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20/04/2009

Como aumentar o QI

The New York Times
Nicholas D. Kristof
Pessoas pobres têm um QI significativamente mais baixo do que as ricas, e o conhecimento convencional afirma que isso é principalmente uma função genética.

Afinal, vários estudos pareciam indicar que o QI é em grande parte hereditário. Gêmeos idênticos criados separadamente, por exemplo, têm QIs muito semelhantes. Eles são até mais próximos em média do que gêmeos fraternos que crescem juntos.

Se a inteligência está profundamente codificada em nossos genes, isso levaria à conclusão deprimente de que nem a escolaridade nem os programas de combate à pobreza podem fazer muito. Mas apesar de essa visão do QI como algo inevitavelmente herdado ter sido sustentada amplamente, existem cada vez mais provas de que, num nível prático, ela está profundamente equivocada. Richard Nisbett, professor de psicologia na Universidade de Michigan, acaba de demolir esta visão em seu excelente novo livro "Intelligence and How to Get It" [algo como "A Inteligência e Como Obtê-la"], que também oferece ótimos conselhos para tratar a pobreza e a desigualdade nos Estados Unidos.

Nisbett oferece sugestões para transformar seus "trombadinhas" em gênios - valoriza o esforço mais do que o sucesso, ensina a gratificação demorada, limita as críticas e usa o elogio para estimular a curiosidade - mas se concentra em elevar o QI coletivo dos EUA. Isso é importante, porque mesmo apesar de o QI não medir o intelecto puro - não temos certeza do que exatamente ele mede - as diferenças importam, e um QI mais alto corresponde a um maior sucesso na vida.

A inteligência parece ser um fator hereditário principalmente nas famílias de classe média, e esse é o motivo dos resultados dos estudos com gêmeos: poucas crianças pobres foram incluídas nos estudos. Mas o professor Eric Turkheimer da Universidade de Virgínia conduziu mais pesquisas demonstrando que nas famílias mais pobres e caóticas, o QI não depende tanto da genética - porque todos estão estacionados.

"Ambientes ruins suprimem o QI das crianças", diz Turkheimer.

Uma medida disso é que quando as crianças pobres são adotadas por famílias de classe média alta, seus QIs aumentam em 12 a 18 pontos, dependendo do estudo. Por exemplo, um estudo francês mostrou que crianças de famílias pobres adotadas por lares de classe média alta tinham um QI de 107 em um teste e 111 em outro. Seus irmãos que não foram adotados atingiram a média de 95 pontos em ambos os testes.

Outra indicação da maleabilidade é que o QI aumenta consideravelmente com o tempo. De fato, o QI médio de uma pessoa em 1917 seria de apenas
73 pontos num teste atual de QI. Metade da população de 1917 seria considerada mentalmente retardada pelas medidas atuais, diz Nisbett.

A boa escolaridade tem uma relação próxima com o QI alto. Uma indicação da importância da escola é que o QI das crianças cai ou fica estagnado nos meses de verão, quando estão de férias (isso é válido principalmente para as crianças que não são obrigadas a ler ou participar de programas de ensino de verão pelos pais).

Nisbett defende fortemente uma educação intensiva no começo da infância por conta de sua eficiência comprovada em aumentar o QI e melhorar os resultados a longo prazo. O Projeto Milwaukee, por exemplo, pegou crianças afro-americanas consideradas em situação de risco para debilidade mental e destinou-as aleatoriamente para um grupo de controle que não recebeu nenhuma ajuda, e para um grupo que recebeu cuidado intensivo diário e educação desde os seis meses de idade até que a entrada no primeiro grau.

Aos cinco anos, as crianças do programa tiveram um QI médio de 110 pontos, comparados aos 83 pontos do grupo de controle. Anos mais tarde, na adolescência, as crianças do programa ainda estavam 10 pontos à frente no QI.

Nisbett sugere colocar menos dinheiro no programa Head Start [programa de assistência para crianças de baixa renda], que tem um resultado variável, e mais nos programas intensivos para a infância. Ele também observa que as escolas do programa Conhecimento é Poder (conhecido como KIPP) tiveram ótimos resultados nos testes e favorecem experimentos para ver se podem ser melhorados.

Outra intervenção comprovada é dizer aos estudantes que ingressam no colegial que o QI pode ser expandido, e que a inteligência é algo que eles podem moldar. Os alunos expostos a essa ideia trabalham melhor e tem notas mais altas. Isso é verdade sobretudo para as meninas em relação à matemática, aparentemente porque algumas assumem que têm uma desvantagem genética para os números; sem essa desculpa para o fracasso, elas se superam.

"Algumas das coisas que funcionam são muito baratas", diz Nisbett.
"Convencer os ingressantes no colegial de que podem controlar sua inteligência - pode-se dizer que isso deveria estar no currículo do colegial agora mesmo".

A nova pesquisa sobre a inteligência implica que o pacote de estímulo econômico deveria ser também um programa de estímulo intelectual.
Pelos meus cálculos, se incentivássemos a educação na primeira infância e apoiássemos as escolas nos bairros pobres, poderíamos talvez aumentar o QI coletivo dos Estados Unidos em um bilhão de pontos.

Para isso, não deveríamos pensar duas vezes.

Tradução: Eloise De Vylder

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