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24/04/2009

Destino de detentos iemenitas complica plano para fechar Guantánamo

The New York Times
William Glaberson e Robert F. Worth
Os esforços do governo Obama no sentido de mandar o maior grupo de detentos da Baía de Guantánamo de volta para o Iêmen, o seu país de origem, empacaram, criando um novo e grande obstáculo para o plano do presidente de fechar o campo de prisioneiros em Cuba em janeiro próximo, segundo informam autoridades norte-americanas e iemenitas.

"Chegamos a um impasse total", diz uma autoridade que está envolvida na questão, mas que pediu anonimato por estar falando sem autorização superior. "E eu não sei se existe um plano B viável".

O governo iemenita pediu a Washington que extraditasse os detentos, e afirmou que precisará de uma ajuda substancial para reabilitá-los. Mas o governo Obama está cada vez mais cético em relação à capacidade do Iêmen de proporcionar reabilitação adequada e segurança para a supervisão dos prisioneiros que voltarem. Além disso, as autoridades norte-americanas temem enviar os detentos ao Iêmen devido aos indícios cada vez maiores da atividade da Al Qaeda naquele país.

A questão é importante para o governo Obama porque os 97 detentos iemenitas representam mais de 40% do total de 241 prisioneiros que ainda permanecem na Baía de Guantánamo. "Determinar o que será feito com eles é fundamental para o processo de fechamento de Guantánamo", diz Ken Gude, diretor do Centro para o Progresso Americano, que escreveu a respeito da extinção do campo de prisioneiros.

O impasse quanto aos detentos iemenitas surge em meio a outras dificuldades que emergiram desde que o presidente Barack Obama anunciou a sua intenção de fechar a prisão, que há anos é alvo de críticas internacionais.

Alguns parlamentares republicanos têm resistido obstinadamente ao fechamento de Guantánamo, e certas autoridades em algumas comunidades norte-americanas, temendo que os suspeitos de serem terroristas possam ser julgados ou presos, dizem que lutarão contra qualquer plano do gênero. Além disso, embora alguns governos europeus tenham prometido receber os detentos, tem havido muita lentidão para que sejam firmados acordos específicos quanto a isso.

Os iemenitas não só são o maior grupo de detentos, mas são também tidos por muita gente como o grupo mais difícil de se transferir de Guantánamo. Outros países temem vários dos detentos iemenitas porque grupos jihadistas possuem há muito tempo raízes profundas no Iêmen, um dos países mais pobres do mundo árabe e terra natal do pai de Osama Bin Laden. Segundo os advogados dos detentos e grupos de direitos humanos, caso os iemenitas não sejam mandados de volta para casa, poderia haver poucas outras opções para muitos dos 97 homens.

Mesmo assim, Muhi al-Deen al-Dhabi, o vice-ministro de Relações Exteriores do Iêmen, disse em uma entrevista que os Estados Unidos estão tentando neste momento persuadir outros países a aceitar os detentos iemenitas, e parecem ter rejeitado o pedido de extradição dos seus cidadãos presos em Guantánamo.
"Se os Estados Unidos decidirem transferir os detentos iemenitas para um terceiro país, não poderemos impedir isso", afirmou Dhabi.

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, reuniu-se no mês passado com o vice-assessor de Segurança Nacional de Obama, John O. Brennan. De acordo com o Departamento de Estado, Brennan falou "sobre a preocupação do governo dos Estados Unidos quanto ao retorno direto dos detentos ao Iêmen".

O governo Bush não conseguiu chegar a um acordo com Saleh, mas o governo Obama esperava obter uma maior cooperação do Iêmen, que segundo os críticos é conhecido por tratar bem os extremistas islâmicos e libertar terroristas condenados. Para complicar a tarefa existe o fato de que a segurança no Iêmen vem se deteriorando há mais de um ano. Houve vários atentados terroristas no país, incluindo um ataque suicida à bomba em frente à Embaixada dos Estados Unidos, em setembro do ano passado, que matou 13 pessoas.

Entre os 97 detentos iemenitas há alguns homens que parecem ser candidatos à transferência para outros países, incluindo cerca de uma dúzia que possuem vínculos com a Arábia Saudita. As autoridades norte-americanas descreveram alguns dos iemenitas como sendo combatentes jihadistas e sugeriram que outros, como um estudante que foi capturado quando visitava outros iemenitas no Paquistão, podem simplesmente ter dado o azar de estar no lugar errado no momento errado.

Talvez mais de doze detentos iemenitas enfrentem um julgamento nos Estados Unidos, incluindo Ramzi bin al-Shibh, que foi acusado pelo sistema de comissão militar do governo Bush de ser um dos coordenadores dos ataques de 11 de setembro de 2001.

Mas, faltando apenas nove meses para o prazo estabelecido por Obama - janeiro de 2010 - para o fechamento da prisão, alguns advogados dos detentos dizem que estão se convencendo de que pode não haver nenhuma estratégia viável para transferi-los.

David H. Remes, advogado de 16 detentos iemenitas, diz que, ao que parece, muitos dos homens poderão permanecer sob a custódia norte-americana. "A menos que o presidente Obama reconsidere a sua decisão de fechar Guantánamo, os detentos iemenitas terão que ser trazidos para os Estados Unidos e colocados em algum tipo de prisão", diz Remes.

Embora as autoridades do governo não façam comentários sobre as conversações com o Iêmen, um membro de alto escalão da administração federal diz que o governo está "trabalhando no sentido de garantir que todos os detentos que sejam transferidos para o exterior sejam apropriadamente monitorados, reabilitados e reintegrados à sociedade".

As complexidades das questões em torno dos detentos são um reflexo do emaranhando de problemas domésticos e internacionais do Iêmen. Trata-se de um Estado que muitas vezes parece estar à beira do caos. Um governo central fraco lutando contra os separatistas do norte, separatistas irrequietos no sul e uma presença mais acentuada da Al Qaeda.

Tradução: UOL

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