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10/04/2009

YouTube e Universal se unem para criar um site para música

The New York Times
Miguel Helft
Em San Francisco
O YouTube, o site mais popular de vídeos online, e o Universal Music Group, a maior empresa de música do mundo, disseram na quinta-feira que criarão um site para vídeos musicais e conteúdo relacionado, chamado Vevo.

O acordo é o mais recente de muitos esforços do YouTube, que é de propriedade do Google, para oferecer mais conteúdo produzido profissionalmente para sua imensa audiência, e assim ganhar mais dinheiro de anunciantes.

Os videoclipes dos artistas da Universal estarão disponíveis tanto no Vevo.com, que funcionará com tecnologia do YouTube, quanto em um canal Vevo no YouTube. As empresas disseram que dividirão a receita publicitária em ambos os sites, mas se recusaram a discutir os termos específicos do acordo.

O Vevo está sendo criado como uma empresa separada de propriedade do Google e da Universal, segundo uma pessoa familiarizada com o acordo que pediu anonimato, por não estar autorizada a discutir o assunto publicamente. O Google e a Universal disseram que planejam lançar o Vevo neste ano. Eles afirmaram que estão trabalhando para persuadir outras grandes gravadoras a participarem do site.

Os executivos do setor e analistas disseram que a parceria parece ser um esforço para reproduzir o sucesso do Hulu, um empreendimento online conjunto entre NBC e Fox para séries de televisão e filmes. Apesar da audiência do Hulu ser muito menor do que a do YouTube, o site consegue atrair grandes anunciantes, que veem a coleção eclética de videoclipes do YouTube com certa hesitação.

As gravadoras foram algumas das primeiras no setor de mídia a licenciar seu conteúdo para o YouTube em 2006, e seus vídeos estão entre os conteúdos mais populares do site. Mas estes videoclipes não geraram a receita esperada nem para as gravadoras e nem para o YouTube, criando uma nova tensão entre os dois lados.

Em uma entrevista, Eric E. Schmidt, o executivo-chefe do Google, disse achar que os dois lados finalmente criaram um modelo capaz de tratar destas questões, combinando o conteúdo da Universal e a audiência do YouTube em um site que será atraente para os anunciantes. "A indústria musical tem tido dificuldade para estruturar estas coisas online do modo correto", disse Schmidt. "Este é um bom modelo."

Schmidt creditou a Doug Morris, o presidente-executivo da Universal, que é de propriedade da Vivendi, a idéia para o Vevo. Schmidt disse que a conversa entre os dois executivos começou por sugestão do cantor Bono.

Morris disse que, nos últimos anos, a Universal passou de perder US$ 70 milhões por ano na produção de videoclipes para promoção a, atualmente, lucrar aproximadamente esse valor. Ele descreveu o Vevo como o "próximo passo" na capacidade da Universal de lucrar com os videoclipes. "Será um produto poderoso", ele disse.

Morris disse que o Vevo incluirá outros conteúdos da Universal e, posteriormente, oferecerá a possibilidade de compra online de produtos e ingressos para shows.

O acordo também renova a licença que permite aos usuários do YouTube o uso de trilhas sonoras da Universal em seus vídeos. Se for bem-sucedido, o Vevo poderá competir com outros sites de videoclipes online, incluindo o MySpace. Mas os analistas disseram que é cedo demais para prever se os fãs de música migrarão para o site.

"É necessário mais do que um destino de conteúdo premium para realmente desenvolver um negócio", disse Ross Sandler, um analista da RBC Capital Markets. Sandler disse que os fãs poderiam optar por assistir aos videoclipes no YouTube em vez do Vevo.

Morris disse que tem conversado com outras grandes gravadoras, como Warner Music Group, EMI e Sony Music, a respeito da participação delas no Vevo. As gravadoras confirmaram que foram contatadas, apesar das negociações ainda estarem nos estágios iniciais.

Alguns dos acordos de licenciamento entre as gravadoras e o YouTube expiraram recentemente, e as negociações para renovações têm se arrastado enquanto as gravadoras buscam termos melhores por parte do YouTube.

Em dezembro, a Warner Music removeu seus videoclipes do YouTube, dizendo que "simplesmente não era possível aceitar termos que fracassavam em compensar de forma justa e apropriada os artistas, compositores, gravadoras e editores pelo valor que forneciam". Disputas semelhantes surgiram no Reino Unido e na Alemanha.

O acordo representa uma vitória para o YouTube, que precisa de mais conteúdo profissional para atrair os anunciantes e reverter o que os analistas disseram ser prejuízos imensos derivados do alto custo de manter o site.

Schmidt disse que o acordo poderá se tornar um modelo para solução dos conflitos com outras empresas de mídia. "Ele pode servir como modelo para áreas que não envolvem música, que, como você sabe, têm sido problemáticas para nós."

Tradução: George El Khouri Andolfato

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