UOL Notícias Internacional
 

12/04/2009

Redes sociais da internet ajudam a encontrar itens perdidos

The New York Times
Por Brad Stone
Rhonda Surman e seu marido caminhavam ao redor de algumas ruínas da Era do Bronze no oeste da Escócia no ano passado quando viram a luz do sol refletida num metal reluzente. Era uma câmera digital Olympus, caída no chão.

O casal levou a câmera para a polícia local, mas oito semanas depois a receberam de volta, porque ninguém reclamou sua posse.

Surman, que mora no norte da Escócia, não desistiu. Havia 600 fotos no cartão de memória da câmera, incluindo algumas de um casamento e as viagens de um casal pela Europa. Surman publicou várias das fotos na Internet e, poucos meses depois, organizou um grupo de detetives amadores que descobriu pistas nas fotos, levando-os até o dono da câmera, que ficou espantado e satisfeito.

"Não acho que eu seja mais legal do que ninguém", disse ela, "mas achava que as fotos eram de uma lua de mel. Foi isso que fez com que eu me esforçasse mais".

Hoje, muitas pessoas como Surman agem a partir do mesmo impulso e assumem um novo papel: o de samaritanos digitais. A internet pode permitir que bandidos persigam pessoas ou roubem suas identidades. Mas também torna mais fácil devolver algo, por causa de sites e ferramentas que ajudam a encontrar pessoas que perderam bens como carteiras, telefones celulares e câmeras.

As companhias também estão se movimentando para explorar o fato de que milhões de pessoas têm informações publicadas sobre si mesmas na internet. Os "achados e perdidos" estão migrando para a rede, e uma série de novas companhias e sites de hobbies surgiram com o objetivo de aproveitar os impulsos altruístas das pessoas para devolver bens perdidos.

"Normalmente quando as pessoas têm a oportunidade de fazer algo de bom pelos outros, elas fazem", diz Matt Preprost, estudante universitário do Canadá que criou um blog chamado "Found Cameras and Orphan Pictures" [algo como "Câmeras Achadas e Fotos Órfãs"] para devolver as câmeras para seus donos.

Peter O'Donnell, 30, engenheiro da Fannie Mae, seguiu recentemente seu impulso humanitário depois de encontrar uma carteira no caixa de uma loja 7-Eleven em Washington. Antes de devolvê-la para o apático funcionário da loja, O'Donnell tirou uma foto da carteira de motorista com seu iPhone.

Na manhã seguinte, ele encontrou a dona da carteira, uma estudante universitária de Dakota do Sul, no Facebook, e enviou um e-mail dizendo onde ela poderia encontrar sua carteira.

"Não é que eu seja um santo, mas me esforço para ajudar se estiver ao meu alcance", disse.

Alguns samaritanos digitais têm de transpor as barreiras que protegem a privacidade das pessoas. Shannon Kokoska, 39, perdeu sua carteira num ônibus municipal em San Francisco em janeiro e, naquela mesma noite, antes que ela se desse conta de tê-la perdido, recebeu um e-mail do homem que a havia encontrado. Duas das companhias dos cartões de crédito que ela tinha recusaram-se a dar o endereço ou telefone dela, então o herói enviou a ela uma mensagem no Facebook.

"É legal me lembrar dessa história", diz Kokoska, que recentemente teve seu iPod roubado no mesmo ônibus.

Muitos aeroportos e sistemas de transporte estão usando estratégias similares. O Aeroporto Internacional de Miami aceita reclamação de objetos perdidos pela internet, e também usa a rede como principal ferramenta para localizar passageiros que perderam seus pertences.

Ernesto Alonso, agente do terminal de operações responsável pelo serviço, usou o Google e a lista telefônica online para devolver um laptop para um viajante da Austrália, um baú cheio de equipamentos de satélite para uma companhia em Washington, D.C., e uma urna com restos mortais para um cemitério de Nova Jersey. (Um familiar do morto havia inexplicavelmente deixado a urna em cima de uma lata de lixo do portão de embarque.)

"Costumávamos devolver 30% dos itens que encontrávamos", disse Alonso.
"Com a internet, o número total agora passa dos 50%, lembrando que muitas das coisas que encontramos são tranqueiras".

Alguns veem o uso da internet para encontrar os donos de objetos perdidos como uma oportunidade de negócio em potencial. Várias novas empresas, com nomes como SendMeHome, BoomerangIt e TrackItBack, permitem que as pessoas se inscrevam e gerem etiquetas de código para seus objetos. Se esses itens forem perdidos, as pessoas que os encontram podem colocar os códigos nos sites para localizar o verdadeiro dono.

As novas empresas dizem que mais de dois terços das pessoas que encontram itens perdidos fazem a coisa certa e os devolvem.

Algumas pessoas podem se sentir constrangidas ao terem que usar a internet para rastrear um total estranho. Peter Hill, que trabalhava como engenheiro de redes na Universidade de Washington, encontrou uma carteira num estacionamento de uma loja Whole Foods da região de Seattle e usou seu iPhone para acessar o Facebook, encontrar o nome da dona, e então descobrir no site uma amiga dela que havia freqüentado a mesma universidade que ele. Então usou o diretório de sua universidade para ligar para a amiga, e pediu a ela para avisar a dona da carteira.

A dona ficou satisfeita, mas tinha muitas perguntas para Hill. "Você se sente um pouco estranho de perseguir uma pessoa que você não conhece no ciberespaço, mesmo que seja apenas para devolver uma carteira perdida", disse.

Mas às vezes os fins podem justificar alguns meios intrusivos. Depois de decidir que ela queria encontrar os donos da câmera Olympus perdida, Rhonda Surman publicou no site Flickr meia dúzia de fotos que estavam na máquina, incluindo um retrato de uma mulher segurando um pequeno cachorro de coleira vermelha na neve, em frente a uma casa.

Membros dos fóruns de discussão do Flickr escocês agarraram a oportunidade de resolver um mistério e trabalharam juntos, identificando pistas nos cenários das fotos, como um sinal de perigo numa cerca em uma das fotos, e uma paisagem distante em outra. As pistas os levaram aos bairros do oeste de Aberdeen, na costa leste da Escócia.

Um membro do Flickr que mora em Aberdeen dirigiu pelas ruas da região, procurando uma casa que se parecesse com aquela mostrada na foto com o cachorro. Por fim, ele encontrou uma parecida, e outros usuários do Flickr encontraram o número de telefone do locador da casa.

Pouco tempo depois, Surman entrou em contato com Nick Filippelli, um executivo da indústria de petróleo que estava morando na Escócia com sua mulher, Tai, e seu cachorro misto de Chihuahua, Moe. Ele já havia esquecido completamente da câmera perdida.

Filippelli enviou flores para Surman, e apesar de as fotos não mostrarem, de fato, sua lua de mel, e de ele ter achado "um pouco assustador" alguém poder encontrá-lo usando apenas uma câmera perdida, ficou tocado pelos esforços dela.

"Quando descobrimos tudo o que foi necessário para nos rastrear e compreendemos o quanto ela se esforçou, foi realmente emocionante", disse ele. "Ela fez um ótimo trabalho de detetive".

Tradução: Eloise De Vylder

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