UOL Notícias Internacional
 

12/05/2009

Nova equipe aperfeiçoa a velha Enterprise

The New York Times
Dave Itzkoff
Entre numa conversa de dois minutos com J.J. Abrams e ele confessará, orgulhosamente, o papel que "Star Trek" desempenhou em seu amadurecimento cultural. "Eu não era um fã", disse ele recentemente.

Embora Abrams fosse eventualmente se tornar o criador dos programas televisivos "Lost", "Alias" e "Fringe" - séries que devem sua existência a infâncias alimentadas por televisões sindicalizadas e refilmagens -, enquanto ele crescia nos anos 70 e 80 ele não tinha interesse nas viagens da USS Enterprise e sua tripulação.

Esta não seria uma revelação especialmente impressionante, exceto pelo fato de que Abrams é o diretor de "Star Trek", lançado mundialmente neste mês. É a tentativa de US$150 milhões da Paramount de rejuvenescer a decana franquia de aventuras espaciais, o primeiro filme a oferecer uma história oficial sobre as origens de Kirk, Spock e a equipe da Enterprise.

A admissão de Abrams, realizada abruptamente na hora do almoço da empresa de seus colaboradores em "Star Trek", não levantou uma única sobrancelha na mesa. De Roberto Orci e Alex Kurtzman (que criaram "Fringe" com Abrams e escreveram os filmes "Transformers") a Damon Lindelof (um criador e produtor de "Lost") e Bryan Burk (o companheiro de Abrams na produção), todos eles já tinham ouvido seus pronunciamentos sobre "Trek" antes.

Porém, a observação é emblemática de por que esta equipe em particular, englobando amplos fãs de ficção científica e um par de aficionados por Star Trek, recebeu o controle de uma franquia de fantasia que é uma das mais reconhecíveis em entretenimento - apesar de estar em séria ruína, uma vítima de expectativas reduzidas e entusiasmo minguante.

Abrams e seus parceiros são caras com aspirações de cultura pop de grande destaque; seu forte é assumir gêneros com bases de fãs limitadas, mas dedicadas - ficção científica, fantasia e terror - e torná-los acessíveis a audiências mais amplas. O que eles tinham em mente para "Star Trek" era um filme que fosse consistente com os 43 anos de história da série, mas não preso a ela.

Apesar de sua reverência coletiva por "Star Trek" - e "Star Wars", e Indiana Jones, e X-Men, e outros artefatos culturais de sua estranha adolescência -, nenhum deles é fã incondicional de "Trek" (nem mesmo Orci, que certa vez já teve um telefone no formato da Enterprise). Eles dizem que isso faz deles os candidatos ideais para levar a criação de Gene Roddenberry ao público do século XXI.

"Existe simplesmente coisas demais lá para ser leal a tudo", disse Lindelof. "Alguém encontrará 50 maneiras de nos dizer que somos idiotas, e não seria "Trek" se isso não acontecesse". Ao mesmo tempo eles apreciam os riscos esculpir numa rocha cultural cuja influência permaneceu enorme mesmo enquanto sua reputação variava ao longo dos anos.

Se "Star Trek" não der certo, disse Kurtzman, "terá sido o maior fracasso pessoal que já enfrentamos, pois teremos, na realidade, violado algo que significa muito para nós".

Seu filme "Trek" os coloca simultaneamente numa nova trajetória e bem no centro da mitologia da série. Ele conta a história de um irresponsável jovem do século XXIII, chamado James T. Kirk (interpretado por Chris Pine), que se alista na Academia Starfleet, motivado em parte pela morte de seu pai, um oficial de naves que sacrifica sua vida por sua tripulação. Ele cai em meio a um grupo de talentosos cadetes, deparando-se com o meio-terrestre, meio-alienígena, Spock (Zachary Quinto, da série de TV "Heroes").

Para os fiéis, a "Trek" tem muitos acenos a antigos episódios e filmes, frases de efeito conhecidas e a notória solução de Kirk para uma simulação de missão que supostamente não pode ser vencida. Todavia há também um esforço consciente para gravar este "Star Trek" nas tradições das histórias popularizadas por Joseph Campbell, nas quais os heróis precisam sofrer perdas e abandonos antes de ressurgir na hora certa.

