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13/05/2009

General McChrystal sai da sombras

The New York Times
Elisabeth Bumiller e Mark Mazzetti
Em Washington
O general Stanley A. McChrystal, um asceta que deverá assumir o comando das forças norte-americanas no Afeganistão, geralmente faz apenas uma refeição por dia, ao anoitecer, para evitar preguiça.

Ele é conhecido por atuar com apenas poucas horas de sono e ir e voltar do trabalho escutando livros em áudio em um iPod. No Iraque, onde supervisionou todas as operações secretas por cinco anos, ex-oficiais de inteligência disseram que ele tinha um conhecimento enciclopédico, até mesmo obsessivo, a respeito da vida dos terroristas e pressionava agressivamente seus subordinados a matarem o máximo possível deles.

Mas McChrystal também se moveu facilmente do mundo das sombras para a luz. Colegas oficiais do Estado-Maior das Forças Armadas, onde ele é diretor, e ex-colegas do Conselho de Relações Exteriores o descrevem como um guerreiro-erudito, à vontade com os diplomatas, políticos e militares que ajudariam a promovê-lo.

"Ele é um soldado magro, inteligente, durão e furtivo", disse o general William Nash, um oficial reformado. "Ele tem todos os atributos das Operações Especiais, mais o intelecto."

Se McChrystal for confirmado pelo Senado como esperado, ele assumirá o posto que era do general David D. McKiernan, que foi forçado a deixá-lo na segunda-feira. Funcionários do governo Obama descreveram a mudança como uma forma de promover uma abordagem mais agressiva e criativa à guerra no Afeganistão.

Muito do que McChrystal fez ao longo de 33 anos de carreira permanece confidencial, incluindo o serviço entre 2003 e 2008, como comandante do Comando Conjunto de Operações Especiais, uma unidade de elite tão clandestina que o Pentágono se recusou por anos a reconhecer a existência. Mas ex-funcionários da Agência Central de Inteligência (CIA) disseram que McChrystal está entre aqueles que, juntamente com a CIA, pressionaram fortemente por uma operação conjunta secreta na região tribal do Paquistão, no início de 2005, visando capturar ou matar Ayman al-Zawahiri, o segundo-em-comando de Osama bin Laden.

O então secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, cancelou a operação no último minuto, dizendo que era arriscada demais e baseada no que considerava inteligência questionável, uma decisão que ex-funcionários da inteligência disseram que deixou McChrystal enfurecido.

Quando McChrystal assumiu o Comando Conjunto das Operações Especiais em 2003, ele herdou um comando obscuro, isolado, com a reputação de desprezar parcerias com outras organizações militares e de inteligência. Mas ao longo dos cinco anos seguintes, ele trabalhou arduamente, disseram colegas, para formar um relacionamento estreito com a CIA e o FBI. Ele conquistou elogios das autoridades da CIA, muitas das quais com relacionamentos tempestuosos com os comandantes responsáveis pelas guerras no Iraque e Afeganistão.

"Ele conhece inteligência, ele conhece uma ação secreta e sabe o valor das parcerias", disse Henry Crumpton, que dirigiu a guerra secreta da CIA no Afeganistão após os ataques do 11 de Setembro.

Como chefe do comando, que supervisiona os grupos de elite Força Delta, os Seals da Marinha, os Rangers do Exército e os Boinas Verdes, McChrystal estava baseado no Forte Bragg, Carolina do Norte. Mas ele passou grande parte de seu tempo no Iraque, comandando missões secretas. A maioria de suas operações foi conduzida à noite, mas McChrystal, descrito quase universalmente como sendo um viciado em trabalho, também permanecia acordado grande parte do dia. Sua esposa e filho crescido permaneceram nos Estados Unidos.

"Ele sacrificou sua vida pelo Iraque", disse um ex-colega.

McChrystal nasceu em 14 de agosto de 1954, em uma família de militares. Seu pai, o general Herbert J. McChrystal Jr., serviu na Alemanha durante a ocupação americana após a Segunda Guerra Mundial e posteriormente no Pentágono. Stanley McChrystal foi o quarto filho em uma família de cinco meninos e uma menina; todos eles serviram nas forças armadas ou se casaram com alguém militar.

"São todos muito intensos", disse Judy McChrystal, uma das cunhadas de McChrystal, que é casada com o irmão mais velho dele, Herbert J. McChrystal III, um ex-capelão da Academia Militar dos Estados Unidos em West Point.

McChrystal se formou em West Point em 1976 e passou as três décadas seguintes ascendendo por posições de comando convencionais e de operações especiais, assim como assumindo postos em Harvard e no Conselho de Relações Exteriores. Ele foi comandante de uma equipe Boina Verde em 1979 e 1980 e teve várias passagens pelos Rangers do Exército como oficial de estado-maior e comandante de batalhão, incluindo serviço na Guerra do Golfo Pérsico de 1991.

Uma mancha em seu histórico militar impressionante ocorreu em 2007, quando uma investigação do Pentágono da morte acidental do soldado Pat Tillman, em 2004, por companheiros rangers no Afeganistão, responsabilizou McChrystal pela informação imprecisa fornecida à unidade de Tillman ao recomendá-lo para uma Estrela de Prata.

No Estado-Maior no Pentágono, onde McChrystal dirige o grupo de 1.200 membros, ele instituiu uma reunião confidencial diária às 6h30 da manhã com os 25 oficiais mais graduados e, por vídeo, os comandantes militares em todas as partes do mundo. Em meia hora, o grupo repassa todos os desdobramentos militares e problemas das últimas 24 horas; no topo da lista desta semana estavam o Paquistão, Afeganistão e um soldado americano que matou cinco militares americanos em Bagdá.

O almirante Mike Mullen, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, trouxe McChrystal de volta para Washington para ser seu diretor em agosto passado, e a proximidade física, disseram funcionários da Defesa, fez bem a McChrystal. Nas últimas semanas, Mullen recomendou McChrystal ao secretário de Defesa, Robert M. Gates, como substituto de McKiernan.

Outra coisa importante a respeito de McChrystal: quando foi membro do Conselho de Relações Exteriores em 2000, ele corria cerca de 20 quilômetros toda manhã de sua residência no Forte Hamilton, na ponta sudoeste do Brooklyn, até os escritórios do conselho.

"Quando você me pergunta a respeito da primeira coisa que vem a mente a respeito do general McChrystal, eu penso em nenhuma gordura no corpo", disse Leslie H. Gelb, o presidente emérito do conselho.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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