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19/04/2009

Ajudando as mulheres a atingir o seu potencial em matemática

The New York Times
Tania Mohn
As explicações variam, mas o fato permanece: muitas mulheres não estão atingindo o seu potencial integral em matemática, e isso pode prejudicá-las no mercado de trabalho. Allannah Thomas está trabalhando para mudar essa situação por meio do Helicon, um grupo sem fins lucrativos de Nova York especializado na instrução de matemática a mulheres de baixa renda.

"Vocês obterão melhores empregos, melhores salários, trabalhos mais interessantes e terão um futuro, se aperfeiçoarem as suas habilidades matemáticas", disse Thomas recentemente a um grupo de 24 mulheres. Ela estava prestes a dar uma aula de revisão sobre frações, números mistos e outros assuntos básicos a fim de ajudá-las com testes para programas de treinamento profissional. A turma fazia parte de um programa chamado Emprego Não Tradicional para Mulheres, que treina mulheres para empregos qualificados no setor de construção e outras indústrias.

Thomas criou o Helicon em 1999 para combater a falta de proficiência em matemática entre as mulheres de baixa renda. Como única professora, ela deu aula a mais de 5.000 mulheres (e homens também) sobre fundamentos de contabilidade e ajudou-as a se prepararem para os testes GED (sigla em inglês de Desenvolvimento Geral de Educação). Ela ensinou, por exemplo, percentagens a potenciais trabalhadoras do setor de comércio, e outros tópicos da matemática voltados para mulheres que buscavam empregos como caixas de banco ou no setor de saúde.

Entre os seus clientes estão sindicatos, organizações de treinamento profissional e de estágios, agências de serviço social e hospitais. Ela também dá muitas aulas como voluntária.

Em todos os Estados Unidos, as mulheres estão subrepresentadas em muitos empregos que exigem sólidos conhecimentos matemáticos. As mulheres representam apenas 13,5% da força de trabalho em arquitetura e engenharia, e somente 2,5% nas ocupações vinculadas à construção, segundo dados de 2008 do Departamento de Estatísticas Trabalhistas.

Beth Casey, professora de psicologia aplicada de desenvolvimento educacional no Boston College, que estuda diferenças entre os sexos na matemática, diz que as pesquisas sugerem que os meninos começam a obter uma pequena vantagem em matemática na segunda metade do segundo grau, e que essa vantagem aumenta na escola de segundo grau, embora nos últimos anos isso ocorra de forma menos drástica.

Segundo Casey, as diferenças entre os sexos é maior nas áreas da matemática que dependem de raciocínio espacial, como a geometria, as medições e o cálculo. Isso pode afetar a escolha de profissão, e os homens têm uma probabilidade maior do que as mulheres de escolher áreas como a engenharia e a carpintaria.

O motivo pelo qual os homens e as mulheres diferem em termos de habilidades matemáticas é motivo de debates. Não é uma questão clara, já que, segundo Casey, há a influência e a interação de fatores biológicos e ambientais. "As mulheres não são universalmente piores do que os homens em matemática", diz ela.

O que muitas vezes afasta as mulheres dessa área é a autoconfiança, que cai drasticamente da quinta à oitava série. De acordo com Casey, este é considerado o motivo pelo qual tantas mulheres não escolhem áreas ligada à matemática. "Mas muitas garotas e mulheres têm potencial para melhorar as suas habilidades espaciais ao ponto de terem bastante sucesso em áreas que exigem tais habilidades", afirma ela.

Thomas observou esses problemas pela primeira vez quando era professora de matemática do segundo grau, duas décadas atrás. E quando trabalhou em vários empregos na área de serviço social na década de 1990, ela entrou em contato com muitas mulheres que tinham dificuldades com a matemática, o que a estimulou a criar o Helicon.

Quando trabalhava na área de serviços sociais, ela conheceu mulheres que queriam criar ou expandir pequenas empresas; algumas que se saíam muito bem na parte verbal dos seus negócios, mas ficavam paralisadas pelas partes que envolvem matemática na pesquisa de mercado e análise fiscal. Outras mulheres - auxiliares de enfermagem e funcionárias do setor de saúde doméstica que desejavam tornarem-se enfermeiras - muitas vezes viam os seus sonhos serem destruídos devido à incapacidade de resolver os problemas matemáticos exigidos nos exames de admissão (quem faz o teste pode ser solicitado a converter doses adultas de remédio em várias doses infantis, com base no peso dos pacientes, por exemplo). E ela viu mulheres que tinham dificuldades com a parte de matemática do teste GED. Em Nova York, o índice de reprovação das mulheres na parte de matemática é consistentemente maior do que o dos homens, segundo dados do Departamento Estadual de Educação.

Ela diz que no seu atual trabalho descobriu que, embora a capacidade individual varie, quase todo mundo pode melhorar. Ela conta como, há vários anos, uma mulher cujos conhecimentos matemáticos eram do nível da quarta série veio assistir a uma das suas aulas. Após fazer uma revisão intensiva de oito semanas de matemática básica e assistir a várias aulas preparatórias para provas, ela acertou 98% das questões no exame do Sindicato dos Carpinteiros, tendo obtido a nota mais alta da classe.

O estilo de ensino de Thomas tem sido chamado de campo militar de matemática, porque ela enfatiza os fundamentos tradicionais: tabelas de memorização e multiplicação, por exemplo, e o uso de testes e provas cronometrados. Ela diz que, quando se domina os fundamentos com este método, a matemática passa a fazer parte da pessoa e inspira confiança.

Roselyn Colon, 31, uma ex-aluna do Bronx, diz: "Se a primeira tentativa dela não der resultado, ela tenta outras estratégias até que o aluno aprenda". Uma outra ex-aluna, Heather McHale, 36, do Queens, afirma: "Ela é da escola antiga. Você faz as coisas repetitivamente até memorizar".

As duas mulheres assistiram a várias das aulas de Thomas no ano passado e em setembro tornaram-se aprendizes na Irmandade Internacional de Trabalhadores do Setor Elétrico, onde ganham US$ 11 por hora com aumentos anuais de salário. Elas dizem que após um estágio remunerado de cinco anos e meio, ganharão cerca de US$ 47 por hora.

Algumas mulheres que assistem às aulas já tem fortes habilidades matemáticas que só precisam ser aperfeiçoadas. Uma das ex-alunas de Thomas, Matilde Santana, 45, do Queens, diz: "Eu era muito boa em matemática, mas fiquei sem usar alguns dos meus conhecimentos matemáticos por cerca de 20 anos". Ela trabalhou no setor de moda durante 13 anos, mas ficou desempregada por dois anos até assistir às aulas de Thomas alguns anos atrás.

Ela trabalha na Consolidated Edison desde setembro de 2006 como assistente-geral, e foi promovida em março. "Acredito que, se não tivesse assistido às aulas de matemática, a minha situação poderia ser hoje totalmente diferente", afirma Santana.

Tradução: UOL

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