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09/04/2009

Obama quer que projeto de lei de imigração seja prioridade

The New York Times
Julia Preston*
Com o reconhecimento de que a recessão torna a batalha política mais difícil, o presidente Barack Obama planeja começar a tratar do sistema de imigração americano neste ano, buscando inclusive um caminho para que os imigrantes ilegais possam se tornar legais, disse uma alta funcionária do governo na quarta-feira (8).

Obama emoldurará o novo esforço - que provavelmente acirrará as paixões em ambos os lados de um assunto altamente divisor - como "reforma da política para controle da imigração, para deixar o sistema em ordem", disse a funcionária Cecilia Munoz, vice-assistente do presidente e diretora de assuntos intergovernamentais na Casa Branca.

O presidente planeja falar publicamente sobre o assunto em maio, disseram funcionários do governo, e ao longo do verão americano ele convocará grupos de trabalho, incluindo legisladores de ambos os partidos e várias organizações de imigração, para começar a discutir a possível legislação ainda neste ano.

Alguns funcionários da Casa Branca disseram que a imigração não terá precedência sobre as propostas para o atendimento de saúde e energia que Obama identificou como prioridades. Mas o prazo é consistente com as promessas que Obama fez aos grupos latinos na campanha do ano passado.

Ele disse na época que uma legislação abrangente para a imigração, incluindo um plano para uma possível legalização de cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais, seria uma prioridade em seu primeiro ano no governo. Os eleitores latinos apoiaram com força Obama na eleição.

"Ele pretende iniciar o debate neste ano", disse Munoz. Mas com os graves problemas econômicos, defensores de ambos os lados do debate disseram que a imigração poderia se tornar uma questão polarizante para Obama em um ano em que ele já tem muitas outras batalhas importantes para travar.

Os oponentes, na maioria republicanos, disseram que buscarão mobilizar o ultraje popular contra qualquer esforço para legalizar trabalhadores imigrantes ilegais enquanto tantos americanos estão desempregados.

Assessores parlamentares democratas disseram que o início de um debate neste ano sobre a imigração, particularmente com o atendimento de saúde como prioridade, poderia atrapalhar a agenda doméstica do presidente.

Ainda prossegue o debate entre os funcionários do governo sobre o momento e a estratégia precisos. Por exemplo, não se sabe quem assumiria a iniciativa de Obama no Congresso. Nenhuma discussão legislativa séria sobre o assunto é esperada até após as outras prioridades de Obama terem sido debatidas, disseram assessores parlamentares.

No mês passado, Obama reconheceu abertamente que a imigração é um potencial campo minado. "Eu sei que esta é uma questão passional; eu sei que é uma questão controversa", ele disse para uma platéia em 18 de março em Costa Mesa, Califórnia. "Eu sei que as pessoas realmente se agitam politicamente a respeito disso."

Ele disse, contudo, que os imigrantes são moradores dos EUA de longa data que carecem de status legal. "Precisam contar com algum mecanismo ao longo do tempo para essas pessoas saírem das sombras", afirmou Obama.

A Casa Branca está calculando que o apoio popular ao conserto do sistema de imigração, que é amplamente reconhecido como quebrado, superará a oposição dos eleitores que argumentam que a imigração tira emprego dos americanos.

Um crescimento dos eleitores contrários à legalização dos imigrantes ilegais levou à derrota de um projeto bipartidário de imigração em 2007, que contava com o apoio do presidente George W. Bush.

Funcionários do governo disseram que o plano de Obama não acrescentaria novos trabalhadores à força de trabalho americana, mas que reconheceria os milhões de imigrantes ilegais que já trabalham nos EUA.

Apesar da profunda recessão, não há evidência de um grande êxodo de trabalhadores imigrantes ilegais, mostram dados de estudos independentes. Os oponentes da legalização se mostraram incrédulos diante da idéia de que Obama trataria da imigração em um momento de tamanha dor econômica para os americanos.

"Não me parece racional que algum líder político diga que vamos dar a milhões de trabalhadores estrangeiros acesso permanente aos empregos americanos quando temos milhões de americanos desempregados", disse Roy Beck, diretor executivo da NumbersUSA, um grupo que defende a redução da imigração.

Beck previu que Obama enfrentaria uma "explosão" caso trate do assunto neste ano. "Será, 'Você vai deixá-los ficarem com aquele emprego, quando eu poderia ter aquele emprego'", ele disse.

Em linhas gerais, disseram os funcionários, o governo Obama defende uma legislação que traga os imigrantes ilegais para o sistema legal, reconhecendo que violaram a lei, impondo multas e outras penas adequadas à ofensa.

A legislação buscaria prevenir futura imigração ilegal fortalecendo o controle da fronteira e reprimindo os empregadores que contratam imigrantes ilegais, criando ao mesmo tempo um sistema nacional de verificação do status de imigrante legal de novos trabalhadores.

Mas os funcionários do governo enfatizaram que muitos detalhes ainda precisam ser debatidos. Os oponentes de um esforço pela legalização disseram que se o governo Obama mantiver a pressão de cumprimento da lei iniciada por Bush, a recessão forçaria muitos imigrantes ilegais a voltarem para casa. Dan Stein, o presidente da Federação pela Reforma da Imigração Americana, disse que seria "politicamente desastroso" para Obama iniciar a reforma da imigração neste momento.

Antecipando a oposição, o presidente está buscando transferir grande parte do fardo político para os defensores dos imigrantes, os encorajando a fomentar o apoio entre os eleitores para quando a proposta for encaminhada ao Congresso.

Este é o motivo para o deputado Luis V. Gutierrez, um democrata da cidade de Obama, Chicago, estar na estrada na maioria dos fins de semana desde dezembro, viajando até longe de seu distrito para reuniões em igrejas latinas, na esperança de desenvolver uma espécie de movimento de direitos civis em prol de uma ampla legislação de imigração.

Gutierrez esteve na Pensilvânia no sábado (4), na Iglesia Internacional - uma grande igreja evangélica latina situada em um antigo depósito - o 17º encontro de uma turnê que inclui cidades tão distantes quanto Providence, Rhode Island; Atlanta; Miami e San Francisco. Recebido com aplausos e améns por uma congregação de 350 pessoas, Gutierrez, alternando com fluência espanhol e inglês, pediu por políticas de imigração que preservem a unidade familiar, o tema estratégico de sua campanha.

Em cada encontro, os oradores da comunidade contam histórias de entes queridos que foram deportados ou sobre os atrasos e reveses no sistema de imigração. Os imigrantes ilegais não são convidados a falar.

Os encontros de Gutierrez foram todos realizados em igrejas, tanto evangélicas quanto católicas, com membros do clero de várias denominações, incluindo imãs muçulmanos em vários locais. Em um encontro em Chicago, o cardeal Francis George, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, foi quem celebrou.

Uma oradora no sábado, Jill Flores, disse que seu marido, Felix, um imigrante do México que atravessou a fronteira ilegalmente, fez o pedido de status legal há cinco anos mas não o conseguiu, apesar dela ser uma cidadã americana, assim como os dois filhos do casal. Agora, disse Flores, ela teme que seu marido tenha que partir para o México e não será autorizado a voltar por muitos anos.

Em uma entrevista, Gutierrez rejeitou a idéia de que o momento é ruim para um debate sobre a imigração. "Nunca há um momento errado para nós", ele disse. "Famílias estão sendo divididas e destruídas, e elas precisam de ajuda agora."

Jeff Zeleny contribuiu com reportagem

Tradução: George El Khouri Andolfato

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