UOL Notícias Internacional
 

04/05/2009

Problemas (e pacotes) na Tailândia

The New York Times
Michelle Higgins
Quantos golpes o setor de turismo da Tailândia pode suportar? Será que os protestos antigoverno em Bancoc em meados de abril - que sofreram uma escalada até dois dias de tumultos durante o tradicional Ano Novo tailandês e causaram o cancelamento de um encontro de cúpula dos países asiáticos em Pattaya - afastarão os turistas que estavam aos poucos retornando após o tsunami devastador de 2004?

Os confrontos, que resultaram em dois mortos e mais de 100 feridos, foram contidos após a intervenção das tropas do governo. Mas as imagens de ônibus em chamas e soldados armados nas ruas de Bancoc ocorreram apenas quatro meses após outro grupo de manifestantes ter bloqueado os aeroportos, retendo passageiros no país por quase uma semana. E a perspectiva da continuidade da turbulência já levou alguns viajantes a repensarem seus planos.

Para três semanas de férias no exterior, John D. Long, de Washington, estava decidindo entre uma viagem à Europa ou ao Sudeste Asiático, usando Bancoc como eixo para chegar ao Camboja, Vietnã e Mianmar.

"Eu estava pronto para fazer uma reserva, mas então comecei a ler sobre a turbulência na Tailândia e lembrei do que aconteceu da última vez que o partido político atualmente no poder estava na oposição", ele disse se referindo ao fechamento dos aeroportos. "Eu então achei mais prudente optar pela viagem à Europa."

Não é tanto a natureza do recente conflito que preocupava Long, mas como sua viagem poderia ser afetada caso os manifestantes causassem um impacto em seus planos de viagem. "Se eu fosse para Bancoc e não pudesse sair", ele disse, ele não conseguiria chegar a lugares como Yangun, em Mianmar, "um grande atrativo para aquela viagem".

O turismo na Tailândia já recebeu um golpe da crise econômica mundial. A Autoridade de Turismo da Tailândia previa cerca de 14 milhões de turistas estrangeiros neste ano, uma queda em comparação aos cerca de 14,6 milhões em 2008. Mas os tumultos em Bancoc deverão desferir um golpe adicional contra o setor de turismo - uma queda estimada de turistas estrangeiros de 20% a 30% na primeira metade deste ano, segundo a autoridade de turismo.

O governo tailandês tenta atenuar o temor dos turistas. Em 21 de abril, Kasit Piromya, o ministro das Relações Exteriores, disse: "Os protestos na Tailândia estiveram confinados a apenas poucos lugares, um ou dois pontos em Bancoc", e no restante da cidade "99% da vida seguia como de costume".

Apesar de a embaixada americana ter aconselhado os cidadãos a evitarem áreas de manifestação e "exercitar cautela em qualquer lugar em Bancoc" durante os protestos, o Departamento de Estado não emitiu um alerta separado ou alerta de viagem para a região. Mas ele aconselha os cidadãos americanos em visita a Bancoc a "monitorar os eventos atentamente, para evitar quaisquer grandes aglomerações públicas e exercitar discrição ao se deslocar" pela cidade.

Em consequência, algumas agências de turismo esperam uma queda nas visitas.

"Há sempre um efeito de curto prazo quando coisas como essa ocorrem", disse Rod Cuthbert, fundador da Viator.com, que coloca os turistas em contato com agências de turismo locais para passeios, incluindo 94 atividades na Tailândia. Apesar do tráfego nas páginas da Tailândia no site ter se mantido forte durante todo o período dos protestos, ele disse, "nós esperamos uma queda forte nas reservas para abril e maio".

A incerteza em torno da situação na Tailândia pode muito bem danificar a crescente reputação do país como local onde os turistas podem encontrar luxo a preço acessível - tratamento de cinco estrelas por preços de três estrelas.

Certamente, alguns pacotes recentes fazem a Tailândia parecer o destino certo. Durante o mês de abril, o Metropolitan Bangkok, parte da COMO Hotels and Resorts de luxo, oferecia quartos cuja diária normalmente custa US$ 260 por apenas US$ 99.

O Anantara Golden Triangle Resort and Spa no norte da Tailândia, que conta até com um campo de elefantes no local, está oferecendo três noites pelo preço de duas, com diárias a partir de 9.200 bahts, cerca de US$ 255, como o dólar cotado a 36 bahts. Os turistas podem até obter uma diária menor (7.600 bahts) ao fazerem reservas com 50 dias de antecedência.

Sua propriedade irmã, o Si Kao Resort and Spa, em uma praia do sul a uma hora do aeroporto de Krabi, está oferecendo descontos de até 40% nas diárias habituais de 6 mil bahts ou mais, dependendo da antecedência com que os turistas fizerem suas reservas (veja www.anantara.com para ambos os resorts).

Além destas ofertas, os turistas americanos ganharam cerca de 11% de poder aquisitivo adicional na Tailândia em comparação há um ano, por causa da desvalorização do baht frente ao dólar.

Apesar das imagens televisionadas de ônibus em chamas e soldados armados em choque com manifestantes irados nas ruas de Bancoc, alguns turistas na cidade ignoravam o estado de emergência. Agneta Mallenberg, uma designer de interiores de 38 anos, e sua amiga, Agnieszka Mrugala, uma programadora de computadores de 37 anos, ambas de Varsóvia, Polônia, estavam lá quando os tumultos começaram.

"Eu desconhecia o que estava acontecendo em Bancoc enquanto estávamos lá", disse Mallenberg, durante uma pausa nas compras no shopping Jungceylon, em Phuket. "Minha mãe me escreveu pelo Facebook que deveria evitar grandes aglomerações. Foi a primeira vez que ouvi a respeito."

Outros turistas na Tailândia também pareciam inabaláveis. Poucos dias após os tumultos, a agitada vida noturna em Patong, em Phuket, ainda transcorria normalmente, com seus bares e bancas de ruas lotados de pessoas.

A Friendly Planet Travel, com sede em Jenkintown, Pensilvânia, enviou um grupo de 26 turistas à Tailândia em 16 de abril, para uma excursão de 12 dias de Chiang Ma até Bancoc. Ninguém cancelou.

"O 11 de Setembro mudou para sempre nossa forma de ver o mundo", disse Peggy Goldman, a presidente da Friendly Planet. "Nós descobrimos que nossos turistas estão muito mais confiantes em encarar o mundo, mesmo durante tempos de instabilidade e inquietação."

A própria Goldman planeja ir para Bancoc neste mês.

"Honestamente, nós não temos nenhuma preocupação no momento", ela disse. "Apesar da instabilidade política no momento, o povo é geralmente pacífico e acolhedor, e adora os turistas e os tratam com grande respeito."

Sibel Mulard, 39 anos, uma gerente de seguros da França que estava em férias na Tailândia com seu marido, Lionel, e dois meninos pequenos, tinha acabado de chegar a Phuket quando os tumultos em Bancoc tiveram início e recebeu muitos telefonemas de parentes preocupados na França, pedindo para que ela voltasse imediatamente.

Mas Mulard, que disse estar mais preocupada com um tsunami do que em ser pega por alguma violência, estava determinada a desfrutar de suas férias. Ela disse para sua família que Phuket fica distante de Bancoc, acrescentando: "Eu disse: 'Eu vou ficar. Eu não vou voltar'."

Mas os Mulards alteraram seus planos para evitar a capital devido aos protestos. Em vez de uma visita a Bancoc, disse Mulard, "nós iremos para as ilhas".

Tradução: George El Khouri Andolfato

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