UOL Notícias Internacional
 

16/05/2009

Não é um bom momento para ser de meia-idade

The New York Times
Floyd Norris
Nesta recessão é melhor ser velho. Ser jovem também tem algumas vantagens.

Mas estar no meio do espectro - na faixa dos 30 ou 40 anos - parece ser o pior lugar no qual estar.

O Centro Pew de Pesquisa divulgou nesta semana uma pesquisa entre os americanos que apontou que as pessoas com mais de 65 anos estão, em geral, sofrendo menos com a recessão. Um número menor delas informou estar sendo forçada a cortar gastos domésticos ou disse estar tendo dificuldade para pagar o aluguel ou a hipoteca.

"O resultado mais forte nesta pesquisa é o de que os americanos mais velhos -a maioria já aposentada e com um estilo de vida mais contido- estão melhor isolados da atual tempestade do que aqueles que se preocupam em manter seus empregos e compensar as perdas nas contas de aposentadoria", escreveram Rich Morin e Paul Taylor, do Centro Pew.

Os idosos se beneficiam com uma rede de segurança social maior do que os demais americanos. Muitos recebem pensões e dispõem do Seguro Social e do Medicare (o seguro saúde público para idosos e inválidos). Apenas 7% daqueles com mais de 65 anos relataram problemas em ter acesso ou pagar pelo atendimento de saúde, um terço da proporção dos adultos mais jovens.

O colapso no preço das ações no ano passado também causou menos estragos àqueles com mais de 65 anos. A pesquisa revelou que 23% dos americanos idosos informaram ter perdido pelo menos 20% de seus investimentos no ano passado, bem menos do que aqueles mais distantes da aposentadoria.

As pessoas com mais de 65 anos supostamente tinham investimentos mais conservadores, que apresentaram um desempenho bem melhor.

A proporção daqueles com idades entre 18 e 29 anos que informaram grandes perdas foi ainda menor, em 15%. Parece que muitos deles perderam pouco porque tinham menos investimentos a perder.

Os americanos mais velhos também foram menos afetados pelo aumento do desemprego. Um número menor deles está trabalhando, é claro, mas o número de pessoas com mais de 65 anos que estão trabalhando subiu em 3,9% desde novembro de 2007, quando o número total de pessoas empregadas atingiu um pico. De lá para cá, quanto mais jovem o trabalhador, maior a probabilidade dele ou dela perder o emprego.

Esta recessão difere das recentes neste aspecto. Apesar dos trabalhadores mais jovens sempre serem os mais vulneráveis, aqueles com mais de 65 anos se saíram pior do que aqueles de meia-idade nas três recessões anteriores -no início dos anos 80 e 90, assim como no início desta década.

Um aumento do número de pessoas com mais de 65 anos ainda trabalhando pode não ser uma boa notícia, é claro, já que pode indicar que algumas pessoas aposentadas podem estar sendo forçadas a voltar ao mercado de trabalho devido às perdas em seus investimentos. Mas pelo menos muitos deles conseguiram encontrar empregos.

A pesquisa Pew mostrou que a recessão teve seu impacto imediato mais profundo sobre aqueles na "geração limítrofe", com idades de 50 a 64 anos. Estes são aqueles com maior probabilidade de terem sofrido perdas significativas em investimentos, e três quartos deles disseram que a recessão dificultará o acesso deles à aposentadoria, um percentual maior do que os americanos mais velhos e mais jovens.

Mas se essa geração for obrigada a trabalhar por mais tempo, os trabalhadores na faixa dos 30 e 40 anos podem se ver diante de uma maior concorrência por empregos e promoções. Mesmo se a recessão terminar neste ano, como preveem os economistas mais otimistas, os efeitos dela poderão continuar sendo sentidos ainda por muitos anos.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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