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11/05/2009

Paz e amor, sim. Mas e a compreensão?

The New York Times
Por Allen Salkin
Michael Lang e Joel Rosenman são dois dos produtores do festival de Woodstock original há 40 anos. Recentemente, eles vêm tentando organizar um concerto de aniversário este ano. Eles tentam de verdade, mas você tem que entender, bicho, que é difícil.

Parte do problema é que eles não concordam em algumas coisas.

"A primeira conversa que tivemos sobre Woodstock para este ano foi provavelmente há nove anos", disse Rosenman na semana passada.

"Começamos a pensar sobre isso no ano passado", disse Lang numa entrevista em separado.

Apesar de a ideia mais promissora da dupla - um miniWoodstock de um dia no Prospect Park no Brooklyn em agosto - ter naufragado por eles não conseguirem encontrar patrocinadores, isso não significa que outras pessoas não tenham avançando alguns quilômetros a mais no marketing com o velho ônibus de Woodstock.

Dezenas de projetos foram planejados para comemorar o festival de agosto de 1969, incluindo um filme de Ang Lee chamado "Taking Woodstock", uma turnê dos Heroes of Woodstock (com Jefferson Starship e Melanie) e pelos menos 13 livros, incluindo um para crianças de autoria de um primo em segundo grau de Max Yasgur, o fazendeiro que alugou suas terras em Bethel, Nova York, para o evento original. Há previsão de uma promoção do "Verão do Amor" com produtos licenciados de Woodstock, como toalhas de praia com a pomba branca sobre um braço de guitarra, símbolo do evento.


Mas Lang, 64, e Rosenman, 66, que, com a família de outro sócio da época, controlam a Woodstock Ventures, que é dona das marcas registradas, até agora não conseguiram elaborar um plano concreto para comemorar sua própria conquista histórica. O tempo, ao que parece, já transcorreu para planejar um aniversário estrondoso que os parceiros realizaram no norte do Estado de Nova York em 1994 e 1999 - o primeiro foi um evento de três dias, enlameado, que atraiu 300 mil fãs, e o último ficou lembrado principalmente por causa de um tumulto.

Alguns obstáculos estão enraizados em diferenças pessoais e filosóficas entre Lang e Rosenman que começaram há quatro décadas.

"Joel é uma pessoa muito mais pragmática", disse Lang, que usava uma camiseta azul escura, jeans e tênis brancos em seu escritório em um loft em Chelsea. "Eu sou uma pessoa mais intuitiva, viajante."

Rosenman, que era músico quando jovem, discorda quando dizem que ele é o careta e Lang o sonhador, uma dicotomia que, segundo ele, começou a aparecer na mídia há quatro décadas, quando Lang dava a maior parte das entrevistas. "Michael era de longe o mais empreendedor de nós dois no que dizia respeito a calcular os lucros e avaliar qual negócio era mais vantajoso", diz Rosenman.

Lang quer realizar um show para Woodstock este ano porque, segundo ele, "os aniversários de Woodstock são importantes".

Rosenman não está com tanta pressa. "Se não tivermos a melhor lista de convidados e o melhor lugar e um sentimento correto sobre a comunidade que se desenvolve, não devemos fazer o evento", diz.

A parceria entre os dois começou em 1969, e também incluía o produtor de discos Artie Kornfeld e o sócio de Rosenman na época, John Roberts, que morreu em 2001. Kornfeld e Lang venderam sua parte da Woodstock Ventures para os outros dois sócios por cerca de US$ 65 mil depois das brigas e dívidas que vieram após o Woodstock original, mas Lang voltou como um sócio minoritário antes do festival de 1999.

Apesar de todos os cinco filhos de Roberts serem consultados frequentemente a respeito de decisões relacionadas a Woodstock, eles não exercem o mesmo papel que o pai exercia, de ser uma espécie de amortecedor na relação entre Lang e Rosenman.

"John", diz Lang, "era a ponte". Ele e Rosenman se falam com frequência, normalmente durante as viagens que Lang faz duas vezes por semana para a cidade, vindo da cidade de Woodstock, Nova York, onde mora com sua segunda mulher e seus filhos gêmeos de sete anos de idade. Rosenman mora em Central Park South. Um exemplo de suas desavenças foi o desafio de colocar os dois homens juntos para posar para um foto. Depois de marcar e desmarcar várias vezes, Lang se recusou a entrar no prédio de Rosenman para encontrá-lo.

