UOL Notícias Internacional
 

27/04/2009

Uma família dividida entre o legal e o ilegal

The New York Times
Por David Gonzalez
Em Nova York (EUA)
Para o pai, a escolha era óbvia: um engenheiro com vários empregos e ainda assim pouco dinheiro, ele não via futuro para sua filha e seu filho num Equador com dificuldades. Há oito anos, ele pagou "coiotes" [nome dado às quadrilhas de imigração ilegal nos EUA] para entrar no Texas, e então foi para Nova York, para onde sua mulher e filhos voaram como turistas, e ficaram.

Um imigrante em Nova York

Mas as consequências dessa decisão - o impulso perene dos imigrantes de perderem suas raízes para o benefício da próxima geração - foram tudo, menos simples.

A filha foi muito bem no colegial em Queens e se formou na universidade com honras, mas aos 22 continua morando no país ilegalmente. Então enquanto seus colegas do curso de contabilidade têm empregos corporativos lucrativos e tiram férias no exterior, ela faz as contas de um pequeno negócio administrado por imigrantes, teme sair da cidade e não consegue uma carteira de motorista no país que ela passou a amar.

Enquanto isso, seu irmão de 17 anos, que nasceu nos Estados Unidos durante uma estadia anterior dos pais, e é portanto um cidadão americano, têm privilégios que sua família não tem, como passar as férias de verão no Equador com os primos. No entanto, ele passa as tardes sozinho e entediado, e declarou no outono passado que queria voltar para o antigo país.

"Como ele pode pensar nisso?", diz a mãe, estupefata. "Estamos nos sacrificando para conseguir uma educação e um emprego melhor. Depois de desistir de tudo para vir para cá, ele - o único que tem documentos - quer voltar?"

Esses quatro - que só permitiram que um repórter e um fotógrafo os acompanhassem se permanecessem anônimos, por medo de serem deportados - são parte de um grupo cada vez maior que é chamado com frequência de famílias de situação mista. Quase 2,3 milhões de famílias sem documentos, das quais cerca de três quartos estão nos EUA ilegalmente, tem pelo menos um filho que é cidadão americano, de acordo com o Centro Hispânico Pew. Quase 40 mil delas têm filhos tanto com cidadania quanto sem.

Esse número é alimentado por uma onda interminável de imigração ilegal, e pelas leis federais que negam a situação legal para crianças nascidas no exterior - que não tiveram escolha ao se mudarem para os EUA - enquanto fornecem a cidadania para seus irmãos nascidos no país.

E conforme esse número aumenta, eles desafiam os estereótipos mais rígidos dos imigrantes do século 21: de que encaixam-se perfeitamente em dois grupos distintos - de imigrantes legais ou ilegais, que estão aqui para ficar ou para desistir e voltar para casa. De que são principalmente homens sozinhos, que podem fazer escolhas independentes.

Na verdade, a maioria dos imigrantes vive em família, com uma mistura de situações legais, oportunidades e sonhos. Passar um tempo com esta família do Queens é ver, de perto, como as disparidades crescentes entre os lares de imigrantes estão empurrando seus membros para direções opostas e complicando os esforços para planejar um futuro em comum.

Os quatro estão agora divididos entre duas casas, e entre os que desejam ficar e os que querem voltar para o Equador - uma situação que vive mudando. A filha, apesar dos incansáveis esforços para seguir em frente, sente que está perdendo terreno e se preocupa com o fato de o irmão menosprezar a cidadania. Este, apesar da liberdade, carrega o peso das maiores esperanças da família.

A situação deles também é confusa de formas menos óbvias. A mãe, 47, que abandonou uma carreira incipiente no Equador como analista de sistemas e agora trabalha como babá para sobreviver, não teve nem de longe as mesmas oportunidades que o pai, também com 47 anos, teve nos EUA com um bom emprego como projetista. Cada vez mais insatisfeita, ela tentou em vão usar a cidadania do filho para conseguir um green card que garantisse a ela a residência permanente.

