotar o acordo de paz.

Poucos pareciam dispostos a aceitar o argumento.

"Isso é absurdo", disse Athar Minallah, advogada que luta pela restauração do chefe de justiça Iftikhar Muhammad Chaudhry, em entrevista por telefone.

"Ninguém pode justificar um ato como esse. Um punhado de pessoas tomou a população como refém e o governo está tentando ser condescendente. Se o Estado se render, o que acontecerá em seguida?"

Asma Jahangir, uma das principais ativistas do país, condenou a punição que classificou como "intolerável".

"É para abrir os olhos", disse ela num boletim de televisão em Lahore.

"O terrorismo se infiltrou em todos os cantos do país. Chegou o momento em que cada paquistanês patriota deveria erguer a voz contra essas atrocidades".

Em fevereiro, depois de 20 meses perdendo batalhas contra o Taleban em Swat, o governo e os militares aceitaram um acordo de paz e o estabelecimento de tribunais islâmicos na região.

Em troca, Maulana Fazlullah, líder do Taleban em Swat, prometeu baixar armas e terminar com a violência.

Os que foram contra o acordo diziam que ele fortaleceria os militantes talebans e daria a eles tempo para se reagrupar e reforçar seu controle sobre Swat. O governo disse que o acordo acabaria com a violência.

Centenas de escolas foram destruídas em Swat, vários oficiais do governo foram decapitados e a educação feminina foi banida sob o governo do Taleban.

O presidente Asif Ali Zardari e o primeiro-ministro Yousaf Raza Gilani condenaram a punição e pediram uma investigação.

Depois de tomar conhecimento do vídeo, Chaudhry formou um júri de oito juízes na Suprema Corte para examinar o caso, informou o tribunal paquistanês em nota à imprensa.

A justiça ordenou que o secretário de interior levasse a garota para o tribunal na segunda-feira.

Sherry Rehman, ex-ministro da informação e membro do governista Partido do Povo Paquistanês, pediu uma ação imediata do governo.

"Ignorar atos de violência como este é o mesmo que sancionar a impunidade", disse Rehman num pronunciamento.

"O fogo no vale de Swat e nas regiões do norte do país pode tomar outras partes do país se não fizermos nada para extingui-lo". (Tradução: Eloise De Vylder)

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