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17/04/2009

Líderes latino-americanos visam redefinir suas relações com os EUA

The New York Times
Alexei Barrionuevo No Rio de Janeiro
Quando o presidente George W. Bush viajou para a Argentina há quatro anos para um encontro de líderes latino-americanos, manifestantes quebraram janelas, saquearam lojas e cantaram slogans anti-Bush.

Hugo Chávez, o presidente da Venezuela, atraiu 25 mil pessoas a um comício em um estádio de futebol contra as políticas de livre comércio dos Estados Unidos.

O encontro de cúpula foi um enorme fracasso para Bush e o ponto mais baixo nas relações entre os Estados Unidos e a América Latina.

Agora, o presidente Barack Obama está planejando visitar Trinidad e Tobago neste fim de semana para a 5ª Cúpula das Américas, com a chance a apagar a lembrança daquele último encontro e reengajar a América Latina, uma região que ficou em um distante segundo plano diante do conflito no Iraque durante os anos Bush.

Mas os líderes latino-americanos estão buscando mais do que um maior diálogo. Eles estão buscando redefinir as relações.

"O que eu quero é que os Estados Unidos tenham um olhar diferenciado para a América Latina", disse Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Brasil, no mês passado, antes de um encontro com Obama em Washington. "Nós somos um continente democrático, um continente pacífico e, portanto, os Estados Unidos têm que olhar para cá com um olhar produtivo, com um olhar desenvolvimentista, e não apenas pensando em narcotráfico ou em crime organizado."

Os líderes dos 34 países com governos eleitos democraticamente que compõem a Organização dos Estados Americanos deverão pressionar Obama em questões que incluem a economia global e as políticas dos Estados Unidos em relação a Cuba e às drogas.

Bush foi o presidente norte-americano mais impopular de todos os tempos na América Latina segundo as pesquisas, enquanto Obama tem um status de astro do rock por todo o hemisfério - por ora.

"Sim, outros líderes virão, mas as pessoas não entendem que eles estão preocupados apenas com Obama", disse Kenneth Job, um vendedor ambulante de Port of Spain, a capital de Trinidad, onde será realizado o encontro de cúpula.

"Ele é o cara que todo mundo ama e quer ver", disse Job, que vende fotos emolduradas de Obama, de Nelson Mandela, do reverendo Martin Luther King Jr. e de Rosa Parks.

No final, o apelo de Obama na região poderá manter o sentimento antiamericano contido no encontro de cúpula, disseram os analistas. Chávez, um populista inflamado, dificilmente tentará usar o evento para se posicionar contra os Estados Unidos. Na Argentina, sua ira foi direcionada contra o acordo de livre comércio, que no final sucumbiu e ainda não foi retomado.

Mas a forte queda dos preços do petróleo e a ascensão do Brasil na região podem desequilibrar Chávez.

"Ele não contará com o mesmo apoio para ser desafiador e fazer declarações provocativas contra os Estados Unidos", disse Michael Shifter, vice-presidente da Diálogo Interamericano, um centro de pesquisa de políticas em Washington.

Altos funcionários americanos disseram que não esperam que Obama tente uma reconciliação formal tanto com Chávez quanto com o Evo Morales, o presidente da Bolívia. Ambos os líderes expulsaram embaixadores americanos e outros diplomatas nos últimos meses, os acusando de envolvimento em planos de golpe.

A conferência está concentrada na "prosperidade humana", segurança da energia e sustentabilidade ambiental, mas a economia global será um tema central para os líderes latino-americanos, incluindo Lula, que teme que a crise ameace descarrilar um dos períodos de maior prosperidade no Brasil em uma geração.

Funcionários da Casa Branca também temem que o contágio econômico possa reverter o crescimento e a redução da pobreza na região obtidos na última meia década.

"No ano passado, estas realizações começaram a diminuir", disse Jeffrey S. Davidow, o conselheiro da Casa Branca para a cúpula. "Há uma verdadeira preocupação de que a América Latina ou o hemisfério possa entrar em outra década perdida."

Os líderes latino-americanos esperam que Obama não se esquive de assuntos que são historicamente tabus nestes encontros. No passado, os Estados Unidos vetaram as discussões sobre Cuba e ignoraram as críticas à sua política de combate às drogas.

Mas o governo Obama sinalizou que concorda com alguns líderes na região, que querem repensar a abordagem para coibir a violência das drogas. Vários líderes da região também disseram nos últimos meses que a suspensão do embargo a Cuba contribuiria muito para reparar as relações entre a América Latina e os Estados Unidos.

Funcionários americanos disseram nesta semana que o presidente aprecia a discussão, mas não se espera que ele vá além das medidas anunciadas na segunda-feira: a suspensão das restrições a viagens e remessas de dinheiro para Cuba por cubanos-americanos.

"Eles não suspenderão o embargo nem legalizarão as drogas, mas haverá mais espaço para se falar a respeito destas coisas", disse Shifter. "Algo poderá acontecer a respeito destas questões que nunca aconteceu antes, que é um debate aberto. Este é o estilo de Obama."

Prior Beharry, em Port of Spain, Trinidad, contribuiu com reportagem

Tradução: George El Khouri Andolfato

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