Mesmo assim, eles são uma família amorosa, numa situação bem melhor do que muitos imigrantes, e têm uma vida confortável numa cidade que recebe bem os estrangeiros, com ou sem papéis. Os pais estão entre uma proporção crescente de imigrantes ilegais com diplomas superiores - acredita-se que pelo menos um em cada quatro imigrantes têm curso superior - que abandonam suas carreiras no país de origem para tentar lançar seus filhos na classe média norte-americana em apenas uma geração.

Mas como cada ano traz novas frustrações, eles passam a ouvir uma contagem regressiva para pressionar seus filhos ainda mais. Apesar de todas as ambições da filha, a mãe nunca perde a chance de sugerir uma simples solução para seu impasse profissional: encontrar um marido norte-americano.

Num sábado a noite no mês passado, a família se reuniu para comemorar o 22º aniversário da filha num restaurante chinês onde a maior parte das mesas estavam preenchidas por uma barulhenta recepção de casamento. Enquanto esperavam, sob luzes de discoteca, por pratos com porco e frutos do mar, os pais perguntaram aos filhos sobre seus planos - em relação aos estudos, ao trabalho e a vida.

O filho foi vago, como de costume, dizendo apenas que ele queria ir para a faculdade. A filha, como sempre, tinha seu futuro elaborado com detalhes: fazer mestrado, trabalho comunitário, uma vida de serviço e independência.

Mas eles mal conseguiam se ouvir por conta das batidas de dance music em todo o restaurante. E quando ergueram o brinde para o noivo e a noiva, o barulho ficou mais alto. Dezenas de convidados batiam com as colheres nos copos.

A mãe sorriu e inclinou-se para perto da filha. Se ela se casasse, "era assim que deveria ser', sugeriu a mãe. "Todo mundo fazendo barulho".

A filha desviou o olhar em silêncio.

Uma educação cara
A garota era inteligente, muito inteligente. Com sete anos ela trabalhava no caixa da loja de suprimentos para escritório de seus pais no Equador. Aos nove, ela entusiasmou-se com matemática, debruçando-se sobre o dever da escola muito depois que todos já tinham ido dormir.

E ao se aproximar de seu aniversário de 14 anos, o pai começou a pensar no impensável: levar a família de volta para os Estados Unidos para colocá-la na faculdade.

Eles já tinham ido para lá. Depois de se formar em primeiro lugar de sua turma na Universidade Politécnica de Quito, ele se mudou para Nova York em 1986 - legalmente, com um visto de estudante - para fazer um mestrado em engenharia no City College, com a intenção de voltar para sua casa e esposa.

Mas quando o casal ficou sabendo que ela esperava o primeiro filho, ele largou o curso e começou a trabalhar numa fábrica - violando os termos de seu visto - e conseguiu com que a mulher e a filha recém-nascida entrassem no Texas e fossem para Nova York, onde ele sentia que podia sustentá-las mais facilmente.

"Eu sabia que estava entrando na ilegalidade", disse o pai, um homem jovem e em forma com um jeito prático de engenheiro. "Foi uma decisão muito difícil de tomar. Mas eu tinha que sustentá-las".

Mais tarde, eles se mudaram para Miami e tiveram seu filho, que nasceu cidadão americano. Mas as esperanças de uma vida próspera nos EUA os abandonaram, e em 1992 voltaram para Ambato, eixo agrícola do Equador onde o pai havia crescido.

Depois, quando a filha acelerou seus estudos na escola católica de lá, pulando duas séries e ultrapassando seus colegas, o pai ficou preocupado com a qualidade do ensino no Equador, onde a economia estava entrando num caos. Ele decidiu dar a ela, e ao irmão, a educação americana que ele mesmo não chegou a concluir.

Seu próprio pai - um homem com educação superior que sustentou dez filhos e se tornou chefe das oficinas de reparo da ferrovia nacional do Equador - abençoou a mudança de volta para os Estados Unidos. Ele havia ensinado o filho a fazer o que fosse necessário para sustentar sua família. "Ele sempre disse que você deve ir para cama pensando sobre o que vai fazer amanhã", diz o filho.

O pai de sua mulher, entretanto, tinha um lema diferente: sempre manter a família unida. Ela ficou desolada com a perspectiva de deixar a sua, um clã unido de profissionais urbanos que imploraram para ela ficar.