Os realizadores admitem que essa é uma deliberada homenagem a seus filmes favoritos, como "Superman", "Star Wars" e "O Poderoso Chefão Parte II": filmes épicos, vale salientar, muito rentáveis na bilheteria.

Talvez, mais audaciosamente, este "Star Trek" tem também uma linha de história de viagem no tempo, que dá àqueles da equipe criativa uma permissão para corrigir histórias "Trek" internas conforme necessário, e eles não são tímidos ao fazê-lo. (Por exemplo, os vilões do filme são Romulans, embora o primeiro encontro da Enterprise com essa raça alienígena ocorra num episódio bem conhecido da série original.)

Embora suas revisões possam ser controversas, os realizadores dizem que foram necessárias; o império "Star Trek" confiado a eles esteve passando por maus bocados.

Sob o comissariado de Roddenberry e seu sucessor nomeado, Rick Berman, um criador de "Star Trek: The Next Generation", a franquia havia gerado quatro sub-séries de TV e dez filmes próprios. Mas o longa de 2002, "Star Trek: Nemesis", foi um desapontamento de bilheteria e rendeu apenas US$43 milhões (menos do que cada um dos outros filmes da série). Qualquer chama restante no universo "Trek" havia se dissipado.

Em pós-produção de "Missão: Impossível III," Abrams foi abordado por Berman para produzir o novo "Trek". Ele não abraçou a oportunidade imediatamente, mas quanto mais pensava sobre um projeto que poderia envolver Orci e Kurtzman, assim como Lindelof e Burk, mais entusiasmado ele ficava.

"Nossas referências eram todas as mesmas", disse Abrams. E acrescentou, "Existe essa louca sensação de termos todos crescido juntos".

Embora este "Star Trek" tenha sido retrabalhado para lembrar blockbusters contemporâneos como "O Cavaleiro das Trevas" e "Homem de Ferro" (assim como as promessas "X-Men Origens: Wolverine" e "Terminator Salvation"), ele também foi colocado em separado por um tom mais esperançoso - e até mesmo utópico - do que seus concorrentes.

O que finalmente o inspirou para "Star Trek", disse Abrams, foi que, ao contrário de uma saga de ficção científica como "Star Wars" - cujas imagens de jovens aventureiros cruzando o cosmos em veículos despedaçados claramente influenciaram seu filme -, "Trek" não se passava há muito tempo atrás, numa galáxia distante; era, sim, uma esperançosa visão do que poderia ser o futuro deste planeta.

"Nós nos tornamos tão familiares à ideia da viagem especial, graças a tantos programas de televisão e filmes, que ela perdeu sua aventura e suas possibilidades, sua sensação de assombro", disse Abrams. "Há 43 anos essa não era uma ideia maçante".

O que permanece incerto é se a paciente, boa e profundamente filosófica tradição de "Star Trek" será compatível com um filme que é alternadamente ofuscante, frenético, sujo e suficientemente fincado na cultura popular para acomodar desde a canção "Sabotage", dos Beastie Boys, até um camafeu de Tyler Perry.

Abrams disse que ao longo do processo de produção, Orci e Lindelof, ambos acólitos da história "Trek", estavam lá para ficar de olho nele. Os realizadores também receberam a bênção de Leonard Nimoy, o criador do papel de Spock que concordou em reprisar o papel no filme como um homem envelhecido.

"Qualquer fã achando que isso não é 'Trek' terá de dizê-lo na cara de Leonard Nimoy", disse Orci. "Não fale comigo, fale com o Spock".

Abrams disse que sua responsabilidade não era para com os fãs leais da série, mas "para criar um filme capaz de agradar aos espectadores amantes da aventura, da comédia, do susto, e da empolgação".

Mas depois de submergir nos ricos personagens e nos universos sem fronteiras de um épico espacial anteriormente desconhecido a ele (e tendo se comprometido a produzir, com Burk, uma sequência de "Star Trek" que será escrita por Kurtzman, Orci e Lindelof), Abrams estava pronto para fazer outra confissão a sua equipe.

"Agora me considero um 'Trekkie'", ele declarou, "algo que eu literalmente nunca havia me imaginado dizendo a qualquer um".

Tradução: The New York Times

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