UOL Notícias Internacional
 

12/05/2009

Muitos tentam concorrer no Irã, mas poucos são autorizados

The New York Times
Nazila Fathi
Em Teerã, Irã
Restando um mês para a eleição presidencial no Irã, o Ministério do Interior disse no domingo (10) que um total de 475 pessoas se registraram como candidatas, incluindo 40 mulheres, e cuja idade variava de 19 a 86 anos. Mas um painel supervisor de mulás conservadores e juristas quase certamente desqualificará a maioria deles, deixando apenas um punhado.

O número total de candidatos, anunciado ao final do período de registro de cinco dias, foi menos da metade dos 1.014 que se registraram na última eleição presidencial, em junho de 2005. Daquele total, o painel supervisor, conhecido como Conselho Guardião, desqualificou todos exceto seis.

Abedin Taherkenareh/EFE 
Simpatizantes de Mir-Hossein Moussavi participam de campanha eleitoral em Khomain, Irã

O Conselho Guardião, que analisa as qualificações políticas e religiosas de todos os candidatos e é conhecido por suas posições islâmicas conservadoras, deverá anunciar em 22 de maio a lista reduzida de candidatos para a eleição de 12 de junho.

Há grande expectativa de que o conselho desqualificará a maioria ou todos os candidatos que defendam uma maior abertura política e social. Mas as escolhas do conselho ainda assim serão analisadas porque o candidato à reeleição, Mahmoud Ahmadinejad, um conservador religioso amplamente responsabilizado pelo maior isolamento econômico do Irã, perdeu muitos aliados influentes.

Os adversários mais prováveis são os três que já declararam sua intenção de enfrentar Ahmadinejad antes do período de registro. Eles são Mir Hussein Moussavi, um político moderado e ex-primeiro-ministro; Mehdi Karroubi, outro político moderado e ex-presidente do Parlamento; e Mohsen Rezai, um ex-chefe da Guarda Revolucionária.

O foco da campanha tem sido até o momento a economia do Irã, mas o alvo dos candidatos é Ahmadinejad, a quem criticam duramente.

A crítica mais incomum foi feita na semana passada por Rezai, que no passado já se opôs a uma maior abertura política e social assim como Ahmadinejad. Ele disse em uma coletiva de imprensa que se Ahmadinejad for reeleito, ele "jogará o país em um precipício". Ele chamou a política externa do presidente de "provocativa" e "aventureira", e o culpou mais adiante na semana pelo US$ 1 bilhão de receita perdida do petróleo.

Karroubi criticou os comentários de Ahmadinejad sobre a questão do Holocausto. O presidente tem negado repetidamente o Holocausto, mas devido à animosidade do país com Israel, o assunto vinha sendo tratado discretamente até que Karroubi o trouxe à tona. Ele disse que as declarações de Ahmadinejad prejudicam o país e minam a posição do país no cenário global.

Moussavi, que pode ser o principal adversário de Ahmadinejad, atacou a Patrulha de Orientação, a força policial criada por Ahmadinejad e responsável por perturbar mulheres que estariam violando os códigos de vestuário islâmicos.

Políticos e ativistas também estão explorando a atmosfera mais tolerante antes da eleição. Grupos feministas formaram uma coalizão e anunciaram em uma coletiva de imprensa no mês passado que desejam uma emenda às leis discriminatórias contra as mulheres -uma exigência que foi confrontada duramente pelas autoridades. Muitas mulheres ativistas foram presas no ano passado.

Ahmadinejad já contou com o apoio de clérigos influentes, mas eles têm evitado apoiá-lo publicamente em sua campanha para reeleição, lançando algumas dúvidas sobre suas chances de um segundo mandato. O líder religioso supremo, o aiatolá Ali Khamenei, antes seu defensor mais proeminente, o repreendeu em uma carta pública na semana passada, após Ahmadinejad ter anunciado que um aliado seu seria o chefe do órgão do governo para peregrinações a Meca.

Ahmadinejad ainda poderá ser reeleito. Ele viajou por todo o país como presidente, dando dinheiro e prometendo ajuda. Muitos eleitores apontam para sua generosidade e disposição de reduzir a burocracia do governo quando se referem a ele. "Eu vou votar nele porque ele escreveu uma carta e nos isentou do pagamento de uma multa por construção ilegal quando era prefeito", disse Nader Abolqasemi, um funcionário público de 33 anos, se referindo à época em que Ahmadinejad foi prefeito de Teerã, antes de ser eleito presidente.

Aqueles que o apoiam o retratam como um homem devoto e espartano que deseja servir o país. Segundo um livro sobre sua vida intitulado "O Filho do Povo", ele ainda cultiva um pequeno jardim em sua casa e sua filha recém-casada vive em um pequeno apartamento alugado.

O anúncio do registro dos candidatos coincidiu com a notícia de que uma jornalista americana presa em Teerã apelou de sua condenação por espionagem. As agências de notícias divulgaram que o advogado dela está otimista de que a sentença de oito anos será reduzida. O advogado, Abdolsamad Khorramshahi, conversou com os repórteres após as cinco horas da audiência de apelação a portas fechadas de sua cliente. Ele disse que foi autorizado a defender Roxana Saberi e que espera que o tribunal decidirá nos próximos dias.

O caso causou tensão entre os Estados Unidos e o Irã em um momento em que o presidente Barack Obama disse que deseja dialogar com o governo iraniano, após 30 anos de relações cortadas. Washington chamou a condenação por espionagem de infundada.

O Irã prometeu rever o caso na apelação e insistiu que Saberi teria direito a defesa plena. As autoridades sugeriram que a pena de prisão dela poderia ser reduzida ou mesmo anulada. Saberi, que cresceu em Fargo, Dakota do Norte, foi condenada no mês passado após uma audiência a portas fechadas que seu pai disse ter durado apenas 15 minutos, na qual o advogado dela nem teve tempo para defendê-la.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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