Sua primeira temporada nos EUA tinha sido humilhante para ela, uma universitária graduada que teve de trabalhar numa fábrica de colchões onde seus supervisores indianos a chamavam de "muchacha".

"Você sabe como é isso?", perguntou a mãe, uma mulher de uma firmeza silenciosa. "Estar cercada de tantas pessoas sem educação? Mas eu tinha que estar do lado do meu marido."

Eles chegaram em Nova York em 2001. O pai encontrou trabalho numa companhia de construção de Queens, propriedade de imigrantes chineses. Ele tirava medidas precisas dos canteiros de obras e os transformava em desenhos computadorizados. Ele ganha mais do que ganharia no Equador, e aproveita a chance de demonstrar suas habilidades e transitar pela cidade, em escritórios bem equipados e arranha-céus.

A mãe, enquanto isso, toma conta de crianças em apartamentos pequenos, bem diferentes da casa ampla e moderna na qual cresceu.

As discrepâncias entre suas vidas causaram atritos numa relação já desgastada; eles se separaram há quatro anos. As crianças passam a maior parte da semana com o pai, no sótão estreito de uma casa escura em Elmhurst, Queens, na casa do irmão dele, um residente legal que chegou nos anos 70. Nos fins de semana, elas pegam o metrô e um ônibus para o apartamento de subsolo que a mãe aluga em outro bairro de Queens, Bayside.

Com todo o trabalho e as viagens resta pouco tempo para a família estar junta. Às vezes o pai leva o filho a jogos de futebol, onde ele e outros imigrantes falam sobre amigos que voltaram para casa ou morreram. A mãe fala com frequência com suas três irmãs no Equador através de uma webcam, e enche seu iPod de músicas melancólicas de sua terra natal. Como a mais aventureira das irmãs - a que primeiro aprendeu a dirigir - ela sente uma inquietação cada vez maior.

Ao voltar para casa de uma aula de meditação num domingo em fevereiro, ela mal tirou o casaco para chocar as crianças com um anúncio: "Acho que vou para Seattle". Uma amiga do curso de meditação disse a ela que não era necessário ter número de Seguro Social para obter a carteira de motorista em Washington.

A filha ficou alarmada, temendo que a mãe fosse presa na viagem. Mas a mãe levou a ideia adiante, comprando passagens de avião para ela e o filho. Ela pediu para a filha ajudá-la a encontrar um hotel.

Em vez disso, a filha passou a noite em claro conversando com uma amiga que havia conseguido a carteira de motorista em Washington. Ela disse que a mãe teria que pagar US$ 3 mil por documentos falsificados comprovando sua residência e emprego. A primeira coisa que fez na manhã seguinte foi ligar para a mãe. "Não tem como você se qualificar", disse ela. "É muito perigoso e você pode ser pega".

A mãe concordou com relutância em desistir da viagem, e das centenas de dólares que perdeu com a compra das passagens.

"Minhas esperanças se foram", disse recentemente. "Agora estamos apenas focados na educação das crianças e no seu futuro. Deixe que eles atinjam seus objetivos e tenham seus sonhos".

Primeira filha, segunda classe
Em seus dias de folga, a filha ocasionalmente vai a um concerto ou sai para jantar. Mas certa tarde num barulhento restaurante colombiano em Jackson Heights, seus olhos desviaram do café em direção à calçada ao longo da avenida Roosevelt, lotada de imigrantes ilegais que trabalham duro nas cozinhas ou limpam casas.

"Eu costumava achar que eu era diferente porque fiz faculdade", diz ela, que fala mansamente e ainda é capaz de passar por uma aluna de colegial. "Mas não sou melhor do que ninguém. Assim como eles, eu não tenho documentos. Então sou apenas uma entre milhões."

Ela também está entre os cerca de 65 mil jovens que se formam no segundo grau nos EUA a cada ano sem documentos, de acordo com o Urban Institute, um grupo de pesquisas de Washington D.C. Como muitos filhos trazidos para os EUA ilegalmente por seus pais, ela começou a compreender exatamente o que isso significava quando perguntou a uma conselheira escolar sobre universidades.

