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19/04/2009

Benefícios para desempregados nos EUA não aumenta há 10 anos

The New York Times
Perca seu emprego em Boston, Pittsburgh, Seattle ou Trenton, Nova Jersey, e você pode receber US$ 544 ou mais por semana em benefícios de desemprego. Mas seja demitido na cidade de Nova York, como quase 200 mil trabalhadores no ano passado, e o máximo que receberá é US$ 430 por semana.

Apesar de seu alto custo de vida, Nova York paga menos para seus desempregados do que cerca de doze outros Estados, incluindo todos os seus vizinhos. Os benefícios de Nova York não receberam aumentos do Legislativo em Albany em mais de uma década, tornando especialmente difícil para os trabalhadores desempregados da região metropolitana pagarem sua comida, aluguel e seguro de saúde.

Michael Sklar, 51, disse que voltou a pedir ajuda financeira para seus pais depois de vários meses tentando sustentar sua família com três pagamentos de seguro desemprego que ele recebe do Estado de Nova York.

O sistema de seguro desemprego foi elaborado para substituir temporariamente cerca de metade da renda perdida dos trabalhadores demitidos, mas os benefícios de Sklar chegam a apenas um quinto do que ele disse que recebia como um analista de sistemas sênior para a Sony Music Entertainment em Manhattan antes de ser demitido em agosto passado.

A maior parte de seu seguro desemprego vai para pagar a conta do seguro de saúde de US$ 1.300 por mês para sua família que ele obteve pela Sony. Para cobrir o resto das despesas da família, incluindo a mensalidade da faculdade de seu filho, Sklar tem usado seu fundo de garantia e economias, diz. Ele e sua mulher cortaram supérfluos como filmes e jantares fora.

Eles ocasionalmente freqüentam aulas de culinária gratuitas em um restaurante Mexicano em Hackensack, Nova Jersey, para desfrutar das refeições do curso.

Sklar, que mora em Fort Lee, Nova Jersey, diz que considerou entrar com pedido de falência mas evitou fazer isso ao emprestar dinheiro de seus pais, que estão na casa dos 80 anos de idade. "Eu não deveria chegar paraos meus pais, como um homem de 51 anos, e pedir dinheiro", diz ele.

Sustentar uma família com o seguro desemprego pode ser um desafio em qualquer lugar do país, até em Massachusetts, onde o trabalhador desempregado pode receber mais de US$ 650 por semana, o pagamento mais alto de todo o país.

Mas a situação se tornou mais grave em Nova York porque o sistema de seguro desemprego do Estado não ajusta os valores dos benefícios anualmente para compensar a inflação, como fazem os Estados vizinhos.

O seguro desemprego que Alison Moran recebe toda semana é de apenas US$ 25 a mais do que a última vez que ela ficou desempregada, há oito anos. E esse aumento só aconteceu por causa do pacote de estímulo federal. Quando Moran foi demitida em março de seu cargo de responsável pelas comunicações internas em uma editora, ela teve uma sensação de deja vu em relação a seu seguro desemprego.

"Eu fiquei um tanto surpresa com o fato de que o valor não mudou", diz Moran, que mora com o marido em Bay Ridge, Brooklyn. O valor mais alto do Estado era de US$ 405 por semana desde 1998, antes de ser temporariamente aumentado para US$ 430 pela medida de estímulo do governo Obama.

Em Albany, sede do legislativo do Estado, leis que aumentariam os benefícios gradualmente ao longo dos próximos cinco anos para um valor de US$ 625 por semana esperam aprovação. A medida, que tem o apoio de sindicatos mas é combatida por grupos de empresários, não saiu das comissões da Assembléia ou do Senado, diz um porta-voz da deputada Susan V. John, de Rochester, que lidera a Comissão de Trabalho.

Os aumentos propostos teriam de ser atrelados a um aumento no imposto sobre a folha de pagamento que financia o sistema de seguro desemprego, coisa que os lobistas da comunidade empresarial têm conseguido impedir há anos.

Até que os legisladores do Estado concordem em mudar o sistema, os desempregados de Nova York continuarão com benefícios que não cobrem o aluguel médio de um apartamento pequeno em Manhattan, que ainda custa cerca de US$ 2 mil por mês. Em Massachusetts, o máximo benefício semanal, excluindo acréscimos para dependentes, é de US$ 653.

Em Nova Jersey, é de US$ 609, US$ 544 em Connecticut e US$ 583 na Pensilvânia. O benefício do Estado de Washington aumentará de US$ 566 para US$ 611 em maio.

A maioria dos novaiorquinos que ganhavam mais de US$ 42 mil por ano antes de perder seus empregos estão qualificados para receber o benefício máximo. Na cidade de Nova York, quase metade —43%— dos beneficiários recebem o benefício máximo de US$ 430, de acordo com o Departamento de Trabalho. Os que recebem menos do que o benefício máximo também ganham menos do que receberiam em outros Estados.

A última vez que Moran perdeu o emprego, algumas semanas depois do ataque terrorista de 11 de setembro, ela tinha pouco mais de 30 anos, e morava num apartamento alugado. Mesmo assim, ajustar-se para viver com os cheques de desemprego não foi fácil, diz ela. "Foi difícil me virar na época", ela lembra. "Mas pelo menos o pagamento cobria o aluguel. Agora nós temos um financiamento."

Moran conseguiu obter seguro de saúde como dependente do marido que trabalha para a cidade. Do contrário, diz ela, ela teria de pagar mais de US$ 900 por mês para manter o plano de saúde que seu antigo empregador a fornecia.

Ainda assim, a renda reduzida e o medo de que o marido também seja demitido fizeram com que eles mudassem seus hábitos de consumo às pressas. Ele almoça no trabalho; os jantares fora e serviços de delivery são raros; e eles adiaram os planos de tirar férias.

Mesmo os novaiorquinos mais novos e com menos compromissos estão com dificuldades de fazer render os benefícios de desemprego para cobrir os custos da vida na cidade.

Cara Weissman, que trabalhava selecionando elenco para reality shows em um dois canais a cabo da MTV antes de perder o emprego em dezembro, disse que estava guardando o dinheiro do cartão de metrô —US$ 81 por mês—, optando por sair de bicicleta de seu apartamento em Astoria, Queens. Alguns dias, ela pedala uma hora e vinte minutos para o mercado de Fairway em Red Hook, Brooklyn, e almoça comida de degustação enquanto faz suas compras, diz ela.

Weissman, 27, diz: "já fazia três anos que eu não precisava pensar em quando chegaria meu próximo pagamento". Quando recebeu a notícia de sua demissão, ela ficou chocada ao saber da escassa quantia que receberia do Estado."Sempre pensei que fosse um pouco mais do que isso", diz ela. "Achava que era quinhentos e alguma coisa, ou mais".

Mais do que o seguro de uma semana é gasto todos os meses com a mensalidade de US$ 514 que ela paga para manter o seguro de saúde que ela tinha por meio da Viacom, que é dona da MTV, diz Weissman.

"Eu estou cortando os luxos que gostava de desfrutar, como tomar o metrô", diz ela. "Eu não saio mais tanto quanto costumava e quando saio, não bebo mais tanto. Eu vivo procurando por promoções de happy hour".

Além disso, diz ela, descobriu que "é mais provável que os amigos lhe paguem uma bebida quando você está desempregado".

Tradução: Eloise De Vylder

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