UOL Notícias Internacional
 

10/04/2009

Manifestantes vestindo camisas vermelhas convergem para Bancoc

The New York Times
Mark McDonald
Em Hong Kong (China)
Dezenas de milhares de manifestantes antigoverno - a maioria deles vestido de vermelho, a cor que os representa - convergiram para o centro de Bancoc na quarta-feira, enquanto a capital tailandesa se preparava para uma nova rodada de manifestações políticas.

Os "camisas vermelhas" seguiram do interior para Bancoc ao longo do dia, apesar das estimativas do número total de manifestantes variar enormemente. O vice-primeiro-ministro, Suthep Thuaksuban, disse que 40 mil pessoas compareceram ao protesto no final da tarde; os organizadores da manifestação disseram que o tamanho da multidão era de 300 mil.

O primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, disse para a televisão local que as forças de segurança evitariam confrontos com os manifestantes. Mas ele também alertou que em caso de estouro de violência, "o governo terá que fazer algo".

"Eu asseguro que a violência não começará por parte do governo", disse Abhisit, em comentários exibidos pela televisão e citados pela agência de notícias "The Associated Press". "Há algumas pessoas que querem o caos, mas o governo fará tudo para contê-las."

Os "camisas vermelhas" estão exigindo novas eleições e a renúncia de Abhisit, alegando que sua escolha foi ilegal. Abhisit disse na tarde de quarta-feira que não renunciará. Na terça-feira, enquanto deixava uma reunião ministerial no balneário de Pattaya, no sul do país, o carro de Abhisit foi cercado e atacado por manifestantes. O vidro traseiro foi quebrado. mas o primeiro-ministro não se feriu.

Abhisit, 44 anos, que nasceu no Reino Unido e estudou em Eton e Oxford, está em Pattaya se preparando para ser o anfitrião de um encontro de cúpula asiático de 16 países. A cúpula começará nesta sexta-feira (10).

Os manifestantes são simpatizantes do ex-primeiro-ministro, Thaksin Shinawatra, que foi eleito por grande margem de votos em 2001 e reeleito em 2005, mas foi derrubado por um golpe militar em 2006. O jornal "The Nation" noticiou na tarde de quarta-feira que vários milhares de pessoas cercaram a casa em Bancoc do general Prem Tinsulanonda, que Thaksin acusou de organizar o golpe que o derrubou.

Thaksin, um ex-bilionário de telecomunicações, foi condenado no ano passado por abuso de poder. Ele deixou o país antes de sua condenação - ele foi sentenciado a dois anos de prisão - e atualmente vive em exílio, principalmente em Dubai.

O ex-primeiro-ministro ainda enfrenta outras acusações na Tailândia, e os tribunais congelaram cerca de US$ 2 bilhões de ativos dele e de sua família. Mas ele insiste que deseja retornar à Tailândia - e para a política tailandesa.

Thaksin se dirigiu aos seus simpatizantes por meio de um vídeo, e foi visto na noite de terça-feira em um telão montado do lado de fora do palácio do governo. Milhares de manifestantes estão acampados lá há duas semanas, bloqueando o acesso ao prédio.

"Este será um dia histórico", disse Thaksin, pedindo aos seus simpatizantes para se reunirem em grande número e demonstrar seu poder. Sua grande base eleitoral inclui agricultores e pobres da zona rural, especialmente no norte e nordeste do país.

Os atuais protestos lembram a paralisia política que tomou conta da Tailândia no ano passado. Aquelas manifestações, que às vezes foram violentas, forçaram o governo anterior a deixar o palácio do governo, paralisou o funcionamento da administração pública e, no final, fechou os dois principais aeroportos de Bancoc. Os protestos foram liderados pelos "camisas amarelas" da Aliança Popular pela Democracia.

Os protestos terminaram em dezembro quando - com os aeroportos bloqueados, o turismo debilitado e a economia virtualmente parada - o Tribunal Constitucional considerou o partido do governo culpado de fraude eleitoral. A decisão do tribunal levou à escolha de Abhisit como primeiro-ministro pelo Parlamento, em dezembro.

O péssimo estado da economia tailandesa é outro motivo para fúria entre os manifestantes. Nesta semana o Banco Mundial revisou para baixo as perspectivas de crescimento do país. O banco agora espera um declínio de 2,7% no produto interno bruto da Tailândia em 2009, a primeira retração do país em mais de uma década.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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