"Ela me pediu meu número de Seguro Social", lembra-se. "Ela disse que não poderia me ajudar com as inscrições sem ele. Então fui para casa e pedi meu número para o meu pai. Ele me disse: 'Você não tem um'".

Ela logo ficou sabendo de outras coisas que não teria: as bolsas que os professores garantiram que ela ganharia, a chance de frequentar uma faculdade for a do Estado, ou qualquer esperança de amenizar as consequências da mudança de seus pais para os EUA. É quase impossível para uma criança imigrante ilegal tornar-se um residente legal sem voltar para o país de origem, e esperar o tempo exigido de dez anos para pedir a cidadania.

Para a filha, isso está fora de questão. "Todos os meus amigos estão aqui", diz ela. "Tudo o que conheço está aqui. Se eu voltasse, ficaria perdida".

Acadêmicos que estudam famílias de imigrantes ilegais dizem que normalmente os filhos mais velhos são os que reconhecem o sacrifício dos pais e trabalham mais duro para vencer. Mas esses são os que mais provavelmente nasceram fora dos EUA.

Por sorte para a filha, ela vive me Nova York, um dos dez estados que permite que imigrantes ilegais paguem taxas de residentes nas universidades públicas. Com US$ 5 mil por ano do pai e que conseguiu como babá, ela freqüentou uma faculdade bem qualificada na City University de Nova York e cursou contabilidade.

Mas a jovem tão familiar com os números ainda não tem o número de Seguro Social que precisa para concorrer a um emprego ou estágio de verão. Então, enquanto seus amigos - muitos deles filhos de imigrantes, mas com documentos - conseguem empregos de US$ 70 mil por ano, ela vasculhou os quadros de aviso da faculdade para encontrar uma pequena empresa disposta a assumir o risco de empregá-la por metade desse dinheiro.

"Às vezes eu queria chorar ou gritar", diz ela. "Alguns dos meus amigos sabiam que eu não podia concorrer a empregos corporativos. Mas outros que não sabiam me criticavam e me julgavam. Eles achavam que eu era preguiçosa ou burra de não concorrer."

Ela foi eventualmente contratada como contadora por uma pequena empresa que fornece aos imigrantes - ela ainda tem humor negro - informações sobre vistos e políticas do governo. Ela é paga pela folha de pagamento, graças ao número de identificação de impostos que o governo federal fornece às pessoas sem número de Seguro Social, e paga impostos - US$ 2 mil sobre a renda deste ano.

Apesar de mais qualificada e de receber salário mais baixo, ela raramente reclama. Em vez disso, ela e o namorado - um estudante universitário do México que também está ilegalmente no país - passam seu tempo livre como voluntários para o Conselho de Lideraça Juvenil do Estado de Nova York, um grupo de imigração que pressiona o Congresso para aprovar o Dream Act, que garantiria a legalização para universitários que foram trazidos ilegalmente para os Estados Unidos por seus pais.

Sua mãe prefere uma solução mais rápida: chutar o namorado e se casar com um americano. "Os fins justificam os meios", diz a mãe. "Eu digo a
ela: 'Pense nisso com distanciamento. Se não der certo, você sempre pode se separar'".

A princípio, a filha estava aterrorizada com a ideia de se casar por outros motivos que não o amor. Mas conforme outra temporada passa sem nenhuma mudança na política de imigração, ela começou a enfraquecer.

"Estou pensando, pode ser que valha à pena tentar, porque isso é muito frustrante", diz ela. "Estou cogitando".

"Ele é um rei"
Acima de um coração de plástico pendurado na parede, duas fotos no apartamento da mãe resumem as paixões dos filhos. A filha está de pé, radiante, com roupa de formatura. O filho, de shorts, brinca com seus primos numa praia da América do Sul.

O filho é muito ligado ao Equador. Como único membro da família que pode viajar com liberdade, ele passou três verões lá, jogando futebol e indo a parques de diversões com primos, incluindo dois garotos com quem ele se aproximou tanto que todos os chamam de trio "Los Compadres". De volta a Nova York, ele conversa com eles por e-mail e manda mensagens no Facebook.

Ele parece bem menos conectado emocionalmente ao Queens, onde depois da escola volta para um apartamento vazio para fazer seu dever de casa. A mãe se preocupa com ele. "Ele precisa do afeto de uma família", diz.

