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15/05/2009

Eleição nacional da Índia espalha bilhões; candidatos gastaram até para invocar deuses

The New York Times
Heather Timmons e Hari Kumar
Em Nova Déli
As eleições nacionais da Índia, com duração de um mês, são frequentemente chamadas de o maior exercício de democracia do mundo. Elas também poderiam ser consideradas como um grande motor de estímulo econômico.

Os candidatos e partidos gastaram US$ 3 bilhões em tudo, incluindo transporte, propaganda, apoio de celebridades e propinas em dinheiro ao longo da campanha, segundo economistas e analistas políticos. Em comparação, a última campanha presidencial norte-americana custou cerca de US$ 2,4 bilhões.

A campanha, que chegará ao fim no sábado, com a última contagem de votos, está se infiltrando na economia e elevando os ganhos de emissoras de televisão, agências de publicidade, floristas, companhias aéreas, empresas de aluguel de carros e postos de gasolina. Ela está estimulando os negócios de fabricantes de doces, sacerdotes e astrólogos.

Os programas são tão abrangentes que a quantidade de dinheiro gasto na Índia provocará um aumento de 0,5% no produto interno bruto do país por dois trimestres neste ano, segundo a corretora Kotak Securities.

"Cada candidato gasta dinheiro em práticas devocionais e rituais", disse K.N. Somayaji, um astrólogo e sacerdote brâmane em Bangalore. Ele disse que mais de 200 candidatos requisitaram seus serviços, que incluem invocar Kali, a deusa da vitória. O ritual mais elaborado que ele realizou durante esta eleição envolveu 350 sacerdotes de Kerala e custou mais de US$ 3 milhões, ele disse.

Os setores sérios de fato são os que mais faturam com os gastos de campanha. Viagens aéreas e publicidade correspondem aos maiores gastos, disse Amitabh Sinha, uma espécie de diretor de campanha nacional do Partido Bhartiya Janta.

O tempo para as propagandas na televisão, em particular, aumentou quase 1.500% desde a última eleição, segundo a Tam Media Research, em consequência da proliferação de televisores nas áreas rurais. "A televisão é uma das melhores formas de comunicação com as massas de modo fácil", disse Sinha.

Os candidatos também estão apostando em novas tecnologias para entrar em contato com 700 milhões de eleitores. Muitos dos 400 milhões de donos de celulares na Índia dificilmente passam um dia sem receber várias mensagens de texto como "Eu, Jagat Singh Chauhan, prometo cumprir todos os compromissos de uma sociedade melhor e desenvolvimento!"

O volume de mensagens de texto cresceu de 20% a 25% na Tata Teleservices, disse Rohit Gupta, um vice-presidente associado da empresa. A receita aumentou vários milhões de rúpias por mês, ele disse. Os candidatos compram mensagens em grande quantidade, pagando valores mais baixos do que os consumidores individuais, seja por meio da companhia telefônica ou terceiros.

"O uso de mídia digital está aumentando dia a dia", disse Gupta, porque "há uma conexão direta com o cliente".

As gráficas estão sofrendo neste ano. A comissão eleitoral do país proibiu que cartazes e materiais eleitorais fossem pendurados em lugares públicos sem permissão, de forma que os candidatos estão encomendando menos.

Um proprietário de gráfica, Gulshan Khurana, estava sentado cercado por uma pilha de mercadorias, incluindo sacolas de compras com fotos impressas do ministro chefe do Estado de Uttar Pradesh, Kumari Mayawati, assim como outros itens com membros da primeira-família do Partido do Congresso, Rahul Gandhi e sua mãe, Sonia. Khurana disse que suas vendas foram apenas uma fração minúscula das de anos anteriores.

Os candidatos estão gastando dinheiro em propagandas de jornal e televisão em vez de comprarem seus produtos, disse Khurana. E o teto de gastos imposto a cada candidato também significa menos negócios. Segundo ele, os pobres "não estão mais se beneficiando" com a eleição. Em vez disso, quem está se beneficiando são as grandes empresas, ele disse.

O caixa dois eleitoral e os pagamentos aos eleitores, tradicionalmente chamado de "dinheiro preto", são um fato da vida, disseram representantes dos partidos e autoridades do governo. A polícia frequentemente monta barreiras nas estradas durante as eleições e revista os carros, à procura de maços de dinheiro sem identificação (como documentos bancários ou recibos). Ela apreende o dinheiro, presumindo que será usado para compra de votos.

"Nós recuperamos 165 milhões de rúpias em vários incidentes" durante este período eleitoral, disse Seemant Kumar Singh, o superintendente da polícia do distrito de Bellary, no Estado de Karnataka, no sul.

Em Bangalore, a polícia recuperou 20 milhões de rúpias (US$ 403 mil) em dois casos durante esta eleição, disse Shankar Bidari, o comissário de polícia da cidade.

"Nós suspeitamos que o dinheiro seria distribuído para comprar a boa vontade de eleitores e partidários", ele disse.

Dinheiro também é distribuído legalmente, para centenas de milhares de cabos eleitorais que tornam a eleição possível.

Ravi, um jovem de 19 anos que não quis dizer seu sobrenome, recebe 200 rúpias por dia para circular em um caminhão aberto de um candidato do Partido do Congresso, com altofalantes e um gerador. Ele opera uma TV de plasma, enquanto Prashant, um jovem de 17 anos com um bigode ralo, controla o sistema de som por um salário semelhante.

Eles são dois dentre centenas de milhares de indianos que arrumam um trabalho extra quando chega o período eleitoral. Apesar de a contratação ser informal, os valores pagos são padrão: pessoas que colocam faixas recebem 150 rúpias (US$ 3) por dia e aqueles que seguem os candidatos, gritando os slogans, ganham de 100 a 150 rúpias, disse Prashant.

"E eles oferecem boa comida durante as eleições", disse Prashant.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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