Eles estão negociando muitos assuntos, dizem ambos. O próximo Woodstock deve acontecer ao vivo ou deve ser um evento online? Deve ser postergado até que a economia se recupere? Deve incluir shows nostálgicos ou bandas contemporâneas? Deve acontecer na cidade ou no interior? Deve ser gratuito ou não?

Rosenman diz que Lang não apareceu para uma reunião recente com Kevin Wall, produtor dos concertos Live Earth em 2007.

Por sua vez, Lang revela velhos desentendimentos com o sócio no livro que está prestes a lançar, "The Road to Woodstock". Ele escreve que o fato de Rosenman ter se negado a investir em um estúdio de gravação na cidade de Woodstock em 1969 foi um erro e que o estúdio construído nas imediações um ano depois por Albert Grossman se tornou "a origem dos discos de Rolling Stones, Foreigner, Bonnie Raitt, REM" e muitos outros.

Os operadores do Centro de Artes de Bethel Woods, ligados às raízes do festival original de Woodstock, desistiram de tentar trabalhar com a Woodstock Ventures e anunciaram em 14 de maio que farão seu próprio show comemorativo em 15 de agosto, chamado Bethel Woods Music Festival, que incluirá apresentações da turnê do Heroes of Woodstock.

Hoje, Lang e Rosenman às vezes parecem aqueles casais de velhos que podem falar sobre tudo o que já aconteceu na vida e, quando se trata de seu filho, Woodstock, conseguem trabalhar juntos. Rosenman disse que as diferenças pessoais não tinham nada a ver com o fato de nenhum grande evento ter sido planejado, mas que continuam a discutir se era melhor continuar sem grandes patrocinadores ou esperar até reunir alguns.

"Tenho a sensação de que devemos voltar a isso quando for mais propício", diz Rosenman. "E a posição de Michael é fazer o que pudermos agora mesmo com poucos recursos."

Uma coisa sobre a qual Lang e Rosenman concordam é que eles não estão tentando usar Woodstock como uma mina de dinheiro. O evento de 1969 deixou a Woodstock Ventures com mais de US$ 1 milhão em dívidas. O produto de maior sucesso foi o filme de um show de três horas dirigido por Michael Wadleigh que conseguiu mais de US$ 60 milhões de bilheteria, mas a maior parte dos lucros foi para a Warner Brothers.

No momento, o projeto mais tangível dos dois parceiros é o Woodstock.com, um site que deve estrear em junho.

"A palavra Woodstock tem um significado forte - é difícil medir isso às vezes", diz Rosenman. "Estamos pensando em como transformar algo que foi um ícone da contracultura, música e comunidade em 1969 em um fenômeno do século 21 que tenha uma plataforma na internet em vez de ao vivo." Esta confusão e atraso têm precedentes históricos. Em maio de 1969 - há exatos 40 anos - ainda não havia um lugar determinado para Woodstock, e muitas das bandas ainda não haviam sido confirmadas.

Lang não desistiu de fazer outro evento de última hora. Ele disse que estava conversando com um patrocinador em potencial e com autoridades municipais para fazer um show gratuito no Prospect Park no outono. "Terímaos uns 150 mil ingressos e uma área extra para mais 150 mil pessoas com telões de vídeo", disse ele, animando-se mais ao falar da logística do show do que sobre o assunto de encontrar patrocinadores e trabalhar suas diferenças com Rosenman.

"O show iria do meio-dia às 23h, com oito a dez bandas no palco principal", continuou Lang. "Com geração de energia solar e eólica no local; biodiesel para os geradores; produção orgânica e local; produtos de papel reciclado. Gostaríamos de dar bilhetes de passagem livre no trânsito na cidade junto com o ingresso."

Quem sabe, quem sabe, disse Rosenman.

"É pouco provável, assim como todas as nossas perspectivas a curto prazo", disse. "Eu evitaria falar sobre elas, a não ser pelo fato de que essas perspectivas pouco prováveis costumavam se materializar para nós."

(Tradução: Eloise De Vylder)

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