Mas a família, nos EUA e no Equador, insiste que ele fique nos Estados Unidos. "Como cidadão, todas as portas estão abertas para ele", diz a mãe. "Ele sabe que há uma diferença, que ele pode fazer coisas que nós não podemos".

Suas esperanças para ele às vezes beiram a impaciência. Enquanto mãe e filha assistiam "Hairspray" numa tarde de sábado, ele dormia em seu quarto escuro.

"Ele é um rei", disse a mãe, que espera que ele comece a trabalhar meio período, para aprender a se disciplinar e a gastar dinheiro. "No Equador, ninguém trabalha até se formar na faculdade. Mas estamos nos Estados Unidos agora, e uma sociedade diferente tem costumes diferentes. Ele deveria trabalhar".

"Ele quer trabalhar", insistiu a filha. "Mas meu pai não deixa. Quer que ele estude".

De fato, o pai o aconselhou a não ser seduzido pelo dinheiro rápido que leva outros rapazes da vizinhança a abandonarem a escola para trabalhar em lojas de conveniência ou obras por US$ 500 por semana. Preocupado com a queda das notas do filho, ele acompanha de perto seu desempenho escolar, encontrando-se com os professores com frequência.

A irmã do garoto também o acompanha de perto. Em muitas famílias de situação mista, os irmãos se separam. Os filhos mais velhos, sem documentos, normalmente têm que trabalhar duro para vencer e se ressentem dos privilégios que o filho mais novo tem como cidadão - principalmente se parecer que ele não tira vantagem disso, diz Walter Barrientos, fundador do Conselho de Liderança Juvenil.

A filha fala do irmão com um afeto explícito. Mas como ele continuava fora do alcance do ouvido, no outro quarto, ela revelou uma frustração crescente.

Ela o levou para encontros do grupo de jovens, mas ele não mostrou muito interesse em ajudar sua campanha pelo Dream Act. "Ele não vê como é difícil para nós não ter documentos", diz ela. "Ele vê como é para mim - eu não posso voltar para o Equador ou conseguir um emprego melhor. É triste, quando alguém perto dele está sofrendo".

Ela teme que ele se forme no colegial sem um plano sério. "Sabendo que eu não podia conseguir uma bolsa, isso me impulsionou ainda mais - e me impulsionou a trabalhar duro", diz ela. "Para ele, existem todas as possibilidades, mas ele não está pensando. É difícil saber o que ele está pensando".

De certa forma, o filho é apenas um adolescente de 17 anos típico, com poucas palavras. Seu pensamento na verdade mudou: durante os últimos meses, ele parou de falar em voltar para o Equador e começou a explorar a ideia de estudar arquitetura numa faculdade americana.

Mas ele também deixou algumas dicas de que também sente e a pressão que muitos filhos de imigrantes ilegais experimentam.

"Talvez eles esperem muito de mim", confidenciou. "Mas minha família queria que eu viesse para cá. É melhor para mim, e melhor para minha irmã."

Do outro lado do mundo, o apartamento duplex ensolarado que a família construiu durante sua última estadia em Ambato continua vago, mas com seus pertences - fotos de família, os super-heróis do filho, os livros da filha - como se esperasse a volta deles. Os parentes imploram para que eles voltem, até mesmo oferecendo empregos para tornar a oferta mais atraente.

Os pais resistem aos pedidos. Eles não foram tão longe, sacrificaram suas próprias carreiras e confortos, para perder a oportunidade de ver seus filhos bem sucedidos nos Estados Unidos.

Se esse dia chegar, os dois dizem que irão voltar com alegria para sua terra natal - até mesmo o pai, cuja decisão firme levou a todos eles para os Estados Unidos. O Equador é a terra que ele ama. Nova York é apenas o meio para um fim.

"Entrei numa festa para a qual eu não fui convidado, e um dia vão pedir para que eu saia", diz ele. "Eu sei. Aqui é um lugar para trabalhar. Não para morrer."

New York Times 

Foto tirada no Equador mostra os parentes que o imigrante deixou no país



Tradução: Eloise De Vylder

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